
A linha do capô ficou tão baixa e lisa no Ferrari Luce que o carro simplesmente não ganhou um lugar para esconder os limpadores de para-brisa.
Resultado: quando não estão em uso, as palhetas ficam em pé, apoiadas junto aos pilares A, como se fossem um elemento decorativo e não uma peça funcional.
A solução chama atenção porque contraria o padrão de carros modernos, que normalmente escondem os limpadores na base do vidro para preservar a limpeza visual e a aerodinâmica.
No Luce, essa “falta de espaço” nasce de um painel frontal com aparência contínua, com uma grande faixa preta brilhante que se estende da borda inferior do para-brisa até o topo da carroceria.
Como não existe uma calha, um recuo ou uma “goteira” para acomodar as lâminas, a Ferrari teria ficado sem alternativa prática além de deixá-las expostas.
Em funcionamento, os limpadores varrem em sentidos opostos, aproximando-se e depois se afastando, o que reforça a sensação de que o mecanismo está sempre em evidência.
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Isso torna as palhetas um dos elementos mais marcantes da frente do sedã, mesmo em um carro que tenta vender uma forma externa suave, arredondada e “polida”.
A contradição fica mais forte quando se lembra que o objetivo declarado é um coeficiente de arrasto ultrabaixo, já que nada exposto no fluxo de ar costuma ser neutro.
Ainda assim, a escolha combina com a abordagem “sem pudor” do projeto, que já é descrito como estranho e controverso em vários pontos do desenho.
O Luce é um sedã elétrico de 1.049 cv e foi estilizado pela LoveFrom, estúdio contratado pela Ferrari e formado por designers que ganharam fama em eletrônicos e móveis, não em carros.

Entre os nomes citados na discussão do projeto está Jony Ive, conhecido por seu trabalho na Apple e por assumir soluções técnicas visíveis em vez de tentar escondê-las.
No iPhone, esse espírito apareceu no “notch”, e no Luce a lógica se repete: o que seria um compromisso de engenharia vira uma assinatura escancarada.
O restante do carro reforça o estranhamento, com proporções estreitas e altas para um Ferrari, uma abertura frontal que lembra uma fenda e uma cabine dominada por uma tela enorme.
Com tantas escolhas fora do padrão, a questão passa a ser menos “por que é assim” e mais “quem vai comprar essa ideia”, sobretudo com a expectativa de pelo menos US$ 640,000 (R$ 3.520.000).
No fim, o limpador em pé não é só um detalhe curioso, mas a prova mais direta de que o Luce foi desenhado sem concessões — nem mesmo para algo tão básico quanto guardar as palhetas.
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