Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Você com certeza se lembra da Pampa. A Ford sempre teve um portfólio bem vasto nesse ramo das picapes, com um grande histórico de tradição no segmento. A Ford Pampa chegou ao mercado nos anos 80, quando a Ford tinha o Corcel como seu principal player no mercado de compactos e sedans.

Fora isso ela tinha as linhas F de picapes que competiam de igual para igual com as picapes da Chevrolet. Mas ela ainda precisava de algo menor e mais vendável.


Foi dessa necessidade que surgiu a Pampa.

Mas antes de ir mais a fundo na história da valente picape, vamos antes nos ater a um breve resumo do modelo que lhe deu origem.

Ford Corcel I, 1967 a 1977

Foi em meados de 1967 que a Ford adquiriu o controle majoritário da Willys Overland do Brasil, e com isso obteve acesso a todos os seus projetos, atuais e futuros.

Entre eles um projeto que estava sendo tocado em conjunto com a Renault – Projeto M – que deu origem ao Renault 12 na França e inspirou muito a carroceria e o design geral do primeiro Corcel à venda por aqui.

Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Inicialmente, o modelo foi vendido com carroceria sedan, e em 1969 um modelo cupê seria adicionado futuramente.

Tanto cupê quanto sedan dispunham de tecnologias modernas – para o final dos anos 60 – e eram donos de um dos melhores espaços internos até então disponíveis dentro do nosso mercado.

Um concorrente direto do modelo era o Volkswagen 1600 TL – que também tinha versões cupê, sedan e até perua. No caso do Corcel, ele ganhava em espaço interno e tecnologia embarcada.

Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Para o ano de 1973, ele ganhava mudanças no design, o que o deixava com uma aparência que lembrava o muscle car da Ford – o Maverick.

Agora com motorizações que começavam com um 1.4 litro, o modelo apresentava desempenho honesto e visual mais esportivo na versão GT.

Em 1975, o Corcel ganhava outro retoque visual e ficava cada vez mais parecido com o Maverick, com fortes inspirações na traseira, que se assemelhava muito ao cupê de alto desempenho. Uma nova versão, agora com opção de acabamento mais luxuoso e opção de teto revestido de vinil, era adicionado à gama.

Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Outras versões com foco em esportividade eram adicionadas até meados de 1977, quando o modelo de primeira geração se despedia do mercado nacional, e ganhava um novo design, motores e desenho de carroceria.

Ford Corcel II, 1977 – 1986

Para o final de 1977, a Ford apresentava a segunda geração do Ford Corcel.

Com uma nova carroceria, que seguia a tendência do momento de ter linhas mais retas e traços mais limpos, o chamado Corcel 2 ganhava faróis maiores e mais retilíneos, novas lanternas traseiras e desenho dos para-choques mais envoltos na carroceria.

Na grade, vários filetes eram adicionadas para dar sensação de largura na frente do modelo, que se ligavam com os novos faróis. O desenho da carroceria fazia com que o modelo aparentasse ser bem maior do que seu antecessor, mas isso era apenas ilusão de ótica.

O caimento suave do teto fazia com que ele tivesse ares de fastback.

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Na motorização, o modelo vinha com um motor 1.4 litro com cerca de 72 cavalos, o que era pouco se levar em conta que o carro tinha ganho peso da troca de geração.

Com isso ele fazia o 0a100 em longos 20,9 segundos e atingia a máxima de 135 km/h. Mesmo sendo mais pesado e consequentemente mais lento que seu antecessor, o quesito de segurança ainda era um dos destaques do modelo.

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Para 1980 a Ford introduz um novo motor 1.6 litro, com mais potência e associado a um novo câmbio de 4 marchas.

Com isso o modelo com motor 1.6 fazia o 0a100 em menos de 17 segundos – uma pequena melhora – e atingia uma máxima de 148 km/h.

Já em 1982, um novo painel era introduzido – com novo design para o quadro de instrumentos, um novo relógio digital – que era opcional – e novas suspensões marcavam as mudanças do modelo deste ano.

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Com a chegada do novo motor CHT em 1983, a Ford conseguiu dar ao pequeno 1.6 mais desempenho e mais economia, para novos tempos.

A potência do novo motor que utilizava álcool como combustível era de 73 cavalos, e fazia com que o Corcel alcançasse a máxima de 150 km/h. Outro motor era adicionado na gama do Corcel, agora um 1.3 CHT, com 62 cavalos.

O diminuto motor fazia o modelo alcançar os 143 km/h.

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O Corcel II sai de linha em 1985, mas antes de passar o bastão para o Ford Escort, o modelo recebe seu último retoque visual e o deixa com ares de Del Rey.

Ford Del Rey

Antes de entrar na Pampa, devemos dar um breve passeio no sedan que emprestou seu visual para a picape.

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Para resumir um pouco da história do Del Rey, ele era um sucessor do Corcel, que saiu de linha em 1986.

Ele teve versões perua e sedan, e foi por muito tempo considerado um modelo de luxo dentro da gama Ford.

Durante uma década – 1981/1991 – reinou com maestria, pois tinha versões para todos os gostos e bolsos. Espaço interno de sobra e conforto de categoria superior para seus ocupantes.

Foi substituído pelo Ford Versailles em 1991, que era basicamente uma versão Ford do Volkswagen Santana, graças ao acordo entre as duas marcas – a Autolatina.

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Ford Pampa

Ainda nos anos 80, a Ford via a necessidade de ter uma picape compacta, que tivesse a mesma propriedade que suas picapes grandes, mas que coubesse nas vagas apertadas dos prédios. Foi com essa e outras intenções que ela decide lançar a Pampa em 1982.

Baseada na plataforma do Corcel II, a Ford Pampa nascia com vocação para o trabalho.

Assim como nos seus irmãos, a Ford Pampa tinha conforto de categoria superior na cabine, e na caçamba herdava a mesma força que suas irmãs maiores – no caso a linha F de picapes da Ford.

Seus concorrentes diretos, eram o Fiat City – derivado do Fiat 147 – e a Volkswagen Saveiro – derivada do Gol.

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A maior diferença entre a Ford Pampa e o Fiat 147 picape, era que o Ford tinha um eixo traseiro rígido e fazia o uso de molas semielípticas, no lugar das molas convencionais helicoidais, o que a permitia carregar mais peso que sua concorrente ítalo-mineira.

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Com capacidade para cerca de 600 kg de carga, a Ford retrabalhou na plataforma do Corcel para que a Pampa mantivesse a tradição das picapes norte americanas.

Seu entre eixos aumentou de 2,44 metros para 2,58 metros. Ganhou também cerca de 3 centímetros em altura de rodagem, para se adequar melhor ao nosso piso lunar e não baixar tanto com a caçamba cheia.

Novos e maiores pneus eram adicionados à picape para poder suportar o peso na caçamba.

A Pampa dispunha de tração dianteira e motor 1.6, que era o mesmo da linha Corcel, só que acoplado ao câmbio de 5 velocidades com pequenas alterações nas relações de troca de marcha.

Pampa 4×4

A maior surpresa seria revelada em 1984, quando a Ford decide apresentar a Pampa 4×4, com uma tração nas quatro rodas.

Uma nova caixa e transferência era adicionada no modelo para que ele pudesse entrar e sair de situações que exigissem o uso da tração integral sem maiores problemas. Um novo câmbio, de 4 velocidades possuía tração integral acionada por uma alavanca à direita da haste de marchas.

Sua tração era do tipo permanente, principalmente na dianteira, sendo que a tração traseira era acionada por uma engrenagem.

No quesito design, uma nova grade era adicionada na Pampa versão 4×4, pneus de uso misto ajudavam a pickup a se adequar a qualquer tipo de terreno.

Novas rodas com o cubo central mais destacado, e para choques com garra de reboque completavam o visual mais “aventureiro” da picape. Por conta do peso extra adicionado com a tração nas 4 rodas, a capacidade de carga da Pampa 4×4 caiu de 600 kg para cerca de 440 kg.

Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Para 1986, a Pampa ganha novas versões, sendo elas a L – mais básica – e GL um nível acima da L.

Todas as Ford Pampa recebiam as mesmas alterações estéticas do modelo 4×4. No ano seguinte, o Pampa ganha uma nova grade que agora se assemelha com o Del Rey, e uma nova versão topo de gama – Ghia.

Nessa nova versão, o modelo trazia um painel completo, vidros e travas elétricas, mas perdia um dos itens mais essenciais para sobreviver em um país tropical – o ar condicionado.

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Com a chegada do ano de 1989, e o acordo entre Ford e Volkswagen – a Autolatina, o Pampa passa a contar com um motor de origem Volkswagen, o famoso AP-1800, que vinha nas versões L, GL e Ghia.

Para a opção com tração nas quatro rodas, era oferecido somente o motor 1.6 CHT, e também para as versões L e GL.

Fim da linha da Pampa

Já em 1991, a Pampa ganha uma nova versão chamada de S, que era equipada com o motor AP 1800.

Nessa nova versão mais “esportiva” ela ganhava novos bancos, janela traseira do tipo corrediça, faróis de neblina acoplados nos para-choques, e outros itens que a deixavam com apelo mais esportivo.

A picape sai do mercado em 1997, depois de ter vendido cerca de 350 mil unidades e ter levado o conceito de picape a um novo patamar – no que se diz respeito a pequenas picapes derivadas de carros de passeio.

Sua sucessora, a Ford Courier, infelizmente nunca conseguiu ter a fama da Pampa, apesar de também ter inúmeras qualidades.

Picapes Ford: Raça Forte

Nem só de Pampa viveu a Ford. A Courier, que era derivada do Fiesta, tentava – sem o mesmo sucesso – ser como suas antecessoras.

Apresentado em 1998, a Ford Courier, era basicamente uma variação da versão van a venda na Europa. Mesmo não tendo tanto sucesso como a Pampa, Courier ao menos se mostrava valente para o serviço.

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Ford Courier

A versão brasileira da Courier, usava as mesmas portas da versão de duas portas do Fiesta, diferente do que acontecia com a versão vendida na África do Sul, onde usava o mesmo par de portas do modelo de quatro portas – que eram significativamente menores – e por lá ela recebia o nome de Bantam.

Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

No mercado nacional, a picape era somente voltada ao trabalho, sua capacidade de carga era de cerca de 700 kg, e até meados de 1999 usava o motor 1.3 ou o 1.4 Zetec-SE.

Já a partir dos anos 2000, a picapinha usava apenas o motor 1.6 Zetec-Rocam.

Antes de ser descontinuada, ganhou motores flexíveis, iguais aos empregados no Fiesta.

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O modelo deixou de ser fabricado em 2013, sem deixar qualquer sucessora direta.

Isso deixou um buraco que existe até hoje dentro da gama Ford. Para acalmar alguns ânimos em alguns momentos, a Ford simplificou e barateou a Ranger na configuração de cabine simples.

Mas não seria todo mundo que teria espaço na garagem ou condição financeira para levar um carro desse porte para casa.

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Rodas com 3 furos?

E antes de finalizar, se você achava que só o Renault Kwid e o Smart ForTwo usavam rodas com apenas 3 furos, você está bem equivocado. A Ford Pampa utilizava tal método, e sempre foi um carro bem seguro, assim como seus irmãos Corcel e Del Rey.

Diferentemente do que se possa pensar, as rodas com um furo a menos não trazem riscos ao condutor ou passageiros. Até porque se eles fossem tão ruins, não teriam sido empregados em tantos modelos não só no Brasil como mundo afora.

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Ford sem picapes compactas

Até o fechamento desse texto, não existiam quais quer menções ou especulações sobre a possibilidade da Ford lançar uma nova picape derivada de algum modelo compacto.

Durante o lançamento do EcoSport de primeira geração, apareceram muitas especulações de que a marca faria uma versão picape do utilitário, e que até resgatariam o nome da Courier.

Ford Pampa: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Mas tudo não passou de pura especulação, e infelizmente para a gigante americana não existem opções que hoje possam competir com a líder Fiat Strada, com suas inúmeras versões, com a veterana Volkswagen Saveiro ou até mesmo a desengonçada Chevrolet Montana – que um dia foi bela e funcional, e hoje apenas na sombra do Agile.

Então, pessoal da Ford, se estiverem lendo, pensem com carinho em uma versão picape do Ford Ka Freestyle, por exemplo, não seria uma má idéia!

Kleber Silva

Kleber, 28 anos, designer e apaixonado por carros desde pequeno. Formado em design gráfico pela UNIP, ouvinte assíduo de música pop e master chef nas horas vagas.