Europa resgata carros urbanos com Renault, Citroën e Volkswagen para enfrentar chineses com elétricos a partir de R$ 102,5 mil

vw id every1 oficial 1
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A resposta europeia aos EVs chineses de baixo custo começa a ganhar forma por meio de uma nova geração de carros pequenos, leves e produzidos localmente.

Renault, Citroën, Volkswagen e Fiat tentam recuperar um segmento abandonado durante a última década, justamente quando fabricantes chinesas preparam compactos acessíveis para a região.

O desafio envolve oferecer preços competitivos sem ignorar normas ambientais e de proteção que elevaram os custos e reduziram a rentabilidade dos antigos modelos urbanos.

Empresas europeias afirmam manter entre 20% e 25% de seus engenheiros dedicados permanentemente ao cumprimento dessas exigências regulatórias.

Essa pressão ajudou a retirar do mercado Volkswagen Up e e-Up em 2013, Peugeot 108 e Citroën C1 em 2022.

vw id every1 oficial 2
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Ford Fiesta saiu em 2023, enquanto Smart Fortwo e Fiat Panda desapareceram de diferentes mercados em 2024, reduzindo ainda mais as opções compactas.

A necessidade desses automóveis continua evidente em cidades como Roma, onde ruas estreitas favorecem modelos menores e proprietários preservam unidades antigas por falta de substitutos.

O Panda ainda pode ser comprado novo na Itália por £ 9.870 (R$ 67.500), diferença que também expõe as distorções de preço no Reino Unido.

A Renault prepara um Twingo elétrico por menos de £ 20.000 (R$ 136.700), modelo que também dará origem a um futuro Ford Fiesta.

A Citroën planeja apresentar em outubro uma releitura elétrica do 2CV, com preço estimado em £ 15.000 (R$ 102.500).

renault twingo bruxelas 2
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Volkswagen lançará o ID.1 no próximo ano por aproximadamente £ 17.000 (R$ 116.200), segundo a projeção divulgada pela fabricante.

Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen, descreve o compacto como a última peça necessária para completar a linha elétrica da marca.

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Esses valores continuam elevados diante do Ford Fiesta básico vendido há dez anos por £ 10.250 (R$ 70.100), mostrando como o segmento mudou.

Baterias mais eficientes devem permitir que os novos compactos europeus ofereçam pelo menos 241 km de autonomia, tornando-os adequados ao uso diário.

Toyota, Kia, Hyundai e Suzuki ainda mantêm pequenos modelos a gasolina no Reino Unido, mas a principal reação industrial deve ocorrer entre os EVs.

grande panda 1
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Os kei cars japoneses oferecem outra referência, limitados a 3,40 m, motores de 660 cm³ e potência máxima próxima de 64 cv.

Versões elétricas dessa categoria alcançam entre 241 km e 306 km, embora sua adaptação às normas europeias exija investimentos elevados.

O Honda Super-N deriva desse formato, custa £ 19.000 (R$ 129.900) e entrega autonomia de 206 km.

Fabricantes defendem a criação da categoria europeia M1E para EVs com menos de 4,20 m, permitindo regras mais proporcionais aos compactos urbanos.

A Citroën pretende enquadrar o novo 2CV nessa classificação ainda não confirmada, reduzindo custos sem transformá-lo em um automóvel convencional maior.

Quadriciclos L7 representam outro caminho, com limite de 400 kg sem bateria, aproximadamente 20,4 cv e velocidade máxima de 90 km/h.

Na Europa, eles podem ser conduzidos por jovens de 16 anos com habilitação B1, enquanto o Reino Unido exige carteira completa.

O Citroën Ami mostrou as limitações atuais dessa fórmula, custando £ 7.695 (R$ 52.600), com alcance de 74 km e máxima de 45 km/h.

A Fiat utilizou a mesma base para criar o Topolino, priorizando aparência e acabamento sem ampliar a bateria ou melhorar significativamente o desempenho.

Em junho, o Vaticano recebeu 30 Topolino e três unidades de entrega Tris, reforçando a presença desses modelos em operações urbanas específicas.

Gaetano Thorel, chefe da Fiat na Europa, afirma que Carlos Tavares esperava apenas uma troca de emblemas, mas a marca desenvolveu uma interpretação própria.

A próxima etapa será o Multiplina, versão de quatro lugares com bateria maior, desempenho superior e comprimento inferior a 4,20 m.

Thorel define o modelo como o elo ausente entre o Topolino e os carros urbanos tradicionais, destinado às cidades e não às rodovias.

A Fiat controla 63,45% do mercado italiano de microcarros e aposta integralmente na micromobilidade para estimular concorrentes europeus.

O executivo critica a ausência desses veículos nos cálculos que compensam vendas a combustão e reduzem penalidades por metas de emissões.

Projetos como o Renault Twizy mostraram que existe procura, mas também evidenciaram a dificuldade de obter lucro com volumes reduzidos.

A indústria europeia acredita que compactos, microcarros e quadriciclos poderão formar uma barreira comercial diante da chegada de numerosos EVs chineses acessíveis.

O sucesso dependerá de preços menores, regras adequadas e produtos capazes de unir autonomia, espaço e proteção sem repetir o tamanho dos SUVs atuais.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook