Antigos Clássicos Matérias NA Preços Sedãs

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

Já ouviu falar de Fusca Baja? O Volkswagen Sedan, mais popularmente conhecido no Brasil como Fusca, foi um carro versátil em toda sua longa história.


Desde antes da Segunda Guerra, o besouro já mostrava que podia ir além de sua proposta original e uma das mais conhecidas é o chamado Fusca Baja.

Hoje em dia, o Fusca Baja ainda tem presença marcante em encontros com muita fumaça, lama, barulho e entusiastas realmente corajosos. Diferentemente de um carro clássico, no entanto, o modelo é uma adaptação e, como tal, ainda pode ser feita como nas décadas passadas.

O diferencial é que existe um custo para isso. No entanto, quem está disposto e ter um veículo robusto para brincadeiras, aventuras e lazer com muita diversão e, é claro, riscos calculados ou não, a conversão para o Fusca Baja se torna uma opção interessante, ainda mais porque o veículo original ainda é amplamente disponível no mercado.


Fusca Baja

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

O que é um Fusca Baja? Trata-se de um modelo convertido para uso em off road. Ele é obviamente baseado no Volkswagen Fusca tradicional, de qualquer época, embora os mais antigos sejam hoje jóias se estiverem em perfeita condição, eliminando qualquer chance de algum dia se converterem em um aventureiro.

Basicamente, o Fusca Baja é um veículo adaptado para andar na areia, lama, pedras, etc. Normalmente é usado em trilhas leves ou pesadas, bem como em praias, dunas e até mesmo em competições.

Com grande capacidade de suportar buracos, valetas e pedras do fora de estrada, o veículo é uma adaptação que realmente cumpre o que promete, embora não tenha tração nas quatro rodas.

O objetivo da modificação é ter um carro valente no off road, mas simples e de fácil manutenção. Ainda assim, existem algumas transformações onde os desenvolvedores aplicaram mudanças mais radicais, como motor refrigerado à água (geralmente o AP da Volkswagen) ou tração nas quatro rodas.

O Fusca Baja exige modificações na suspensão, remoção de algumas partes da carroceria original, adição de rodas especiais e pneus de dimensões maiores e diferenciadas entre frente e traseira, reforço estrutural com gaiola e até preparação do motor e outros detalhes mecânicos.

História do Fusca Baja

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

No início dos anos 60, Meyers Manx – um surfista do sul da Califórnia – observou que era necessário um carro específico para ir à praia e assim, utilizando chassi e motor do Beetle, criou o Buggy. Feito de fibra de carbono, o novo carrinho era leve, divertido e ágil, mas caro de obter.

Então, no final da mesma década, pessoas que desejavam um veículo para se divertir na praia, começaram a modificar o então popular sedã da Volkswagen, mas mantendo sua estrutura básica, alterando elementos já citados acima. Como era mais barato, logo começaram a surgir kits de transformação em fibra de vidro, leves e baratos.

Muitos começaram a fazer as modificações em casa, o que eliminava um construtor contratado, como no Buggy. O modelo de Beetle convertido passou a ser chamado de Baja Bug.

O primeiro nome veio do carro de competição off road usado na prova de rali Baja 1000, realizada na península da Baixa (Baja em espanhol) Califórnia, desde de 1967.

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

Mais do que andar apenas nas areias das praias, o Baja Bug (o Bug é uma alusão ao Buggy de Manx) tinha capacidade para trilhas mais ousadas, andando no deserto ou mesmo na floresta.

Era de fato um carro off road mais completo e seguro que o Buggy, pois, adicionava-se uma gaiola de proteção por causa dos frequentes tombamentos em trilhas com rochas ou valas profundas.

Não tardou para que o Baja Bug, assim como o Buggy antes dele, chegasse ao Brasil. Aqui, diferentemente do segundo, o Fusca Baja passou a ser usado mais por aventureiros em fora de estrada extremo e em competições de rali ou trilha.

Para as praias brasileiras, o Buggy era (e ainda é) o carro ideal, especialmente andando sobre as dunas do Nordeste.

Como modificar?

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

O Fusca Baja é uma conversão viável desde que se faça da maneira correta e considerando também os pontos exigidos pela legislação, a fim de evitar problemas com a fiscalização de trânsito. Como o Fusca é um carro barato, de manutenção simples, robusto e com ampla oferta de peças, então é um veículo excelente para este tipo de modificação.

A conversão de um Volkswagen Fusca original num Fusca Baja vai exigir muito trabalho. Por isso, é necessário espaço, tempo, dedicação, conhecimentos de mecânica e algum dinheiro. Para quem tem apenas o essencial, que é o dinheiro, o negócio é contratar um mecânico profissional especializado nesse tipo de conversão.

Existem algumas empresas especializadas nesse tipo de serviço, inclusive com a fabricação de kits de transformação para Fusca Baja. Estes kits podem ser adquiridos independentemente disso através de autopeças ou pela internet. O desenho das peças varia de acordo com o estilo proposto, assim como o custo.

Modificação simples

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

O Fusca Baja pode ir do mais simples ao mais radical, tudo dependendo do que se quer e do orçamento. Em modificações mais simples e caseiros, nem mesmo se utiliza um kit de carroceria, já que utilizando uma politriz com disco para cortar os para-lamas dianteiros e traseiros, eliminando as lanternas e os faróis originais. Retira-se o motor para o serviço.

Corta-se a parte traseira inferior e a tampa do motor, deixando-o exposto quando recolocado no veículo. Na frente, alguns retiram apenas o para-choque, mas outros cortam também os para-lamas e a caixa do estepe, assim como parte do capô. Barras de impulsão na frente e de proteção na traseira, substituem os para-choques removidos.

A suspensão dianteira pode ser elevada se o proprietário quiser realmente usar no off road extremo. Já a traseira, é preciso ajustar os eixos de torção no facão para elevar a suspensão.

Embora sua proposta seja para fora de estrada, muitos simpatizam com seu visual e usam o carro geralmente na cidade. Assim, os pneus podem ser radiais ou diagonais de uso misto ou mesmo só para o asfalto.

Numa conversão com a proposta original, as rodas são de magnésio ou outra liga leve, estilizadas geralmente. Os pneus dianteiros são menores, assim como as rodas.

As barras de torção dianteiras devem ser do tipo catraca, ganhando assim altura em relação ao solo. Na traseira, as rodas geralmente são maiores e os pneus também, mas não é obrigatório. Geralmente de uso off road ou misto.

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

Amortecedores maiores e mais robustos são obrigatórios para suportar impactos grandes no off road. No caso do motor, não é obrigatório preparação. Ainda assim, muitos utilizam escapes esportivos ou elevados para evitar entrada de água, além de ajudar a compor o visual. Nas laterais, nada de estribos originais.

Se o intuito não é competir, então uma gaiola interna não será necessária. Os Fusca Baja de competição são devidamente preparados para isso e possui também modificações no motor para ter maior performance.

A suspensão também é reforçada nesses casos. Novos faróis e lanternas, além dos piscas, se for rodar na rua, precisam ser introduzidos.

As placas de identificação serão fixadas nas barras dianteiras e em qualquer local adequado na traseira. Pode-se também utilizar rack com faróis auxiliares. Ganchos para reboque também são importantes. No geral, pode-se ainda adicionar um kit específico de conversão.

Kit visual

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

Este tipo de kit, já mencionado, é uma forma de deixar o visual do Fusca Baja melhor, eliminando assim possíveis erros no processo de corte das peças originais.

Geralmente é composto de sete peças, sendo capô, asa traseira (sobre o motor), para-malas dianteiros, para-malas traseiros e caixa do estepe (sem espaço para roda).

Então, basta remover e corte as partes originais, no caso a caixa do estepe e a parte inferior da traseira, para montar o kit, que é feito de fibra de vidro, que torna o Fusca Baja um pouco mais leve. Mas, quanto tudo isso pode custar?

Quanto custa a transformação para o Fusca Baja?

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)

Uma conversão feita por especialista vai depender exclusivamente do profissional. Se a conversão for feita em casa, não haverá custo com mão de obra terceirizada. No caso do referido kit visual, o futuro dono de Fusca Baja pode encontrar na internet por algo entre R$ 1.500 e R$ 1.800.

Já um jogo de escape esportivo sai por volta de R$ 170, porém, um personalizado com tubeira voltada para cima, chega a custar R$ 700. Um pneu aro 14 185/70 para trilhas custa em média R$ 280. Já um pneus de trilha 205/65 R15 para o eixo traseiro, custa em média R$ 300 cada.

Pode-se adicionar um par de molas de aço na dianteira e traseira, o que significa um custo em torno de R$ 350 o par. Não é necessário rodas estilizadas, podendo-se manter ambas em aço, sendo 14 polegadas na frente e 15 atrás, mas estas têm de ser de tala larga.

Já as barras de proteção podem ser feitas por um serralheiro ou compradas em autopeças, mas hoje são raras de encontrar.

Basicamente, com o kit visual mais barato e sem molas helicoidais, o Fusca Baja pode ter um custo de conversão em torno de R$ 2.800. Se a modificação não utilizar o kit de personalização, o valor cai para a casa de R$ 1.300.

Deve-se lembrar que o conjunto de luzes e as placas precisam estar devidamente instalados se o veículo for rodar em via pública. O estepe pode ir sob o capô.

Fusca Baja: a história da adaptação (e como a fazer)
Nota média 4.3 de 7 votos

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Domenico Monteleone

    Treco visualmente ridículo, mas deve ser divertido de brincar na terra com ele

  • JGx

    Muito interessante para fazenda ou dunas.
    Aqui na minha região, muitos fazem gaiolas a partir de Brasílias

  • Gabriel Molina Pinheiro

    Deve ser divertido. Com o Fusca original já é bem divertido andar em estrada de chão.

  • Claudio Tavares

    Em quase todos os vídeos, os caras erram a pronúncia. Aliás, pronúncia de nomes de carros no Brasil dá uma boa matéria.

    • El Gato!

      O Chevrolet Tigra entraria na matéria, com certeza.

      • zekinha71

        Weekend Stile também.

  • marcosCAR

    Sugestão para propaganda: Fusca Baja, feio desde sempre.

  • Schoenfelder

    As incríveis derivações feitas a partir do “Beetle” no mundo inteiro. A plataforma e mecânica dos “Volkswagen a ar” desafiaram a criatividade desses fabricantes de fundo de quintal, e chamavam a atenção pela variedade de estilos e versões. Desde buggy, utilitários e esportivos. Alguns bizarros, mas outros inesquecíveis, que se tornaram clássicos, como Puma, SP2, Miura entre outros, se falandp em Brasil. Mas teve modelos incríveis pelo planeta. Esses Bajas e buggys de origem americana também são ideias criativas e originais. Acho tosco, querer avaliar isso hoje como ridículo ou feio. A maioria dessas ideias e projetos surgiram na época mais criativa do mercado automobilístico, metade dos anos 50 até anos 70. AUDÁCIA, cores e estilo era a tônica da época. Contrastando muito com o marasmo de estilo e ausência de cores dos automóveis atuais.

  • Marcus Vinicius

    Se existir um desses de Fábrica deve valer um bom dinheiro

  • El Gato!

    Se eu tivesse um sítio ou área rural, teria um desses sem dúvida. Deve ser divertidíssimo de guiar na terra.

  • zekinha71

    Como fazer um Baja: arranje um Fusca 50% feito, mas se for um Fusca com bastante cupim de ferro sobe pra 80%.

  • Capt. Gottlieb

    Tenho um Fusca 1969 (50 anos) e foi convertido em BAJA há mais de 20 anos e alterado o documento. Tem motor VW 1600, relação coroa/pinhão 33×8, ignição eletrônica, rodas aro 15, pneus AT, etc. É um carro bem cuidado, muito valente, de fácil e barata manutenção e apto a enfrentar estradas de terra, barro, bem como rodar na cidade e estradas. Faz São Paulo-Rio a 110 Km/h sem problemas. O meu está preparado para cidade & campo e me presta um excelente serviço a baixíssimo custo. Não está a venda! Pode-se preparar um BAJA de modo mais radical para enfrentar mar de lama ou dunas de areia, mas ficará limitado para uso urbano e viagens. O BAJA está muito longe de ser bonito, mas existe Fusca bonito?

Quem somos

O Notícias Automotivas é um dos maiores sites automotivos do Brasil, trazendo todas as novidades sobre carros para mais de 450 milhões de pessoas, por mais de 13 anos. Saiba mais.

Notícias por email