Ford chama chineses de “ameaça”, mas pode estar vendendo uma linha inteira na Europa para a Geely e o discurso começa a soar estranho

jim farley ceo ford 2
jim farley ceo ford 2

Quando um CEO passa meses alertando sobre o avanço chinês, a última coisa que o mercado espera é ver a própria empresa abrindo espaço industrial para um grupo da China.

É exatamente essa a pulga atrás da orelha levantada pelo jornal espanhol La Tri buna de Automoción, que afirma que a Geely fechou um acordo para comprar uma linha de montagem na fábrica da Ford em Valência, na Espanha.

A ideia, segundo a publicação, seria usar a instalação para produzir um veículo “multi-energia” apoiado na Global Intelligent New Energy Architecture, base de modelos como Galaxy A7 e E5.

O contraste ganha peso porque Jim Farley, CEO da Ford, tem repetido publicamente que as montadoras chinesas representam uma ameaça, inclusive no campo tecnológico.

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Sobre o carro específico, quase tudo ainda é nebuloso, mas a reportagem diz que a variante da Geely é identificada internamente pelo codinome 135.

A promessa é de um pacote com versões híbrida, híbrida plug-in e também 100% elétrica, ampliando a flexibilidade do projeto para diferentes mercados europeus.

O rumor mais citado é que o candidato seja o EX2, descrito como um crossover elétrico compacto com 162,8 polegadas (4135 mm) de comprimento e 71,1 polegadas (1805 mm) de largura.

A altura seria de 61,8 polegadas (1570 mm), com entre-eixos de 104,3 polegadas (2650 mm), medidas próximas às de modelos urbanos voltados a volume.

No conjunto elétrico, o EX2 é associado a baterias de 30,1 e 40,1 kWh, que entregariam autonomia CLTC de 193 milhas (310 km) e 255 milhas (410 km).

O motor traseiro apareceria em duas calibrações, com 79 cv e 116 cv, números que indicam um posicionamento mais racional do que esportivo.

Mesmo assim, ainda não está claro se esse EX2 é o escolhido para Valência, e a própria reportagem admite que o modelo final pode ser outro dentro da mesma arquitetura.

O que adiciona uma camada extra é a possibilidade de a Ford também se beneficiar, recebendo um veículo derivado da plataforma para uso próprio.

Nesse cenário, o resultado poderia virar até um sucessor interessante para o Puma, já que os dois estariam na mesma faixa de porte.

Oficialmente, a Ford tratou o assunto com cautela e disse ao jornal que conversa constantemente com muitas empresas, mas que “nada está finalizado”.

Do lado chinês, um porta-voz da Geely Europe afirmou à Automobilwoche que “não comenta especulação”, embora a publicação diga que insiders do setor veem o acordo como amplamente concluído.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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