GAC e FAW, parceiras da Toyota na China, aproximam operações enquanto cinco grandes marcas de elétricos concentram 53,5% do mercado

Sedã amarelo com teto preto, rodas esportivas e textos AION e Ray 7 na dianteira.
Vista frontal do Ray 7, modelo associado à ofensiva de veículos elétricos chineses em um mercado que passa por consolidação entre grandes grupos.

A indústria automotiva chinesa pode entrar em uma nova fase de consolidação, com GAC Group e FAW Group preparando uma operação capaz de aproximar duas grandes estatais do setor.

A GAC informou na segunda-feira que chegou a um acordo para aquisição de participação envolvendo a FAW, movimento que poderá transformar a empresa de Changchun em sua segunda maior acionista.

Segundo documento enviado à Bolsa de Xangai, a operação busca otimizar e integrar recursos industriais das duas fabricantes controladas por diferentes estruturas públicas chinesas.

Pelo acordo de intenção assinado nesta semana, a GAC comprará parte da participação que a FAW possui em uma joint venture de fabricação de automóveis.

A transação também prevê captação de recursos mediante emissão de ações A e envolverá ainda uma companhia listada no exterior, além de uma operação entre partes relacionadas.

Sedã amarelo visto pela traseira, com lanternas horizontais, teto preto e texto Ray 7.
A traseira do Ray 7 mostra lanternas horizontais e carroceria amarela; GAC e FAW mantêm parcerias com a Toyota no mercado chinês.

As ações da GAC foram suspensas em Hong Kong e Xangai, e os papéis negociados no mercado continental permanecerão paralisados por até dez pregões.

Fundada em 1953 e sediada em Changchun, a FAW é controlada pela State-Owned Assets Supervision and Administration Commission, órgão responsável por importantes empresas estatais chinesas.

Sua marca de luxo Hongqi mantém forte ligação institucional no país e já foi utilizada oficialmente por diferentes líderes chineses, incluindo o presidente Xi Jinping.

A aproximação acontece num momento difícil para parte das fabricantes estatais, que durante décadas obtiveram receitas importantes por meio de joint ventures com marcas estrangeiras.

A rápida expansão dos EVs, porém, aumentou a pressão sobre empresas consideradas menos ágeis que novos concorrentes locais especializados em eletrificação e desenvolvimento acelerado de produtos.

SUV preto com teto escuro, faróis horizontais e placa com o texto GS9 em uma estrada rural.
O SUV GAC GS9 ilustra a presença da fabricante chinesa, que registrou prejuízo no primeiro semestre enquanto avalia uma operação com a FAW.

A GAC encerrou o primeiro semestre com prejuízo líquido de 4,5 bilhões de yuans (R$ 3,3 bilhões), aumento de 76% na comparação anual.

O governo municipal de Guangzhou controla aproximadamente dois terços da companhia por meio de diferentes empresas de investimento ligadas à administração local.

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Outra estatal, a BAIC Motor, registrou perda líquida de 1,59 bilhão de yuans (R$ 1,2 bilhão) no semestre, após lucro de 360 milhões de yuans (R$ 265 milhões) um ano antes.

Na FAW, a divulgação financeira é mais limitada porque apenas parte dos ativos está listada, embora sua divisão de caminhões tenha elevado o lucro em 1.459% no primeiro semestre.

A empresa também comprou em dezembro 5% da Leapmotor por 3,74 bilhões de yuans (R$ 2,8 bilhões) e ampliou recentemente a cooperação com a fabricante de EVs.

Sedã vermelho com teto preto, grade dianteira ampla, rodas de muitos raios e placa com o texto B70 2.0T.
Sedã vermelho com identificação B70 2.0T representa a linha da FAW, grupo que também mantém a marca de luxo Hongqi e joint ventures com a Volkswagen.

As duas companhias pretendem explorar colaboração em capital, sistemas de assistência e condução inteligente, além de serviços financeiros relacionados ao setor automotivo.

GAC e FAW também mantêm joint ventures com a Toyota na China, mas ambas registraram retração nas vendas durante os primeiros seis meses deste ano.

As vendas da GAC-Toyota recuaram 6,3% na comparação anual, enquanto a FAW-Toyota apresentou queda mais acentuada, de 27,4%, no mesmo período.

A FAW ainda opera joint ventures com a Volkswagen, reforçando a importância histórica das parcerias internacionais para seu modelo de negócios no mercado chinês.

Analistas veem o excesso de capacidade produtiva e a prolongada disputa por preços como fatores capazes de acelerar uma reorganização entre fabricantes menos eficientes.

O Citi avaliou recentemente que diferenças cada vez maiores de desempenho podem favorecer uma consolidação, permitindo que grupos mais fortes aumentem participação com maior rapidez.

Segundo o banco, as cinco principais marcas chinesas de EVs ampliaram conjuntamente sua participação em 1,4 ponto percentual em julho, chegando a 53,5% do mercado.

Na semana passada, a principal agência de planejamento econômico da China também demonstrou apoio a fusões entre grandes grupos automotivos para integrar recursos produtivos e reduzir concorrência excessivamente semelhante.

Tentativas anteriores mostram, contudo, que esse processo pode enfrentar obstáculos, como ocorreu com a aproximação entre Dongfeng Motor e Changan Automobile no ano passado.

A negociação acabou abandonada após preocupações governamentais sobre possíveis efeitos no emprego regional, evidenciando que fatores industriais e sociais continuam pesando nessas decisões.

Antes da suspensão das negociações, as ações da GAC listadas em Hong Kong chegaram a subir 8,6% na segunda-feira, refletindo a reação inicial dos investidores.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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