Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

A Fiat Fiorino 2013 foi o último ano/modelo do furgão leve da marca italiana, que vinha numa trajetória que se iniciou nos anos 80, mantendo a praticidade e a versatilidade para uso urbano, sendo uma ferramenta de trabalho indispensável.


Sucessora espiritual da Volkswagen Kombi, que nessa época também estava se despedindo, a Fiorino estava para ser substituída pela nova geração, baseado no Fiat Uno de segunda geração. O veículo era bem básico e exclusivo para serviço.

Muito usado por locadoras e frotistas, a Fiorino 2013 tinha um visual arcaico, remetendo aos anos 80 e uma estrutura compacta, além de leve. Fruto de um projeto revolucionário, o furgão contava somente com um limpador de para-brisa.

Também vinha com retrovisores grandes e distantes da carroceria, devido ao baú de carga que era bem volumoso, tendo em seu interior 3.200 litros. Com capacidade para 620 kg de carga, a Fiat Fiorino dispunha de duas portas de acesso atrás.

Além disso, sua cabine, embora para duas pessoas, era espaçosa e separada do baú por uma grade. Simples ao extremo, não tinha rádio ou vidros elétricos, nem mesmo travas elétricas ou retrovisores com ajustes automáticos.

Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

Ainda assim, tinha um econômetro no painel, com direito a velocímetro de fundo branco. Como opcional, ar-condicionado e direção hidráulica, “luxos” que o velho Uno também teve. Com boa habitabilidade, a Fiorino era prática no uso.

Tinha porta-documentos no teto elevado da cabine, assim como baú com reforço no assoalho e nas laterais, mas não dispunha de porta lateral, algo que surgiu nos anos 90 e não deu certo. Assim, o acesso era apenas por trás do veículo.

Ferramenta de trabalho, o Fiorino 2013 era fácil de estacionar, mesmo com a direção mecânica, visto que seus pneus eram 165/70 R13 e as rodas de aço, enquanto a estrutura toda – vazia – pesava 1.000 kg.

O câmbio manual de cinco marchas era justo e macio, com engates de alguma precisão, que permitiam trabalho diário sem tanto esforço. A embreagem também era leve e ajudava no dia a dia de serviço.

Já o motor era o Fire 1.3 – na verdade, era 1.2 litros – com cabeçote de 8 válvulas e um bom torque em baixa, obtidos a apenas 2.500 rpm. Confiável e econômico, o propulsor tinha até 71 cavalos no etanol e era suficiente para a proposta dela.

Leia também sobre a Fiorino 2014.

Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

Esse conjunto mecânico robusto e de fácil manutenção, tinha ainda a companhia de uma suspensão McPherson reforçada, assim como eixo traseiro rígido com feixe de molas semielípticas com uma única lâmina, capaz de suportar o trabalho.

Isso não garantia uma boa dirigibilidade em certos aspectos, ainda mais com a bitola traseira maior, mas a função da Fiorino 2013 era trabalhar e não ser um carro de conforto, embora devesse o mínimo para seus ocupantes em serviço.

O furgão era tão prático que ainda recebia implementos, como porta-escadas sobre o baú, o que aumentava sua altura, que originalmente era de 1,87 m. Com 4,18 m de comprimento e 1,62 m de largura, a Fiorino cabia em quase qualquer lugar.

Além de entregas urbanas de encomendas das mais variadas, a Fiorino 2013 ainda era usada em serviços, como de telefonia, energia elétrica ou saneamento básico, além de internet, hidráulica, elétrica geral e outras atividades do gênero.

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Em 2013, seu último ano, não recebeu nenhuma atualização e saiu de linha no final de dezembro, dando lugar à nova geração no ano seguinte, que era mais moderna e trazia o motor Fire 1.4 de até 88 cavalos, mas não o volume interno.

Com isso, a Fiorino clássica saiu de linha, mas isso só ocorreu porque a lei de airbag duplo e freios ABS entrou em vigor a partir de 1 de janeiro de 2014. Por conta disso, saíram de cena o antigo Uno Furgão e também o Uno Mille.

No mercado de usados é um carro valorizado por sua praticidade no uso, mas poucas ofertas apresentam carros em boas condições de utilização, dado o emprego intenso dos proprietários. É um bom carro para iniciar um negócio.

Fiorino 2013 – detalhes

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A Fiorino 2013 tem frente quadrada com faróis de lente simples com repetidores de direção e lanternas integradas, além de grade preta com frisos horizontais, além de logotipo da Fiat.

O para-choque tinha cor preta e grade central, além de gancho para reboque sob o protetor. Nas laterais, as rodas eram de aço sem calotas com aro 13 polegadas e pneus 165/70 R13. Os retrovisores eram pretos e sem controle interno.

Além disso, as maçanetas também eram pretas e destacadas. No para-brisa, um limpador único, enquanto borrachas pretas iam nas calhas da cabine e baú. Vincos pronunciados também eram vistos nas laterais do veículo.

Nas rodas, iam ainda cones pretos protetores dos cubos de roda. Já na traseira, havia porta dupla com vidros claros, tendo fechadura e abertura em até 90 graus, além de maçaneta preta na porta do lado direito.

A porta esquerda portava a placa e o logotipo da Fiat. O para-choque preto era integrado às portas na parte interna, tendo abaixo dois ganchos para reboque. Já as lanternas eram verticais e simples, dispostas nas extremidades.

Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

Por dentro, a Fiorino 2013 tinha um visual extremamente simples. O painel, derivado do Uno Mille, vinha com formato retilíneo com espaços para objetos sobre o conjunto, bem como cinzeiro com fonte 12V embutido na parte superior.

Além disso, havia ainda poucos comandos, difusores de ar retangulares e comandos de ar-condicionado ou ventilador físico. Outro ponto é que a Fiorino tem espaço para rádio 1din e este era adquirido como acessório.

No cluster, o furgão tinha velocímetro com fundo branco, além de econômetro, nível de combustível e temperatura da água. A coluna de direção não contava com assistência, exceto com a opção hidráulica e não havia ajuste em altura.

Também o ar-condicionado era opcional. Já o volante era espumado e mais confortável para uso no dia a dia, porém, não tinha nenhum comando adicional, além da buzina. As hastes eram dos faróis/piscas e limpador/lavador do para-brisa.

Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

Os bancos eram em tecido simples com encostos reclináveis e apoios de cabeça, não tendo ajuste de altura para o motorista. Já os cintos de segurança eram de três pontos, mas sem ajuste em altura, porém, retráteis.

Nas portas, havia tecido simples e pinos das travas manuais, além de manivelas para abertura dos vidros. Elas tinham pequenas bolsas de tecido, mas a Fiorino 2013 dispunha mesmo é de uma base no teto para documentos e mapas.

Havia igualmente luz interna e para-sois, mas sem retrovisor interno. Junto à alavanca de câmbio, havia um porta-objetos também. Atrás dos bancos, ficava uma divisória com grade de aço em cor preta. Abaixo, o ferramental para o estepe.

Este incluía chave de rodas, macaco mecânico e triângulo de segurança. O espaço atrás dos bancos podia acomodar bolsas de serviço, mochilas e pequenas caixas de ferramentas.  No baú, havia assoalho com revestimento removível em preto.

Nas laterais inferior, revestimentos pretos de papelão reforçado protegia a carga de arestas da própria carroceria, que não tinha acabamento. Havia uma luz no teto com acionamento manual na própria lâmpada.

A suspensão dianteira era McPherson com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores telescópicos. Na traseira, a Fiorino 2013 empregava um eixo rígido com barra estabilizadora, feixe de molas semielípticas e amortecedores.

O furgão comporta um tanque de 61 litros sob a carroceria do baú e no cofre do motor, havia ainda reservatório para gasolina da partida a frio do sistema flex, do sistema de refrigeração do motor, do fluido de freio e do lavador do para-brisa.

O estepe ficava dentro do cofre do motor, sendo ele 145/80 R13 e preso por uma trava giratória. Com direção hidráulica e ar-condicionado, havia bicos para complemento do fluido hidráulico e gás de refrigeração, respectivamente.

A transmissão manual era acionada por varão, direto do trambulador sob o piso da cabine. Ela e o motor eram apoiados por três coxins. Diferente do Uno Mille, a Fiorino 2013 tinha sistema de freios reforçados.

Fiorino 2013 – versões

  • Fiat Fiorino 1.3 flex manual

Equipamentos

Fiorino 2013: motor, manutenção, consumo, ficha técnica, espaço

Fiat Fiorino 1.3 flex manual – Motor 1.3 e transmissão manual de cinco marchas, mais para-choques pretos, maçanetas e retrovisores pretos, grade com acabamento preto, limpador único de para-brisa, vidros claros, janelas com acionamento manual, travas manuais, rodas de aço sem calotas aro 13 polegadas, pneus 165/70 R13, porta traseira dupla, luz interna do baú, divisória de aço entre cabine e baú, portas com acabamento em tecido, bancos em tecido, econômetro, luz interna da cabine, para-sois, fonte 12V, volante espumado, ventilador com 3 velocidades, porta-luvas, porta-documentos superior, apoio de cabeça nos bancos, cintos de segurança de três pontos, estepe no cofre, porta-objetos entre os bancos, limpador com 2 velocidades, embreagem de acionamento mecânico, cinzeiro, extintor, forração removível do assoalho do baú, proteção nas laterais inferiores do baú, maçaneta traseira preta, ganchos dianteiros e traseiros, chave com transponder, entre outros.

Opcionais: ar-condicionado e direção hidráulica.

Preços

  • Fiat Fiorino 1.3 flex  manual – R$ 31.755

Fiorino 2013- motor

O motor da Fiorino 2013 era o conhecido Fire, que era a sigla para Fully Integrated Robotized Engine, que foi lançado na Itália em 1985, mas que só chegou ao mercado brasileiro em 1999. O propulsor pertence a uma família ainda em vigor.

Esse propulsor do furgão era em realidade 1.2, como vendido na Europa, mas especificamente na Itália, porém, a Fiat achou comercialmente melhor chamá-lo de 1.3. Com 1.242 cm³, ele era uma versão simplificada do 1.25 16V.

Este último foi produzido no Brasil e equipou alguns modelos da Fiat no início dos anos 2000, mas foi descontinuado após a “crise das 16V”, quando o mercado rejeitou motores de quatro válvulas por cilindro e duplo comando.

Assim, o 1.3 8V ganhou força para equipar Uno Furgão e Fiorino, jamais sendo usado pelo Uno Mille e nem qualquer versão vendida no Brasil. Tendo bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio, tinha correia dentada no acionamento.

A injeção eletrônica multiponto e o sistema flex com tanquinho de gasolina para partida a frio, completavam o equipamento da furgoneta de origem italiana. Na família Fire, houve versões 0.8, 0.9, 1.0, 1.1, 1.2 e 1.4 litro.

Este último é usado ainda hoje nos carros da marca no Brasil, assim como o 1.0, mas ambos serão retirados em breve, por conta dos Firefly 1.0 e 1.3, que assumirão seu curso, modernizando a linha de produção em Betim.

O pequeno quatro cilindros entregava 70 cavalos na gasolina e 71 cavalos no etanol, ambos a 5.500 rpm. Graças ao cabeçote de 8V, seu torque aparecia em 2.500 rpm com 11,4 kgfm no primeiro e 11,6 kgfm no segundo.

Já o câmbio era de cinco marchas com engates macios e com alguma precisão, sendo um componente robusto e confiável, sendo bem conhecido no mercado de autopeças e reposição. A embreagem era de acionamento mecânico por cabo de aço.

Desempenho

  • Fiat Fiorino 1.3 flex manual – 0 a 100 km/h – 14 segundos
  • Fiat Fiorino 1.3 flex manual – Velocidade máxima – 145 km/h

Consumo

  • Fiat Fiorino 1.3 flex manual – Cidade – 7,2/10,6 km/l
  • Fiat Fiorino 1.3 flex manual – Estrada – 8,1/11,8 km/l

Fiorino 2013 – manutenção e revisão

A rede Fiat tem planos de manutenção e revisão para a Fiorino 2013, que consiste em paradas a cada 10.000 km ou 12 meses, mas com uso severo, o veículo pode ter essas revisões cortadas pela metade, com 5.000 km ou seis meses.

Como se trata de um veículo comercial, a manutenção precisa ser feita com regularidade e consiste em troca de óleo, filtro de óleo, bujão do cárter, filtro de ar, filtro de combustível, fluido de freio, correia em V, correia dentada e velas.

Além disso, líquido de refrigeração e fluido da direção hidráulica, se houver, também estão incluídos. Palheta do limpador do para-brisa, pastilhas de freio, lonas de freio, discos de freio, amortecedores, molas, feixes de molas e outras também.

Também podem ser substituídos pneus, pivôs de direção, buchas da barra estabilizadoras, buchas de bandeja, coxins de motor e câmbio, batentes das torres, coifas, homocinéticas, buchas da barra estabilizadora traseira, entre outros.

Na rede Fiat, há também serviços como funilaria, pintura, lavagem, limpeza interna, alinhamento, balanceamento, cambagem, recall, instalação de acessórios e implementos de serviços, entre outros.

Fiorino 2013 – ficha técnica

Motor1.3
Tipo
Número de cilindros4 em linha
Cilindrada em cm31242
Válvulas8
Taxa de compressão11:1
Injeção eletrônicaIndireta
Potência máxima70/71 cv a 5.500 rpm (gasolina/etanol)
Torque máximo11,4/11,6 kgfm a 2.500 rpm (gasolina/etanol)
Transmissão
TipoManual de 5 marchas
Tração
TipoDianteira
Direção
TipoMecânica
Freios
TipoDiscos dianteiros e tambores traseiros
Suspensão
DianteiraMcPherson
TraseiraEixo rígido
Rodas e Pneus
RodasAço aro 13 polegadas
Pneus165/70 R13
Dimensões
Comprimento (mm)4.183
Largura (mm)1.622
Altura (mm)1.873
Entre eixos (mm)2.576
Capacidades
Baú (L)3.200
Tanque de combustível (L)61
Carga (Kg)620
Peso em ordem de marcha (Kg)1.000
Coeficiente aerodinâmico (cx)0,35

Fiorino 2013 – fotos

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.