GM, Ford, BMW, Volkswagen e Mercedes querem usar IA para cobrar mais por equipamentos e serviços

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Transformar a inteligência artificial em uma nova fonte de receita virou prioridade para grandes montadoras, que enxergam nos assistentes digitais uma maneira de cobrar mais dos motoristas.

General Motors, Ford, BMW, Volkswagen e Mercedes-Benz avançam nessa direção ao integrar sistemas capazes de conhecer hábitos, configurações e informações específicas de cada veículo.

A promessa apresentada ao consumidor é de maior personalização, mas o interesse comercial aparece claramente entre os objetivos dessas empresas ao ampliar a presença da tecnologia a bordo.

A General Motors começou neste ano a liberar o Google Gemini para aproximadamente 4 milhões de veículos nos Estados Unidos, abrangendo modelos do ano 2022 em diante.

Esse movimento representa apenas uma etapa, porque a GM também planeja substituir ou complementar a solução futuramente com um assistente de inteligência artificial desenvolvido pela própria empresa.

Ter uma plataforma própria pode ampliar o controle da fabricante sobre serviços digitais e facilitar a criação de recursos adicionais dentro do ecossistema conectado do automóvel.

A Ford também já oferece um assistente baseado em inteligência artificial por seu aplicativo para smartphones, preparando uma expansão direta para seus veículos a partir de 2027.

Os primeiros modelos com essa integração embarcada deverão ser os SUVs Ford Expedition e Lincoln Navigator, abrindo caminho para uma adoção mais ampla posteriormente.

BMW segue outra estratégia ao incorporar tecnologia da Amazon, enquanto a Volkswagen colocou o ChatGPT dentro de seu assistente de voz já oferecido aos clientes.

A Mercedes-Benz, por sua vez, trabalha junto ao Google em um sistema baseado em inteligência artificial, reforçando como diferentes empresas de tecnologia passaram a disputar espaço nos automóveis.

O potencial financeiro está justamente na capacidade desses assistentes de oferecer algo mais específico do que respostas genéricas encontradas em chatbots disponíveis em celulares ou computadores.

Paul Waatti, diretor de análise da indústria na AutoPacific, afirma que um sistema automotivo corretamente integrado pode compreender muito mais sobre a situação real de um veículo.

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Entre os dados acessíveis poderiam estar nível de carga, pressão dos pneus, rota definida, ajustes da climatização, situação da manutenção e disponibilidade do sistema Super Cruise.

Waatti considera que um assistente próprio da GM pode tornar esse ecossistema mais fácil de acessar, especialmente conforme novas funções do veículo forem incorporadas à plataforma.

Essa integração também cria terreno para que serviços antes incluídos naturalmente no automóvel passem a ser organizados, oferecidos ou ampliados por meio de ferramentas digitais.

Na prática, recursos simples como consultar configurações do ar-condicionado ou informações básicas do carro podem ganhar uma camada de inteligência artificial que nem sempre será indispensável.

O argumento das fabricantes é que essa tecnologia torna a experiência mais conveniente e personalizada, mas a possibilidade de aumentar receitas ajuda a explicar o investimento acelerado.

Quanto mais profundamente o assistente estiver ligado ao veículo, maior também será a capacidade de oferecer funcionalidades adicionais, pacotes digitais e serviços associados ao uso cotidiano.

A mudança ocorre depois de anos em que montadoras passaram a buscar receitas recorrentes por meio de conectividade, assinaturas e funções digitais disponibilizadas após a compra do veículo.

Agora, a inteligência artificial surge como a próxima etapa dessa estratégia, permitindo transformar dados e comandos já existentes em experiências que podem receber novas camadas comerciais.

Resta saber se os motoristas verão valor suficiente nessas funções para pagar mais por elas, especialmente quando muitas tarefas continuam perfeitamente acessíveis por comandos convencionais.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook