
A corrida por recargas cada vez mais rápidas ganhou uma nova frente, pois a Geely afirma conseguir reduzir parte da degradação provocada pelo uso frequente de carregadores ultrarrápidos.
A fabricante chinesa apresentou um sistema chamado Smart Charging que combina inteligência artificial e microcorrentes pulsadas, com promessa de ampliar em até 20% a vida útil em ciclos da bateria.
A tecnologia tenta lidar principalmente com a deposição de lítio, fenômeno que pode ocorrer quando uma quantidade muito elevada de corrente entra rapidamente nas células de íons de lítio.
Nesse processo, parte dos íons se acumula sobre a superfície do ânodo, o eletrodo negativo, em vez de ocupar corretamente sua estrutura durante a recarga.
A Geely chama sua solução de tecnologia de restauração por pulsos de íons de lítio, que utiliza micropulsos elétricos para tentar reativar o material acumulado nos eletrodos negativos.

Segundo a empresa, a combinação desse recurso com o gerenciamento inteligente da recarga pode aumentar a vida útil em ciclos em até 20%, considerando o melhor cenário apresentado.
A estratégia também envolve carregadores residenciais, nos quais uma recarga de baixa potência seria capaz de corrigir gradualmente parte da degradação acumulada após sucessivas sessões ultrarrápidas.
Assim, a proposta é usar a potência máxima durante viagens e aproveitar períodos prolongados conectado à rede doméstica para executar o processo de recuperação desenvolvido pela Geely.
O gerenciamento fica sob responsabilidade do Xingrui PowerMind, modelo de inteligência artificial desenvolvido pela fabricante em parceria com a startup chinesa StepFun para controlar todo o ecossistema energético.
O sistema integra veículo, bateria, carregador, nuvem, rede elétrica e armazenamento de energia da estação, modificando continuamente corrente, refrigeração e duração de cada sessão.

Diferentemente de sistemas que reduzem a potência somente depois do aquecimento da bateria, o PowerMind consegue prever a evolução da temperatura com até 30 segundos de antecedência.
A Geely estabelece como objetivo manter a temperatura média da bateria em 55°C durante a recarga e impedir que o pico ultrapasse 65°C mesmo nas maiores potências.
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Para controlar o calor, a fabricante desenvolveu um sistema de refrigeração líquida de cinco pontos, atuando no armazenamento da estação, carregador, cabo, conector e bateria do veículo.
Essa estrutura acompanha a quinta geração da Geely Smart Charging Station, apresentada na quarta-feira em Ningbo, capaz de atingir uma potência máxima de 2.250 kW, ou 2,25 MW.
Nos testes divulgados pela empresa, baterias utilizadas no Lynk & Co 10 e no Zeekr 001 passaram de 10% para 70% em 4 minutos e 30 segundos.

A mesma bateria avançou de 10% para 97% em 8 minutos e 40 segundos, números ligeiramente melhores que os divulgados pela principal tecnologia equivalente da BYD.
A rede Flash Charging da BYD trabalha com até 1.500 kW e já supera 10.000 estações, levando a Blade Battery 2.0 de 10% a 70% em 5 minutos.
Segundo os dados apresentados pela BYD, a recarga de 10% até 97% exige 9 minutos, diferença pequena diante do desempenho informado pela nova estrutura da Geely.
Entre as baterias apresentadas está a Shendun Golden Battery, utilizada nos testes do Lynk & Co 10 e Zeekr 001 e capaz de alcançar pico de recarga de 12C.
A Geely também revelou a Next-Gen Ultra Short Blade Battery, destinada a modelos mais acessíveis e desenvolvida para alcançar uma taxa máxima de recarga de 6C.
Segundo a fabricante, uma nova técnica de soldagem a laser aplicada aos terminais e coberturas das células reduz em 10% a geração de calor durante a recarga.
Caso os resultados se confirmem no uso prolongado, essa bateria poderá levar tempos próximos de 10 minutos a EVs mais baratos, ampliando o alcance da tecnologia além dos modelos Zeekr.
A preocupação com a longevidade não é nova, pois a Tesla limita desde 2017 a velocidade do Supercharging em baterias submetidas a grande quantidade de recargas rápidas em corrente contínua.
A diferença da proposta da Geely está na tentativa de recuperar parte do desgaste acumulado, em vez de depender apenas da redução da potência para preservar a bateria.
O avanço também evidencia a distância para muitos EVs vendidos nos Estados Unidos, onde a potência máxima de recarga ainda permanece consideravelmente abaixo dos 350 kW em diversos modelos.










