
A antiga fórmula das joint ventures chinesas virou de ponta-cabeça, e agora é a Geely quem oferece tecnologia, plataformas e engenharia às fabricantes tradicionais estrangeiras.
O pacote inclui 800 engenheiros, arquiteturas elétricas apoiadas por inteligência artificial, plataformas modulares e sistemas industriais capazes de reduzir custos e encurtar ciclos de desenvolvimento.
Criado em 2021, o External Collaboration Research Institute da Geely já conduz mais de 100 projetos para cerca de uma dúzia de clientes, incluindo Renault e Waymo.
A expansão ganhou novo impulso em julho, quando Ford e Geely concordaram em estabelecer uma joint venture ligada à fábrica espanhola da fabricante americana.
Analistas chamam esse movimento de “joint venture reversa”, conceito também observado nas relações da Stellantis com a Leapmotor e da Volkswagen com a Xpeng.

Zhang Yu, diretor-gerente da Automotive Foresight Co. em Xangai, resume a mudança dizendo que antes os estrangeiros forneciam tecnologia, enquanto agora recorrem aos chineses.
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Aileen Wang, presidente do instituto da Geely, afirma que competir em um dos mercados automotivos mais disputados do mundo fortaleceu velocidade, eficiência e disciplina de custos.
Segundo Wang, entrevistada em 14 de julho no centro global de pesquisa e desenvolvimento da Geely, a vantagem vai além da quantidade de engenheiros disponíveis.
O instituto utiliza recursos da Zhejiang Geely Holding Group Co., oitava maior fabricante mundial em vendas, que comercializou 4,1 milhões de veículos em 2025.
Esse volume colocou o grupo à frente de Honda Motor Co. e Nissan Motor Co., enquanto seu portfólio inclui Volvo, Polestar, Lotus, Proton, Geely, Lynk & Co e Zeekr.

Para fabricantes americanas, europeias, japonesas e sul-coreanas, a parceria oferece capacidade adicional de engenharia em uma fase de dificuldade para acompanhar a velocidade tecnológica chinesa.
A Geely também ganha acesso a fábricas subutilizadas, redes estrangeiras de distribuição, conhecimento regulatório e produção internacional sem precisar realizar grandes investimentos em novas instalações.
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Wang espera dobrar o número de projetos do instituto e ampliar sua equipe dos atuais 800 para 2.000 engenheiros até 2030.
Os serviços atendem projetos em mais de 100 países e abrangem desenvolvimento completo de veículos, consultoria, licenciamento tecnológico, engenharia, planejamento, finanças, fornecimento, produção e vendas.
Entre os recursos oferecidos estão arquiteturas utilizadas pela Zeekr, técnicas modulares de fabricação, baterias para EVs, semicondutores próprios e sistemas elétricos apoiados por inteligência artificial.
Outro ativo é o centro global de segurança inaugurado em 1º de maio, reconhecido pelo Guinness World Records como a maior instalação abrangente de testes veiculares.
A Horse Powertrain exemplifica essa estratégia, reunindo Geely, Renault e Saudi Aramco no desenvolvimento e produção de motores a combustão para diferentes mercados.
Seu New Energy Test Center, inaugurado em 2020, emprega 400 pessoas e possui 32 câmaras para motores a gasolina, híbridos, metanol, etanol e hidrogênio.
Os testes abrangem sistemas de tração dianteira, traseira e integral, enquanto a Horse também atende Mercedes e outras fabricantes chinesas além da Renault.
Bernhard Schoof, engenheiro alemão contratado após trabalhar na Great Wall, afirma nunca ter visto uma estrutura dessa dimensão criada do zero com tamanho planejamento.
Na Coreia do Sul, Renault e Geely produzem híbridos sobre arquitetura chinesa, incluindo a terceira geração do Renault Koleos destinada ao mercado local e exportações.
Esses veículos também serão enviados ao Oriente Médio, América Latina e África, aproveitando capacidade disponível na unidade sul-coreana operada pela Renault.
No Brasil, a Renault utiliza a arquitetura GEA da Geely para ampliar sua gama de modelos de baixa ou nenhuma emissão destinada ao mercado nacional.
Em contrapartida, a Geely aproveita a estrutura produtiva e a rede comercial brasileira da Renault para acelerar sua presença de marca na América do Sul.
Na Espanha, a colaboração com a Ford prevê um novo integrante da família Bronco, um crossover multienergia desenvolvido conjuntamente e dois SUVs da própria Geely.
A Smart também segue lógica semelhante numa parceria 50-50 entre Geely e Mercedes, usando a Electric Compact Architecture no futuro #2 produzido na China para mercados globais.
Steven Wei, diretor de desenvolvimento global de negócios, afirma que até empresas iniciantes interessadas em entrar na indústria procuram o instituto por não dominarem o desenvolvimento automotivo.
Para Wang, essas alianças também ensinam a Geely sobre regulamentações regionais, localização e distribuição internacional, tornando a empresa mais preparada para competir fora da China.
