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Ford Nucleon: a energia atômica imaginada como combustível para automóveis

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Na década de 50, a energia atômica começou a ser largamente utilizada para geração de eletricidade, movimentação de submarinos e também de navios (militares, é claro). Também era usada como arma em bombas, foguetes e mísseis que começaram a integrar os arsenais nucleares das superpotências.

Até mesmo avião nuclear – com propulsão atômica – surgiu naquela década, que preparou a maior de todas as bombas nucleares já feita, a Tzar, que explodiu em 1961. Mas, a “onda atômica” parecia algo distante dos carros até a Ford imaginar que ela também poderia ser usada em automóveis.

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Foi isso o que propôs o Ford Nucleon. Naquela época, havia pouca preocupação sobre os efeitos da radiação, pois muita coisa ainda era desconhecida. Por isso, a indústria e o governo americano não impediam qualquer realização no sentido de utilizar a energia nuclear para outros fins.

A realidade terrível por trás dos efeitos da radiação ficaria mais evidente nos anos posteriores, o que limitou qualquer outra iniciativa que não fosse geração de energia, uso médico ou defesa. Mas o Nucleon é uma amostra da ousadia que existia naquela época.

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8.000 km

Como já se sabe, o combustível nuclear dura muito mais do que um convencional de origem fóssil e a Ford estava de olho nisso. Com o Nucleon, a ideia era oferecer um carro que poderia rodar mais de 8 mil km sem reabastecimento. Seria mais ou menos como ir e voltar de Porto Alegre/RS a Rio Branco/AC, por exemplo.

Então, em 1958, a Ford apresentou o conceito Nucleon que, para fazer isso, utilizava um reator nuclear de urânio em miniatura. Com visual futurista para a época, mas sem deixar de lado as clássicas barbatanas traseiras, o veículo lembrava mais uma picape. No entanto, sua “caçamba” abrigava o reator.

O dispositivo atômico era envolvido por blindagens contra a radiação direta. Esse pacote nuclear não era fixo no Nucleon, pois a cada 8.000 km seria necessária sua substituição por outra “pilha” atómica. Esse serviço seria feito em estações desenvolvidas para este fim, pois haveria a manipulação de material radioativo, que não poderia ser feito em um simples posto.

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A cabine seria grande o suficiente para motorista e passageiros, que teria sistema de ventilação exterior independente do reator. Para evitar contaminação, nada que circulasse pelo propulsor atômico entraria em contato com o habitáculo. Estranho também era o entre eixos, bem curto e com balanço dianteiro enorme (distância entre o eixo e a extremidade da carroceria).

O esquema de propulsão da Ford para o Nucleon envolvia o reator nuclear para aquecimento de água, que convertida em vapor com alta pressão, movia uma turbina do tipo Parsons para gerar eletricidade. Essa energia alimentava motores elétricos que moviam o veículo. Os conversores de torque eram eletrônicos, uma inovação para a época.

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A realidade

A proposta do Ford Nucleon para os dias atuais é extremamente absurda, mas para a década de 50, que “respirava” átomos, era até insanamente plausível. No entanto, felizmente para todos nós, a realidade daquela época era bem diferente.

O Nucleon encontrou várias barreiras (técnicas) para ser executado, tanto que nunca passou de uma escala com 3/8 do tamanho original. Um reator nuclear pequeno o suficiente para ser adicionado ao conceito da Ford não existia. Da mesma forma, uma blindagem eficiente e um sistema de propulsão associado tão compacto era impossível de se obter.

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Mesmo se pudesse ser executado em seu tamanho normal e com todos os parâmetros preenchidos, o Ford Nucleon seria uma ameaça à segurança nacional dos EUA, pois eventuais acidentes poderiam ser convertidos em pequenos Chernobyls.

A eventual contaminação radioativa para motorista e passageiros do Ford Nucleon também seria outro problema a longo prazo. Talvez somente seu descarte fosse algo mais seguro, como ocorre com os artefatos nucleares. Pelo menos, o projeto salvou os conversores de torque eletrônicos, que hoje são utilizados em carros híbridos.







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