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FCA quer prever o futuro após Covid-19 com ajuda de antropólogos

FCA quer prever o futuro após Covid-19 com ajuda de antropólogos

A pandemia de coronavírus já pode ser considerada como um ponto de virada na sociedade moderna. Prever o que acontecerá com o consumidor nos próximos meses, deixou de ser algo que as empresas e, talvez, governos consigam visualizar com as ferramentas de antes.


A FCA, por exemplo, teve que recorrer a antropólogos para tentar entender como as pessoas se comportarão após a pandemia da Covid-19. Por ora, sem buscar a ajuda de especialistas no comportamento humano, fica difícil saber como o mercado vai funcionar depois de uma crise tão grave quanto essa, que paralisou o mundo quase por completo.

Para a montadora ítalo-americana, a ideia é tentar visualizar como serão as necessidades das pessoas e se os produtos atuais corresponderão. Já se imagina que haverá mudanças comportamentais que afetarão os produtos atuais, mas ainda não se sabe em que nível isso ocorrerá.

“Seguramente vamos encontrar um novo consumidor depois desse processo”, diz Antonio Filosa, presidente da FCA para a América do Sul. No momento, o futuro ainda parece bem incerto, já que não se sabe nem ao menos se a vida das pessoas voltará totalmente ao normal após o fim da quarentena.

Sem uma vacina, as medidas de proteção pessoal devem impactar a vida de milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Prever como isso vai acontecer é bem difícil no momento. Sobre o mercado automotivo, a única referência que podemos ter é a China, após o fim declarado da pandemia em Wuhan.

Os consumidores mudaram. Passaram a considerar mais a compra online e outras medidas que evitem maior contato social, como test drive e entrega de veículos em casa.

No entanto, a maior alteração foi a busca de carros considerados mais seguros em todos os níveis, em especial na qualidade do ar ambiente, como sistemas de filtragem que garantam proteção contra vírus.

Também houve um aumento do número de pessoas interessadas em ter seu primeiro automóvel como forma de evitar o transporte de massa, com alto grau de risco de contaminação.

Agora, se imagina que muitos consumidores atrasarão a compra do carro devido à perda do emprego, redução dos ganhos ou falta de confiança no futuro. Outros, porém, devem buscar rapidamente ter um automóvel como forma de maior proteção contra infecção no transporte público.

Podemos até vislumbrar um aumento na venda de elementos filtrantes para ar condicionado de automóveis (muitos carros não possuem), assim como de serviços de higienização e até purificadores de ar portáteis. Contudo, o que se sabe ao certo que é haverá um “novo normal”, como disse Filosa.

Mudança de hábito

FCA quer prever o futuro após Covid-19 com ajuda de antropólogos

O executivo italiano contou uma história pessoal para exemplificar o que pode ocorrer: “É um exemplo banal e bobo, mas minha avó dizia que, antes da guerra, o consumo de massas entre os italianos já era alto, mas não tanto como hoje.”

“Durante o choque da guerra, as famílias que ficaram em casa não tinham como conservar produtos como a carne pois tudo foi cortado, como energia e recursos. Havia muitas restrições, mas era preciso alimentar os filhos. O que era mais fácil de fazer e guardar era a massa. Mas aí começaram a criar diferentes tipos de massa, a usar diferentes condimentos e molhos. Assim, nossa tradicional cozinha de massa ficou super criativa.”

“Quando a guerra acabou e o país começou a voltar à sua normalidade, havia milhares de receitas. Ou seja, a normalidade voltou, mas com mudanças. Alguma coisa ficou do período anterior, mas os comportamentos são outros.”

“É isso que vamos estudar para entender como pequenas mudanças que pensamos para nossos produtos podem ser determinantes nu mercado que virá depois. Existem coisas que entrarão em nossos produtos que serão diferentes de antes por causa do que passamos”.

[Fonte: Estadão]

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • th!nk.t4nk

    A meu ver as maiores mudanças serão na Ásia. No ocidente o povo é mais “cabeça-dura” e vai fazer o possível pra voltar com a vida normal de antes (vejo isso já no dia-a-dia onde vivo, pois já abriram o comércio e nem sequer máscara as pessoas querem usar, só falam em “liberdade!”). O que deve mudar pra valer é a relação com os fornecedores asiáticos. Irão tentar minimizar a dependência, finalmente.

  • Rodrigo Ultramari

    profissionais errados, deveriam usar “astrólogos”, hahahahaha

    • O astrólogo védico Lucas Umbelino tem acertado na mosca as previsões dele. Olha o canal dele. Acertou que o Bolsonaro seria eleito muito antes que ele aparecesse nas pesquisas, acertou o atentado contra ele e previu que ele vai terminar o mandato. O cara é fera.

      • Sino Weibo

        Mas ele vai terminar o mandato?

  • G. de F.

    Abordagem bem interessante essa da FCA… Ao final, fica o questionamento: se os antropólogos concluírem que a abordagem da montadora deveria ser modificada em alguma questão, de quem será a palavra final? Marketing, financeiros, pós-venda…

    • Dan RF

      Provavelmente o financeiro, como sempre ocorre em todas as montadoras.

  • Marcelo

    Espero que depois da crise as pessoas revejam seus valores. Que pensem duas vezes, ou mais, antes de comprar um carro novo aqui no Brasil, ação que envolve grandes somas de dinheiro para comprar e manter, considerando o poder aquisitivo da população.

    • Murilo Soares de O. Filho

      Eu gosto de tudo que há motor, principalmente carros, mas confesso que não tenho vontade de trocar de carro, principalmente pelos preços e custos do mesmo.

  • Um palpite: as pessoas vão experimentar menos, e voltar-se ao que é mais seguro.

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