EVs chineses, grandes e pesados, estão estragando estradas sem pagar pelos reparos nem gerar arrecadação em seu país natal

byd great tang (2)
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Estradas submetidas a veículos cada vez maiores e uma arrecadação menor sobre combustíveis colocam a China diante de um novo desafio para financiar sua infraestrutura.

Seis de cada dez automóveis lançados no primeiro semestre, em sua maioria elétricos, ultrapassam 5 m de comprimento, dimensão próxima à de um SUV Ford Explorer.

Alguns desses modelos chegam a pesar três toneladas, ampliando o desgaste das vias justamente durante a rápida expansão da frota de EVs no país.

Apenas 2% dos novos produtos medem menos de 4,50 m, proporção que alcançava 13% um ano antes, segundo a China Passenger Car Association.

Cui Dongshu, secretário-geral da entidade, observa uma clara preferência por veículos grandes, impulsionada por preços próximos aos cobrados por modelos médios.

byd great tang (3)
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O problema fiscal surge porque Pequim arrecada tributos sobre combustíveis e distribui parte da receita aos governos regionais responsáveis pela conservação das estradas locais.

EVs não geram essa arrecadação durante o uso e geralmente pesam mais que automóveis a gasolina, elevando a exigência sobre pavimentos e estruturas rodoviárias.

Um núcleo de estudos do Ministério dos Transportes calcula que falta anualmente cerca de 50% do dinheiro necessário para administrar e conservar estradas comuns.

Aproximadamente 40% das vias locais enfrentam falta severa de recursos, mesmo já estando incluídas em programas que reconhecem a necessidade de manutenção.

Outro levantamento do mesmo centro estimou, em 2023, uma diferença anual próxima de 300 bilhões de yuans (R$ 228,9 bilhões) entre necessidades e recursos disponíveis.

Xiaomi Sky Nomad Lounge 1
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A expansão dos veículos de nova energia, que já superam 60% das vendas de automóveis de passageiros, acelera a busca por uma nova fonte de financiamento.

Dados reunidos pela Bloomberg Intelligence e pelo China Automotive Technology and Research Center mostram como essa transformação reduz progressivamente a receita ligada aos combustíveis.

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Diante desse cenário, o governo começou a diminuir incentivos concedidos durante uma década aos veículos eletrificados vendidos no mercado chinês.

O desconto no tributo de compra foi reduzido pela metade, para 5%, e passou a ter limite máximo de 15.000 yuans (R$ 11.400).

O Ministério das Finanças também eliminará as isenções anuais destinadas a híbridos plug-in e EVs com extensor de autonomia, segmentos associados aos modelos maiores.

Geely Galaxy Cruiser 700 2
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Novos padrões obrigatórios de consumo ainda penalizam automóveis excessivamente pesados e estimulam materiais leves, melhor aerodinâmica e baterias dimensionadas com maior equilíbrio.

Hainan já testa sistemas de navegação por satélite para acompanhar veículos selecionados e preparar uma cobrança dinâmica baseada na distância efetivamente percorrida.

A medida poderia substituir parcialmente os tributos sobre gasolina e diesel, encerrando a utilização das estradas sem contribuição direta por parte dos EVs.

O People’s Daily afirmou no mês passado que as dimensões cresceram demais e que terceiras fileiras podem virar recursos pouco úteis em projetos exagerados.

O jornal também relacionou o aumento das carrocerias a limitações da infraestrutura urbana e ao maior consumo de energia, defendendo projetos mais racionais.

Uma série publicada pelo CCTV.com questionou o ganho coletivo de peso dos NEVs e classificou essa tendência como um retrocesso para a inovação.

Segundo a publicação, veículos enormes refletem demandas imediatas e estratégias competitivas que talvez não sejam sustentáveis por muito tempo no mercado chinês.

Cui Dongshu considera inevitável a padronização e o endurecimento gradual dos tributos, direcionando o setor para um desenvolvimento mais equilibrado e saudável.

Outros países também procuram substituir a arrecadação dos combustíveis, incluindo a Islândia, onde motoristas registram o hodômetro pelo menos uma vez ao ano.

A cobrança islandesa equivale a cerca de US$ 0,06 (R$ 0) a cada 1,6 km percorrido, independentemente da fonte de energia utilizada.

Na Nova Zelândia, proprietários de EVs precisam adquirir uma licença rodoviária de aproximadamente US$ 44 (R$ 242) para cada 1.000 km.

O tamanho, porém, continua associado a prestígio na China, principalmente porque muitos veículos grandes não custam muito mais que alternativas de porte médio.

O BYD Great Tang exemplifica essa tendência ao medir 5,30 m, oferecer sete lugares e alcançar 2.970 kg em ordem de marcha.

Apesar das dimensões, o SUV parte de 239.900 yuans (R$ 183.000), valor que ajuda a explicar o interesse dos consumidores por modelos maiores.

Fabricantes também instalam baterias mais pesadas para reduzir a preocupação com autonomia, além de geladeiras e várias telas destinadas ao entretenimento dos passageiros.

O cenário contrasta com cinco anos atrás, período em que o compacto Wuling Hongguang Mini liderava as vendas de EVs no país.

Zhu Yulong, fundador da consultoria Zhineng Auto, afirma que a ausência de tributos ligados a motores grandes e consumo elevado favoreceu o crescimento desses veículos.

Segundo o especialista, a política agressiva de preços das fabricantes tornou financeiramente pouco atraente a escolha por automóveis menores no mercado atual.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook