
Uma trajetória que começou longe dos palácios ganhou contornos incomuns na Bélgica, onde um ex-vendedor de carros de 26 anos passou oficialmente a integrar a realeza.
Clément Vandenkerckhove tornou-se príncipe belga depois que um exame de DNA confirmou que seu pai é o príncipe Laurent, irmão mais novo do atual rei Philippe.
A história só veio a público na semana passada, embora a mudança de status tenha ocorrido discretamente seis meses antes, durante uma cerimônia realizada em uma prefeitura.
Clément já conhecia havia anos a identidade do pai, revelada por sua mãe, a cantora belga Wendy Van Wanten, quando ele tinha apenas 16 anos.
Segundo a BBC, Van Wanten e Laurent mantiveram um relacionamento durante a década de 1990, antes do casamento do príncipe com a princesa Claire, em 2003.
A confirmação genética surgiu em 2020, depois que Clément procurou Laurent e recebeu dele a sugestão de realizar um exame para esclarecer definitivamente a paternidade.
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O resultado apontou compatibilidade de 99,5%, encerrando a dúvida que acompanhava Vandenkerckhove desde a adolescência e abrindo caminho para uma aproximação entre os dois.
Apesar do novo título, sua rotina não deve sofrer grandes alterações, pois Clément não entrará na linha de sucessão ao trono belga nem terá funções oficiais.
Ele também não receberá uma mesada real, permanecendo fora das atribuições institucionais normalmente associadas aos integrantes mais próximos da família do rei Philippe.
Antes dessa reviravolta familiar, Vandenkerckhove trabalhou como vendedor de carros, atividade da qual afirma ter gostado e na qual considera ter apresentado bom desempenho profissional.
Em entrevista citada pelo The Times, Clément contou que episódios recorrentes de pânico dificultavam sua vida na época, apesar da satisfação que encontrava trabalhando no setor automotivo.
Hoje fora das vendas de veículos, ele relata uma melhora em sua ansiedade desde que passou a manter contato mais próximo com o príncipe Laurent.
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Os carros acabaram funcionando como um dos principais pontos de ligação entre pai e filho, já que ambos compartilham forte interesse pelo universo automotivo.
A combinação entre realeza europeia e paixão por automóveis também aparece em Mônaco, onde Albert II mantém uma relação histórica com a Fórmula 1.
O príncipe monegasco herdou ainda a extensa coleção de carros antigos da família Grimaldi, tradição associada há décadas à imagem da casa real local.
Filho da atriz Grace Kelly, Albert II também reconheceu dois filhos nascidos fora do casamento após diferentes disputas envolvendo a confirmação de paternidade.
A Bélgica, por sua vez, já havia enfrentado situação semelhante dentro da própria família de Laurent, envolvendo seu pai, o então rei Albert II.
Albert II deixou o trono belga em 2013 e posteriormente foi chamado a responder perante a Justiça em outra disputa relacionada à determinação de paternidade.
Para Clément Vandenkerckhove, porém, o novo capítulo parece menos ligado ao protocolo real e mais à possibilidade de construir uma relação antes mantida distante e reservada.
Entre salões oficiais e lembranças de concessionárias, o recém-reconhecido príncipe continua sem papel institucional, mas agora divide publicamente com o pai algo simples: a paixão por carros.
