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Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Nascido de um projeto em conjunto com a Willys-Overland, o Ford Corcel 1 fez muito sucesso.

Ele era um projeto que estava destinado para ser o substituto do Renault Dauphine no Brasil, mas que depois que a Willys-Overland foi comprada pela Ford no país em 1967, ela relançou o projeto como Ford Corcel em 1968, cerca de dois anos antes do modelo ser apresentado realmente na Europa.


(Leia também sobre o Corcel 2)

Ford Corcel 1 – 1968 a 1972

O visual original do Ford Corcel 1 foi apresentado em 1968 durante o Salão do Automóvel de São Paulo, na carroceria sedan de quatro portas.


Um ano depois era oferecido o modelo na carroceria cupê com três portas – que acabou por ser a versão mais vendida e mais encontrada do modelo – e em 1970 foi apresentado a versão perua da linha Corcel 1, a Belina na configuração de três portas.

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O motor oferecido nesses modelos era o 1.3 litro arrefecido a água de 68 cavalos e torque de 9,8 kgfm a 3400 rpm.

O câmbio era sempre o manual de 4 velocidades para toda a linha.

Com essa linha a Ford estabeleceu um novo patamar para carros compactos, pois o Corcel 1 era silencioso, confortável e extremamente econômico. O Corcel 1 conseguia alcançar a velocidade máxima de 130 km/h e fazer o 0a100 em 23,6 segundos.

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Mas como nem tudo são flores, a linha Corcel 1 teve alguns problemas sérios de qualidade de construção o que resultou no primeiro e maior recall do país.

Cerca de 65 mil unidades – sedan de quatro portas, cupê e perua – foram chamados para fazer reparos gratuitos e assim a confiança na marca foi reforçada novamente.

Para organizar melhor a casa, a Ford contratou um novo presidente em 1970, Joseph W. O’Neill que além de colocar em prática o primeiro recall que se tem notícia no país, reestruturou a Ford e aumentou os níveis de qualidades para todos os produtos à venda no Brasil.

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Corcel 1 GT

Para 1971 a Ford disponibiliza novas versões para a linha Corcel 1 e ainda um novo membro para a linha, o Corcel 1 GT.

Com cerca de 80 cavalos de potência o Corcel 1 GT, tinha todos os predicativos de um carro esportivo, teto de vinil, rodas com desenho esportivo e faixas pretas no capô e nas laterais.

A velocidade máxima alcançada pelo Corcel 1 GT era de 138 km/h. No interior da linha Corcel 1, bons materiais eram encontrados nos revestimentos das portas e no painel como um todo.

O conforto era palavra de ordem na linha e mesmo na versão cupê, era possível levar quatro ou até cinco passageiros sem passar por nenhum aperto.

Um detalhe interessante da primeira leva da linha Corcel 1 era a versão de luxo da perua Belina – Luxo Especial – que traziam apliques nas laterais que imitavam painéis de madeira, assim como eram os modelos norte-americanos.

Por lá esse tipo de aplique tinha como objetivo lembrar da época que a estrutura da parte traseira da carroceria das peruas era de madeira e uma grande adaptação feita sobre os chassis dos sedans.

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Com relação a sua maior concorrente (a Volkswagen Variant), a Ford Belina, se valia do maior espaço para as bagagens e também pela tampa do porta malas ser mais baixa e facilitar o acesso de malas e objetos maiores e mais pesados para dentro do veículo.

Ford Corcel 1 ganha um facelift em 1973

A primeira atualização de estilo na linha Corcel 1 foi introduzida em 1973, com um design mais agressivo que a primeira leva do modelo apresentada em 1968.

Um dos maiores destaques desse primeiro facelift era a troca de motorização da linha Corcel 1, sai de cena o motor 1.3 litro e entra no lugar um novo motor 1.4 litro com cerca de 75 cavalos na versão normal e com 85 cavalos na versão mais potente a GT.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Já na segunda atualização de estilo, a Ford mexeu um pouco mais no desenho frontal, traseiro e interno da linha Corcel 1.

Os faróis ficaram maiores e mantinham a forma mais quadrada, já a grade dianteira ficava ligeiramente mais estreita e não invadia os faróis.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Na traseira a maior mudança era a troca das lanternas que deixam de ser duplas e quadradas e passam a ser retilíneas e únicas.

No caso do Ford Corcel 1 GT, agora ele recebia duas faixas pretas sob o capô, que reforçava ainda mais a esportividade do modelo.

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A primeira geração do Ford Corcel 1 foi sem dúvidas uma das mais bem-sucedidas da história da marca no país, com mais de 650 mil unidades vendidas em todas as carrocerias disponíveis.

Curiosidades da linha Corcel 1

Corcel conversível

Que a primeira geração do Ford Corcel foi um tremendo sucesso, isso todos sabemos, mas o que talvez poucas pessoas saibam é que o modelo teve alguns esboços de como seria uma versão conversível – uma espécie de Escort XR3 do final dos anos 1960.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

O esboço foi feito pelo então designer da Ford Paulo Roberto, que conferiu ao modelo linhas esportivas.

Segundo as imagens, o modelo teria teto retrátil de vinil e faróis duplos redondos.

Na traseira, as lanternas seriam menores e retangulares e o logo Ford seria apenas escrito com letras garrafais e espaçadas.

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A versão em si nunca saiu de fato da fábrica da Ford, mas algumas pequenas empresas de modificação, como a Sonnervig que também trabalha como revendedora dos modelos Ford, pôs em prática os esboços e construiu algumas unidades, se baseando na versão cupê do modelo de 1968.

Corcel Bino

Não, não é uma cilada, Bino.

Além da versão GT, o Ford Corcel 1 teve outra variante esportiva chamada Corcel Bino.

O modelo foi criado para homenagear Christian “Bino” Heins, famoso piloto brasileiro que morreu nas 24 Horas de Le Mans em 1963.

Apresentado em 1969 o Corcel Bino vinha com um kit de preparação com um novo comando de válvulas, um novo cabeçote, novas taxas de compressão para o motor e um escapamento Kadron de maior vazão.

A litragem passa de 1.3 para 1.4 e a potência também subia, saem de cena os 68 cavalos da versão mais pacata do cupê e entra em cena 90 cavalos, que reforçavam a ideia do modelo esportivo.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Hit do verão

Além de homenagear um famoso piloto, o Ford Corcel 1 também foi tema de música do cantor e compositor de Bossa Nova Marcos Valle, que em 1969 lançou um disco intitulado “Mustang Cor de Sangue”.

No qual a letra dizia que: “A questão social, industrial, não permite e não quer que eu ande a pé, na vitrine um Mustang cor de sangue” – ou em outras palavras, o compositor muito queria um belo Mustang Vermelho, mas sua condição financeira apenas poderia bancar outro possante com nome de cavalo – um Corcel cor de mel!

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Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Corcel, o pai do Renault Kwid

Se você achou engraçado o título acima, saiba que antes de ser um Ford o Corcel 1 ou projeto M, foi um sucessor do Renault 12.

Mas além disso o Ford Corcel 1 tinha também outro tipo de parentesco com o Renault Kwid, suas rodas com apenas três furos. Eram mais baratas para fabricar e tinham a mesma resistência que os quatro furos convencionais.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Mamãe quero ser Mustang

Assim como a Volkswagen tem tradição em batizar alguns de seus modelos com nomes de esporte como Golf, Gol e entre outros a Ford já se apegava mais a nomes campestres.

Sua maior fonte de inspiração eram os cavalos, vide o Mustang que fez e ainda continua fazendo um enorme sucesso, e tendo essa premissa em mãos a Ford brasileira queria que o nome de seu novo modelo tivesse a mesma linhagem equina, então dentre 400 nomes sugeridos, o nome Corcel foi o vencedor.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70

Ficha Técnica

Ford Corcel 1 GT 1974

Motor: Dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 2 válvulas por cilindro, gasolina, 1.372cm³, potência máxima (bruta) de 85cv a 5.400rpm e torque máximo (bruto) de 11,6 kgfm a 3.600rpm
Transmissão: Câmbio manual de quatro velocidades, tração dianteira
Direção: Pinhão e cremalheira, mecânica
Freios: Disco na dianteira e tambor na traseira
Pneus: 165 R13
Carroceria: Cupê, duas portas, cinco ocupantes
Dimensões (metros): Comprimento 4,39; largura 1,64; altura 1,42; entre eixos 2,44
Peso: 960 quilos
Capacidades (litros): tanque de combustível: 51 litros

Ford Corcel 1 1968

Motor: dianteiro, 4 cilindros em linha, 1 289 cm3. Diâmetro e curso: 73 x 77 mm. Taxa de compressão: 7,8:1. Potência: 68 cavalos a 5 200 rpm. Torque: 9,8 kgfm a 3 400 rpm.
Câmbio: manual de 4 marchas.
Suspensão: dianteira – independente; traseira – eixo rígido.
Dimensões: comprimento – 439 cm; largura – 160 cm; altura – 146 cm; entre eixos – 244 cm; peso – 929 kg.
Pneus: 165 x 13.

Ford Corcel 1 1975

Carroceria: Cupê, duas portas.
Porte: Médio.
Motor: Cléon-Fonte 1.4 litros com 4 cilindros em linha.
Tuchos: mecânicos.
Tração: dianteira.
Combustível: Gasolina.
Câmbio: manual de 4 velocidades.
Freios: A tambor nas quatro rodas.
Peso: 944 KG.
Potência: 75 cavalos.
De 0 a 100: – 17,9 Segundos.
Velocidade máxima: 135 KM/h.
Consumo Cidade: 10,2 KM/L Estrada: 13,6 KM/L.
Porta malas: 380 Litros.
Tanque de combustível: 57 Litros.

Corcel 1: conheça os detalhes do modelo de sucesso nos anos 70
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Kleber Silva

  • Vinicius

    Meu pai tem um 76/76 branco. É um carro que atualmente ele usa pra trabalho, já que puxa uma carretinha. Está aí, firme e forte mesmo depois de 40 anos. Aprendi a dirigir nele ainda adolescente e mesmo estando “judiado” esteticamente, a mecânica é boa. Não temos planos de desfazer do carro, temos outro mais novo, mas temos o sonho de um dia reformá-lo e deixar como relíquia.

  • millemiglia

    Só uma correção: o Corcel não foi o “sucessor” do Renault 12 pois este e o Corcel compartilham o mesmo projeto. Ele seria, como dito no início da reportagem, o sucessor do Renault Dauphine/Gordini no Brasil.

    • Celio 14

      Ele seria o sucessor do Renault Dauphine/Gordini no Brasil e do Renault 10 na Europa.
      Basicamente o Ford Corcel e o Renault 12 eram o mesmo carro. Apenas pequenas mudanças mecânica e de estilo.

      • Mr. On The Road 77

        Na Europa, o R12 foi sucessor do R8. O R10 era apenas uma versão ‘sofisticada’ do R8.

        • Paulo Lustosa

          R10 tinha entre-eixos maior e vinha com o motor 1289 que veio no Corcel

  • CharlesAle

    Um carro extremamente resistente..Pois ainda há muitos rodando por ai!!

    • Luis Burro

      Antigamente os carros eram mais simples e com mais metal na carroceria.Ruim msmo só as técnicas de tratamento de preservação da carroceria q hj é bem melhor!

      • Celio 14

        O Ford Corcel praticamente não tinha problemas com ferrugem. Críticos mesmo, eram os carros da Volkswagen, principalmente o Passat.

        • Marcos Souza

          O assoalho dos fuscas e brasilia que o digam! Fácil de encontrar assoalho furado de ferrugem

          • Marco

            Verdade! Tive uma Brasília, meu primeiro carro, que tive que trocar o assoalho. E não adiantava proteger com bate-pedra (emborrachamento) que mesmo assim a ferrugem voltava. Acho que o material não era de boa qualidade. O assoalho depois de trocado, nunca mais durava como o original.

            • JOSE DO EGITO

              E pensar que ate nos dias de hohe a VW nao tem materiais de boa qualidade

        • Incitatus

          VW e GM eram podres. Tem um amigo do meu pai que ficou rico vendendo assoalhos de variants, brasílias, fuscas, chevettes e opalas. Sempre ria das suas histórias das variants e brasílias tinham uma caixa de ar de ventilação que apodrecia e quando chovia lavava os pés do motorista. E dos chevettes que o assoalho desmanchava e os trilhos dos bancos encostavam nas lombadas fazendo o banco levantar.

      • Mr. On The Road 77

        Renault sempre foi carro robusto e resistente.

    • Ricardo Blume

      Todos os carros desta época eram resistentes. Vide Fuscas, Brasílias, Chevettes, Kombis…

  • Luis Burro

    Interessante nesta história dos nomes de cavalos q tbm teve o Pinto,q era uma outra raça do eqüino.

  • Osni Duarte

    Meu pai teve uma Belina 1975 branca com rádio toca fitas Philco-Ford. Isso que era requinte!

    • Celio 14

      Essa inclinação é verdadeira, embora não comprometesse com a estabilidade que era muito boa para a época.

    • Paulo Lustosa

      É que na época não tinha estabilizador, mas com o estabilizador dos Del Rey 1.8 ela passa a apavorar em curva

  • Ricardo

    Visualmente legalzinho, mas não dá para dizer que era um carro bom, aliás, era uma M!

    • Celio 14

      Provavelmente você não é daquela época, pois o Ford Corcel era sim, um excelente carro. É claro que não podemos compará-lo com os carros atuais, ai seria muita judiação, hehehe…

  • Phantasma

    Me lembro de uma música do Panico: “…Com a cara do seu ouvido, encerei o meu Corcel…”

    • leandro

      Ou do Raul Seixas que deveria estar contente pq conseguiu comprar um corcel 73

  • Cesar

    Esse era Francês, tinha 3 parafusos e ninguém ficava de mimimi.

  • Marcos Souza

    Meu pai sempre fala do corcel 2 que ele teve.
    Que certa vez ele tava com minha vó no carro e ela falou: “gosto de andar com vc, pq vc não corre” e ele estava a 130km/h

  • mjprio

    Tai um bom projeto e que deu certo no Brasil. Seja na versão 1 e principalmente na 2 ,o corcel era um carro macio de usar. Na minha opinião o Corcel 2 era mais gostoso de andar que o Passat.

  • durango

    Na época um ótimo carro.

  • Paulo Lustosa

    As rodas 3×150 eram herança da Renault e suas rodas de liga leve não eram baratas de comprar, custava o mesmo, ou até mais que as rodas com furação 4×100 por serem até hoje, mesmo com o advento do Kwid e do Smart Fortwo, exclusivo da linhagem dos Corcel, Renault Dauphine/Gordini e Alpine A108 (Willys Interlagos). Em tempo, tenho guardado um Del Rey, e só tenho elogios ao carro, apesar do desempenho que nem falta e nem sobra do CHT E-Max 1.6 a álcool de 75 cv.

  • Yuri Lima

    O Corcel Bino tinha que ter o Stenio Garcia na propaganda!

    Eu sonho em ter um Corcel de ano 73 pra cá e dar o desempenho que um GT merecia. Talvez um Autolatina retroativo com motor AP2000 :D

  • Mauro Schramm

    Acho que faltou mostrar um último face-lift, onde as lanternas traseiras era divididas horizontalmente.

  • Celio 1747

    O Corcel era um dos carros mais cobiçados naquela época. Chamá-lo de “M” não fica bem.

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