F1000 4×4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes

 

F1000 4x4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes


Em 1992, a Ford abandona uma carroceria de 20 anos com a nova geração de sua picape no Brasil, que trouxe posteriormente a F1000 4×4.

A disputa de força com a General Motors foi bem interessante no começo dos anos 90, onde já pairava a ameaça de picapes importadas.

Ainda assim, confiando plenamente em seu produto, provado e aprovado no mercado nacional, a Ford mudou para um modelo que se assimilou à F-150 americana da época.

Dois anos depois de impactar o mercado com uma F1000 de design realmente atual – uma geração inteira vivenciou apenas o modelo de 1971 – chega a opção mais radical.

F1000 4x4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes

A F1000 4×4 chegou em 1994, sendo uma das duas novidades da picape grande da Ford, que trazia ainda a Supercab, que era a cabine estendida.

Com a tração 4×4, o modelo feito em São Bernardo do Campo-SP agora estava apto a enfrentar a rudeza das estradas de terra perdidas no imenso interior do país.

Além de atuar com mais valentia na zona rural, a F1000 4×4 colocaria a picape da Ford em evidência diante dos erros da Chevrolet D20 4×4 de 1990.

Passando por um facelift e mudança de mecânica, a picape com tração nas quatro rodas foi um dos últimos alentos de um modelo histórico, que foi substituído pela F-250 nos anos 2000.

F1000 4×4

F1000 4x4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes

Na linha 1995, a F1000 4×4 chegava em versão de cabine simples, tendo um estilo semelhante ao da F-150 americana. Ainda bem “raiz”, a picape tinha um aspecto bem mais moderno que a geração anterior.

Com forma geral mais quadrada e dotada de menos vincos pronunciados, a F1000 4×4 tinha um capô longo e envolvente, com três vincos proeminentes.

A frente bem retangular tinha faróis quadrados com piscas separados em cor laranja. A grade de plástico preto era retangular e simples, portando o logotipo da Ford.

Para dizer a todo mundo que era 4×4, a picape ganhou logotipo alusivo abaixo do farol esquerdo. Bem poderia ter sido dentro da grade, o que a deixaria mais harmônica.

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O para-choque em um tom de cinza com protetor emborrachado não era muito imponente, deixando o visual mais leve. Nas laterais, que tinham apenas um vinco na altura do corte do capô, havia muitas faixas.

A faixa decorativa superior tinha cores laranja e preta, sendo que a pintura que envolvia as saias de rodas e a parte inferior da carroceria também era preta.

Além do logotipo F1000 4×4 nas bordas do capô, a picape tinha ainda seu nome estampado em letras garrafais em quase toda a extensão da carroceria. Ou seja, era para ser reconhecida de muito longe…

Os retrovisores eram pretos, assim como as maçanetas. A caçamba tinha três ganchos fixos para amarração de carga de cada lado, enquanto em seu interior, o compartimento levava um estepe em pé e um santantônio simples.

F1000 4x4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes

As rodas da F1000 4×4 chamavam atenção pelos enormes cubos centrais no eixo dianteiro, com rodas estilizadas de aro 15 polegadas com pneus todo-terreno 255/75 R15.

Por dentro, ela tinha um painel muito mais moderno que o da geração antiga, parecido com o de um automóvel. Bem completo, o quadro de instrumentos chamava atenção.

Dividido em quatro partes, o cluster tinha velocímetro e conta-giros nos mostradores maiores, à direita. Na esquerda, ficavam dois conjuntos com nível de combustível, temperatura da água, manômetro do óleo e voltímetro.

Com instrumentação clássica, a F1000 4×4 tinha um conjunto central com ar condicionado dotado de comandos horizontais, além de sistema de áudio com toca-fitas e código de segurança.

Dois difusores de ar serviam exclusivamente o motorista, enquanto outros eram para os dois passageiros. Com volante de dois raios, a picape da Ford mantinha a alavanca de câmbio no assoalho e bem centralizada.

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A haste, no entanto, era inclinada na direção do condutor para facilitar a troca de marchas. Porém, para a época no Brasil, havia algo inovar no painel da F1000 4×4.

Embora ainda como opcional, havia o seletor de mudança de tração de forma elétrica, através de um botão no painel. Era o primeiro sistema de tipo em uma picape nacional.

Assim, dispensando a clássica alavanca – que perduraria por muitos anos ainda em modelos como a L200, por exemplo – a F1000 4×4 mostrava um nível de modernidade muito bom.

O habitáculo tinha ainda banco do motorista ajustável e banco inteiriço para duas pessoas ao lado. A picape tinha ainda direção hidráulica.

Atualização

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Em 1996, a F1000 4×4 foi atualizada pela Ford em conformidade com a F-150 americana. Assim, a frente ficou mais arredondada e esteticamente atraente.

Os faróis, agora retangulares, se fundiam com lentes laterais, que serviam agora de lanternas, visto que os piscas passaram para a parte inferior, numa lente única.

A grade de acabamento prateado tinha molduras nas laterais internas que direcionavam o fluxo de ar direto ao radiador. Os para-choques metalizados com protetores, quase se harmonizavam com os friso pretos laterais.

As lanternas verticais continuaram lentes claras e a caçamba manteve o estepe em pé e o santantônio com proteção da vigia. Em 1998, além do motor 4.3 mais potente, a F1000 4×4 saiu de cena junto com essa geração para dar lugar a F-250.

Motor e tração 4×4

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De porte grande, a F1000 4×4 media 5,060 m de comprimento, 1,890 m de largura, 1,830 m de largura e 2,967 m de entre eixos. Ela tinha uma caçamba com 1.125 litros e enorme tanque de 110 litros.

Pesando 2.302 kg, a picape 4×4 tinha ainda capacidade para 998 kg, 2 kgf a menos que o limite mínimo de 1.000 kg, de acordo com a lei que rege parte dos veículos diesel.

Tal como a versão 4×2, ela mantinha a clássica suspensão Twin-I-Beam, assim como o eixo traseiro rígido. O conjunto dianteiro tinha molas helicoidais e amortecedores, enquanto atrás era feixe de molas semi-elípticas e amortecedores.

Com freios dianteiro a disco e traseiro a tambor, a F1000 4×4 tinha sistema de tração opcionalmente com acionamento elétrico por meio de botão, onde havia opção 4×4 e 4×4 com reduzida.

A roda livre dianteira era automática, um conforto enorme sobre sistemas 4×4 mais antigos. O 4×4 só podia ser engatado até 80 km/h, enquanto a reduzida, somente com o veículo parado.

F1000 4x4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes

Essa caixa de redução tinha relação de 2,96:1. Com 50 mm a mais de altura livre do solo, a suspensão da F1000 4×4 garantia robustez e confiança no fora de estrada.

O motor diesel era o MWM D-229-4 de 92 cavalos a 3.000 rpm e 29 kgfm a 1.600 rpm, além de câmbio manual de cinco marchas. Demorava eternos 28 segundos para chegar a 100 km/h e não passava de 123 km/h.

Entretanto, havia a opção turbo diesel, que entregava 122,4 cavalos a 2.800 rpm e 37 kgfm a 1.600 rpm, que permitia à F1000 4×4 fazer o mesmo em 17 segundos e com 144 km/h de final.

Na estrada fazia 11,5 km/l e tinha autonomia de 1.265 km com o tanque enorme.

Tudo parecia ir pelo caminho certo, até que em 1996, a Ford trocou o MWM D-229-4 pelo mais moderno Iocxhpe-Maxion HSD 2.5 turbo diesel de 115 cavalos a 4.000 rpm e 27 kgfm a 1.800 rpm.

F1000 4x4: detalhes de versões, motorização, equipamentos e detalhes

Esse propulsor não foi usado na F1000 4×4, que acabou suspensa por um tempo. Porém, em 1998, ela retorna com a chegada de seu motor diesel mais potente, o MWM Sprint 4.10T (foto acima) de 135 cavalos a 2.500 rpm e 42 kgfm a 1.600 rpm.

Apesar de ser bem forte, ele só levava a picape de 0 a 100 km/h em 20 segundos e com final de 144 km/h. De qualquer forma, seu tanque de 110 litros proporcionava autonomia teórica de 1.320 km.

Isso permita ao modelo ir de Rondonópolis-MT até São Paulo sem reabastecer, um feito digno de caminhão extrapesado com bitrem de soja no mesmo percurso!

O peso dessa F1000 4×4 4.3 era de enormes 2.410 kg e com capacidade de carga de 1.040 kg. Isso apenas com cabine simples.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.