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Gasolina: com 30% de etanol os antigos terão problemas, mas governo quer 40%

Gasolina: com 30% de etanol os antigos terão problemas, mas governo quer 40%

A gasolina terá um maior percentual de etanol anidro na mistura quando for oferecido nas bombas, ainda sem data para início da distribuição. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, carros mais antigos terão problemas com a nova composição do combustível derivado do petróleo. Isso porque estes carros são movidos originalmente por gasolina e não foram projetados para suportar um percentual alto de álcool.


Testes teriam sido feitos pela Petrobrás em 2014 e um estudo indicava ser viável o uso de 30% de etanol na gasolina. Uma avaliação foi feita em carros e motos sem tecnologia flex. Em termos de funcionamento, os carros a gasolina mais recentes não tiveram problemas e operaram de forma regular. No entanto, os carros mais antigos, dos anos 70, apresentaram falhas durante a operação.

Estes carros com mais de 20 anos, terão problemas de funcionamento com a gasolina E30. Como essa frota ainda é bem grande em ruas e estradas brasileiras, a ideia será uma distribuição combinada de gasolina E27, enquanto um programa de renovação de frota ajudaria a eliminar das ruas esses veículos velhos. Tal proposta estaria atrelada ao Rota 2030, regime automotivo que ainda aguarda aprovação, substituindo o Inovar-Auto, que expirou em 2017.

Veículos antigos, como os dos anos 90, por exemplo, possuem tecnologias há muitos anos desatualizadas, especialmente o sistema de injeção eletrônica, o que não compensa a alteração com a presença do etanol misturado, porém, o estudo da Petrobrás não revelou quais seriam os danos ao motor no longo prazo e nem mesmo se seria necessário a substituição de um ou mais componentes, assim como haverá maior desgaste de componentes em contato com o etanol.


Gasolina: com 30% de etanol os antigos terão problemas, mas governo quer 40%

40%

Porém, a gasolina E30 não é a meta atual do governo para o combustível. O presidente Michel Temer estaria com um decreto em mãos que prevê esse percentual de 30% misturado ao derivado de petróleo até 2022, mas ainda com a opção da gasolina E27. No entanto, o objetivo final é alcançar uma gasolina E40 até 2030. Ou seja, o combustível atual com mistura de 40% de álcool em sua composição.

Apesar do aumento parecer reduzir o preço do combustível, em realidade ele tornaria a gasolina mais cara, com aumento gradativo na ordem de R$ 0,06 por litro. Para o governo, o custo seria de perder R$ 4 bilhões ao ano em redução na arrecadação de Cide, PIS e Confins, que incidem sobre a gasolina. O temor do governo é que a alta no combustível gere ainda aumento de inflação. Só com a E30, 0 volume anual de cana colhida passaria de 668 milhões de toneladas atualmente para 820 milhões. Isso numa expectativa até 2026.

A produção de cana para o etanol passaria dos atuais 55% para 61% e o volume produzido de 18 bilhões de litros para 31 bilhões de litros todos os anos, reduzindo a produção de açúcar. Mesmo assim, a medida é defendida pelos usineiros que buscam recuperar-se, devido a crise econômica, que colocou boa parte deles em recuperação judicial.

Mas, com a imposição de 40% na mistura, os distribuidores poderão ser punidos com multa por desabastecimento, um dos motivos pelos quais o preço acabará subindo com a venda de certificados de compensação dos produtores. Diante disso, Temer está cauteloso, pois não quer aprovar algo que trará aumento de preços e desoneração fiscal. A análise do impacto ainda está sendo feita pela equipe econômica, mas a Fazenda havia indicado uma redução nos impostos da gasolina para conter a alta de preços.

[Fonte: Folha]

Agradecimentos ao Renato e ao Alexandre.

 

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