
Utilitários esportivos de margens elevadas voltam a sustentar os resultados da Ford, levando a fabricante a elevar pela segunda vez sua projeção anual de lucro.
A revisão acompanha movimento semelhante realizado pela General Motors na semana passada e reflete a procura resistente por SUVs e picapes nos Estados Unidos.
Esses produtos compensam a redução das operações deficitárias com EVs, além de ajudarem a absorver custos maiores relacionados a tarifas e matérias-primas.
A Ford também direciona US$ 2 bilhões (R$ 11,1 bilhões) a um novo negócio de armazenamento de energia, cuja rentabilidade pode levar anos para aparecer.
A meta é alcançar capacidade de 20 GWh até o fim do próximo ano, embora o presidente-executivo Jim Farley enxergue espaço para avançar além disso.

Segundo Farley, a operação poderá colocar a Ford Energy entre as principais fabricantes de sistemas de armazenamento da América do Norte.
Últimas notícias
As ações subiram 5,2% nas negociações posteriores ao fechamento em Nova York, após acumularem alta de 14% neste ano, acima do índice S&P 500.
As vendas norte-americanas da Ford recuaram 10% no segundo trimestre, mas Bronco e Explorer mantiveram volumes relevantes e margens favoráveis.
Configurações equipadas com pacotes caros de desempenho fora de estrada contribuíram especialmente para reduzir o efeito da queda no volume total.
Fabricantes tradicionais ampliaram a produção de SUVs e picapes de consumo elevado após o governo Trump flexibilizar exigências federais de eficiência energética.
Outras políticas destinadas a acelerar a adoção de EVs também perderam força, devolvendo às montadoras maior liberdade para priorizar modelos a combustão mais rentáveis.
A Ford enfrentou menor disponibilidade da picape F-Series devido aos danos registrados no ano passado na unidade de alumínio da Novelis, no estado de Nova York.
Enquete
Ford vai esperar lucros do negócio de energia só em 2028; investimento compensa?
Vote e veja o resultado em tempo real.
1 votos
A fábrica fornece material para os painéis de carroceria da picape, retomou as operações no segundo trimestre e deverá recuperar parte do volume perdido.
A companhia espera recompor cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,9 bilhões) em produção da F-Series, abaixo da projeção anterior de até US$ 3 bilhões (R$ 16,7 bilhões).
Sherry House, diretora financeira, afirmou que grande parte dos mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em tarifas previstas decorre da importação de alumínio.
Segundo a executiva, os custos tarifários concentram-se atualmente em alumínio, aço e veículos recebidos de outros países.
O lucro ajustado ficou em US$ 0,42 (R$ 2) por ação no segundo trimestre, superando a estimativa média de US$ 0,36 dos analistas consultados pela Bloomberg.
A Ford agora prevê até US$ 11 bilhões (R$ 61,1 bilhões) em resultado antes de juros e impostos neste ano.
A projeção anterior variava entre US$ 8,5 bilhões (R$ 47,2 bilhões) e US$ 10,5 bilhões (R$ 58,3 bilhões), enquanto o mercado esperava US$ 9,5 bilhões (R$ 52,7 bilhões).
Tom Narayan, analista da RBC Capital Markets, avalia que a revisão pode levar Wall Street a elevar suas estimativas para o segundo semestre.
A entrada no armazenamento de energia provocou em maio a maior valorização diária das ações em 17 anos, impulsionada pela associação com investimentos em inteligência artificial.
House afirmou que os primeiros lucros dessa divisão somente deverão aparecer em 2028, apesar do forte interesse demonstrado pelos investidores.
Farley não confirmou acordos com grandes operadoras de computação, limitando-se a dizer que a companhia conversa com diferentes possíveis clientes.
O projeto reaproveitará uma fábrica de baterias para EVs no Kentucky, anteriormente ligada à parceria encerrada com a sul-coreana SK On.
A Ford registrou uma baixa contábil majoritariamente sem efeito imediato de caixa de US$ 3,6 bilhões (R$ 20 bilhões) no segundo trimestre.
As vendas de EVs caíram 41% após a retirada da F-150 Lightning, dentro de uma revisão que gerou US$ 19,5 bilhões (R$ 108,2 bilhões) em ajustes.
A nova estratégia prioriza modelos mais baratos, começando por uma pequena picape elétrica de US$ 30.000 (R$ 166.500) prevista para o próximo ano.
Esses veículos usarão uma plataforma elétrica universal e serão produzidos numa antiga fábrica de SUVs localizada no Kentucky.
Farley considera os fabricantes chineses uma ameaça decisiva por suas vantagens tecnológicas e de custos, embora barreiras comerciais ainda limitem sua presença norte-americana.
A Ford também anunciou parceria com a Geely para desenvolver SUVs elétricos destinados à Europa e compartilhar produção numa fábrica espanhola.
Outro acordo permite utilizar tecnologia da CATL em baterias para EVs e sistemas de armazenamento, aproximando a empresa de fornecedores chineses estratégicos.
