
Mesmo com décadas de reputação consolidada, a Honda parece ter tropeçado feio na corrida pelos EVs — e os números mais recentes deixam claro o tamanho do problema.
Apesar de prometer uma ofensiva elétrica global, a empresa lançou apenas dois modelos nos EUA: o Prologue e o Acura ZDX, ambos variações do Chevrolet Blazer EV.
A má notícia: o ZDX já foi descontinuado, e o Prologue amarga uma queda de 86% nas vendas, com apenas 2.641 unidades entre outubro e dezembro.
A dependência da GM para o desenvolvimento dos modelos elétricos foi um erro estratégico, e agora a Honda vai ter que pagar caro por isso.
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A marca japonesa anunciou perdas operacionais de ¥166,4 bilhões — cerca de R$ 10,5 bilhões — em sua divisão automotiva só nos nove primeiros meses do ano fiscal.
As baixas com write-offs e projetos cancelados somaram impressionantes ¥267,1 bilhões, ou cerca de R$ 16,9 bilhões no mesmo período.
A previsão para o ano fiscal completo, que termina em março, é ainda mais sombria: prejuízo de ¥700 bilhões, o equivalente a R$ 44,4 bilhões, apenas no setor de EVs.
As vendas globais de EVs da Honda no último trimestre foram de apenas 15 mil unidades, enquanto a rival Toyota — antes criticada por ceticismo — chegou a 63 mil no mesmo período.
A frustração com os números levou o vice-presidente executivo Noriya Kaihara a declarar que a empresa fará uma revisão fundamental de sua estratégia.
E não é só a área de elétricos que sangra: a Honda também prevê um impacto de ¥310 bilhões — R$ 19,6 bilhões — devido às tarifas aplicadas nos EUA.
Somando os prejuízos, a empresa vê seu lucro operacional consolidado despencar 61% no terceiro trimestre fiscal e projeta queda total de 55% no ano.
Parte dos custos futuros está relacionada ao fim da aliança com a GM, já que a Honda reduziu as compras e agora terá que compensar a americana pela diferença.
Ainda em 2024, a Honda falava em vender 2 milhões de EVs por ano até 2030, mas agora a meta caiu para algo entre 700 mil e 750 mil.
Mesmo com protótipos promissores como a linha 0 Series e o novo Acura RSX, o estrago já está feito e a dúvida é se a marca conseguirá virar esse jogo.
Talvez o maior erro tenha sido não investir desde o início em uma plataforma elétrica própria, apostando demais na estrutura de outra empresa.
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