
Uma fabricante de vidros que já abastece algumas das maiores montadoras globais prepara uma solução capaz de transformar parte da própria carroceria em fonte complementar de energia.
A Fuyao Group afirma ter concluído, validado e preparado para produção em massa um teto solar automotivo que incorpora células fotovoltaicas diretamente ao vidro laminado.
A empresa figura entre as maiores fornecedoras mundiais de vidros automotivos e mantém Ford, General Motors, Subaru, Tesla e Grupo Volkswagen em sua carteira de clientes.
Essa presença consolidada na indústria diferencia o projeto de iniciativas experimentais menores, principalmente porque a tecnologia foi desenvolvida por uma companhia já integrada às cadeias produtivas das montadoras.
Nas imagens divulgadas, as células solares ocupam todo o painel do teto e avançam por uma grande área do vidro traseiro, ampliando a superfície disponível para captação.

As fábricas da Fuyao em Yangxia e Hefei possuem capacidade anual combinada de 3 milhões de conjuntos de vidros automotivos, volume que ainda deve aumentar neste ano.
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A companhia não informou quantos tetos solares pretende fabricar, e a adoção dependerá principalmente da avaliação das montadoras sobre custo, retorno energético e interesse comercial.
Relatos publicados na China anteriormente indicaram conversas com a BYD para oferecer o teto solar como opcional nos modelos Han e Tang por cerca de 8.000 yuans (R$ 6.100).
Nem Fuyao nem BYD confirmaram oficialmente essa possibilidade, portanto a eventual chegada do equipamento aos dois modelos permanece sem anúncio definitivo por parte das empresas envolvidas.
A utilidade também precisa ser colocada em perspectiva, especialmente porque os BYD atuais já contam com a rede Flash Charging, capaz de operar com 1.500 kW.
Outro exemplo recente mostra melhor quanto um sistema solar automotivo pode acrescentar na prática, graças a um Nissan Ariya desenvolvido por dois engenheiros da marca.
Esse protótipo utiliza painéis solares sobre teto, tampa traseira e capô, criando uma área de captação bem maior que a proposta apresentada pela fornecedora chinesa.
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Segundo a Nissan, um dia de céu limpo permite gerar energia suficiente para acrescentar até 23 km de autonomia ao Ariya sem depender de uma tomada.
Na média anual, o ganho diário calculado chega a 10,2 km em Londres, 18,9 km em Nova Délhi, 21,2 km em Dubai e 17,6 km em Barcelona.
A contribuição diminui durante o deslocamento, pois em um percurso de duas horas e 80 km os painéis produziram 0,5 kWh, suficientes para aproximadamente 3 km adicionais.
Mesmo parecendo um ganho modesto isoladamente, a Nissan calcula que usuários que percorrem cerca de 6.000 km por ano poderiam reduzir bastante sua dependência de recargas externas.
A análise da fabricante aponta que esse perfil de motorista poderia passar de 23 visitas anuais a estações de recarga para apenas 8 usando um EV equipado com células solares.
A proposta da Fuyao, portanto, não promete substituir a recarga convencional, mas adicionar energia ao longo do uso cotidiano sem ampliar a bateria instalada no veículo.
O potencial comercial dependerá de preço, eficiência e integração aos projetos das montadoras, embora a tecnologia já tenha alcançado uma etapa decisiva ao ficar pronta para fabricação em escala.






