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Gasogênio foi solução quando a gasolina era escassa no passado

Gasogênio foi solução quando a gasolina era escassa no passado

Em um momento de escassez de combustíveis no mercado nacional, devido à greve dos caminhoneiros, lembramos de uma tecnologia que ajudou o Brasil e outros países do mundo à sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. Recentemente, alunos de engenharia do Exército Brasileiro andaram testando novamente essa alternativa aos combustíveis derivados do petróleo para relembrar o feito do passado. Mas o que é o gasogênio?


Em fotos da década de 40, não é incomum ver carros equipados com enormes cilindros embutidos na traseira ou mesmo na frente, especialmente se as imagens são relativas ao período da Segunda Guerra. Esses veículos rodavam assim porque não havia oferta de gasolina suficiente para todos, devido ao conflito mundial, o que exigiu a adaptação dos carros comuns para usar um novo tipo de combustível, extraído da conversão de matéria-prima de origem mineral, fóssil ou vegetal em gás.

Gasogênio foi solução quando a gasolina era escassa no passado

História

O processo de gaseificação não era novo nos anos 40, sendo em realidade aplicado normalmente ainda na segunda metade do século XIX. A combustão de materiais para a extração de gás, portanto, não era coisa recente. Com o fim da patente sobre o motor de ciclo Otto, em 1886, o gasogênio passou a ser usado com mais frequência em motores de combustão interna para automóveis, visto que já era bem difundida na busca por iluminação pública e operação de máquinas industriais diversas. No início, se produzia o gás de carvão, mas no começo do século XX, o coque se tornou mais popular e barato.


Gasogênio foi solução quando a gasolina era escassa no passado

Mas, durante a Segunda Guerra mundial, o gasogênio passou a ter madeira e carvão como matérias-primas essenciais para a produção de gás veicular. Tanto feito em fábricas para instalação em veículos quanto em casa, de forma artesanal, o dispositivo passou a ser usado em larga escala durante os anos de conflito e chegou a obter títulos de competição na época. O piloto Chico Landi, chegou a vencer três campeonatos usando o carvão vegetal como fonte para seu carro. Um decreto-lei de 1940, dava privilégio ao gasogênio.

O gasogênio foi uma solução até os anos 40, por causa da guerra, mas não caiu no esquecimento no Brasil. Décadas depois, em plena Crise do Petróleo, a gaseificação voltou ao tema, pois o governo federal chegou a cogitar o retorno do dispositivo. Até mesmo alguns veículos foram adaptados para funcionar com o chamado gás podre, que é uma mistura de diversos gases combustíveis.

Gasogênio foi solução quando a gasolina era escassa no passado

Como funciona?

Não existe apenas um tipo de gasogênio. Para cada tipo de gás que se quer obter ou mesmo de aplicação, existe um processo diferente. Madeira e carvão (vegetal ou mineral) são as fontes de energia utilizadas, mas os processos são de gaseificação, gasificação ou pirólise, este último obtido em temperaturas altíssimas.

No caso da madeira, o gasogênio faz a combustão e a gaseificação do material que, convertido em gás, passa por uma área incandescente para cissão térmica, onde se retira ácidos e alcatrões para a purificação do gás, a fim de evitar danos ao motor. No caso do carvão, os processos são mais diversos por causa do fluxo de gases no dispositivo, sendo eles contracorrente, concorrente, fluxo cruzado e leito fluidizado, onde ocorre a pirólise. O gasogênio ainda é composto de resfriamento, filtragem (seca: carvão ativo, coque ou cortiça; úmida: filtro ou água) e carburação.

E nos carros?

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O gasogênio usado nos carros precisa de uma bomba de ar para sucção dos gases na partida do gerador de gás. Ela funciona como um regulador de qualidade da mistura e queima uma pequena parte para se verificar o estado do processo. Se estiver aceitável, a bomba é desligada e o gerador é aberto para sua conexão com o motor, que fica isolado do dispositivo. Mas, esse combustível alternativo não move o motor do carro inicialmente, sendo necessário outra fonte inicial para partida, que pode ser álcool, gasolina ou GNV, por exemplo.

Após isso, basta abrir o acesso do gás e fechar o do combustível líquido, ajustando sempre a mistura para se obter melhor rendimento, inclusive com avanço da ignição. Aliás, é dito que o gasogênio é uma solução ecologicamente viável e limpa, pois sua combustão é mais completa do que a da gasolina com madeira, por exemplo. O sistema tem ciclo fechado, o que evita emissões atmosféricas. Pode ser produzido facilmente em crises de fornecimento de combustíveis.

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No entanto, apresenta várias desvantagens, entre elas o volume excessivo do equipamento para alguns tipos de automóveis. É necessário também muito tempo para que o gerador possa estar em pleno funcionamento, assim como desligamento demorado. A exposição contínua ao monóxido de carbono pode ser fatal para o motorista. Outro ponto ruim é que exige manutenção diária com a limpeza de resíduos e fuligem, bem como uma ampla revisão semanal.

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Por fim, a umidade da madeira e o vapor de água podem alterar a eficiência do processo. Vários projetos envolvendo o gasogênio ainda estão em plena operação para diferentes fins, muitos deles de aplicação automotiva. Existem até gasogênios modernos e compactos, como o da foto acima, mostrando que essa tecnologia é aplicável comercialmente nos dias atuais.

 

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