Combustíveis Europa Governamental/Legal

França põe fim aos incentivos exclusivos para carros diesel

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Assim como há um subsídio para o óleo diesel no Brasil, existe também um incentivo fiscal na França para carros movidos pelo óleo combustível. A diferenciação em relação à gasolina é o que impulsiona o mercado local e parte do europeu, já que a demanda no país é atendida por outros fabricantes do continente.

Pensando em reduzir a emissão de poluentes – especialmente de óxido de nitrogênio – o governo francês vai conceder à gasolina benefícios fiscais semelhantes aos do diesel, o que deve gerar um aumento de imposto para os veículos diesel.

O governo da França não quer se desfazer completamente dos incentivos ao diesel por conta da enorme dependência do mercado local. Então, a ideia é beneficiar a gasolina para que ocorra a mudança entre os derivados do petróleo.

A França deve, no entanto, proteger suas marcas Renault e Peugeot-Citroën com essa alteração nas taxas da gasolina, a fim de não impactar negativamente nas contas dos dois fabricantes, com os quais o governo mantém estreita ligação (acionista).

O país tem um grande percentual de venda de carros diesel e espera-se que a demanda caía nos próximos dois anos, pois é o período em que a redução de imposto da gasolina deve ocorrer de forma gradual.

Atualmente, 68% da frota da França são de veículos movidos por diesel. Com preços baixos e maior autonomia, o combustível atraí naturalmente a atenção e o dinheiro dos consumidores, que não pensam duas vezes em ter seus modelos dCi ou HDi na garagem.

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Dieselgate

A França vem abraçando o diesel desde os anos 80, o que fez até veículos estritamente urbanos terem motores movidos por óleo diante de tantos incentivos que o governo concedia ano após ano. Os chamados quadriciclos – pequenos carros com motor de um cilindro e livres para condutores sem habilitação e acima de 16 anos – utilizam essencialmente o diesel.

Com tanto óleo diesel no mercado, a França não se preocupou com os efeitos colaterais até o escândalo do Dieselgate, envolvendo a Volkswagen. Foi a partir daí que “a ficha caiu” para os franceses, pois no rastro das emissões excessivas de NOx do EA189, vieram inicialmente suspeitas e logo depois confirmações de que a maioria dos carros vendidos na Europa estavam igualmente acima do limite.

Diante de 11 milhões de carros da VW envolvidos, sendo 8 milhões na Europa e boa parte na própria França, o governo teve que ceder às pressões e executou testes de emissão durante a condução em carros diesel, mas a demora em divulgar os resultados gerou mais suspeitas e críticas de ONGs e da UE.

O temor de conflito de interesses – especialmente no caso da Renault – gerou desconfiança geral. A Peugeot rapidamente iniciou seus testes com entidades independentes e divulgou os resultados. Mas, ainda assim, a transparência não é suficiente para acalmar os ânimos e algumas atitudes já estão sendo tomadas para reduzir o consumo de diesel na França.

A administração de Paris está reduzindo cada vez mais a circulação de veículos antigos e especialmente de carros diesel, querendo mesmo excluir os automóveis a combustão de sua região central nos próximos anos. Além disso, o governo está dando incentivos fiscais bem generosos para os carros elétricos, cujo segmento está amplamente dominado pela Renault. O país é um dos que mais apoiam a eletrificação da frota de automóveis.

[Fonte: Auto News Europe]







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