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GM quer mercado brasileiro aberto e sem incentivos fiscais

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Barry Engle, CEO da GM para a América do Sul, disse durante o seminário “´Perspectivas Brasil 2017”, realizada pela Câmara Americana de Comércio, em São Paulo, que a montadora não quer incentivos, nem a presença do governo dentro da empresa e dos negócios.

Para Engle, um mercado aberto e sem incentivos fiscais é mais saudável para a indústria automobilística como um todo. O intuito é ter competitividade, pois não dá para investir US$ 1 bilhão em uma fábrica para atender apenas o mercado nacional, exemplifica o executivo.

O chefe da GM aponta a alta carga tributária, o gargalo logístico, a mão de obra cara e a burocracia como alguns impedimentos para a eficiência do setor e das exportações. Engle compara os custos de produção no Brasil com o México, onde é duas vezes mais barato produzir um carro que aqui.

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Além disso, disse que aqui se demora mais para construir um carro e a montadora ainda tem de pagar mais por isso. Para exportar, Barry Engle argumenta que é necessário competir com outros países para conseguir clientes no exterior.

O líder da GM também falou que a abertura do mercado tem de ser gradual para evitar milhares de demissões. Ele aponta que o setor é competitivo em curto prazo, mas insustentável a longo prazo.

Para a GM, somente com reformas econômicas o setor e o mercado poderão voltar a crescer e ser competitivos. Engle diz que a indústria conseguirá até baixar preços com tais mudanças, beneficiando o consumidor final.

No entanto, ele alerta que não adianta as montadoras reduzirem os custos se a carga tributária imposta em cada carro alcança 50% do valor do produto. Assim, “fica difícil cobrar menos por ele”. Barry Engle diz que o processo já começou e as reivindicações serão levadas ao novo governo.

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Investimento de R$ 13 bilhões

O CEO da GM South America diz que a montadora está fazendo seu papel e manteve o investimento de R$ 13 bilhões para o período entre 2013 e 2019. Novos produtos foram lançados e, de acordo com Engle, a empresa negociou bem acordos com fornecedores e sindicatos, mesmo com 2 mil demissões.

Para 2016, Engle acredita que o mercado brasileiro fechará com 2,1 milhões de veículos vendidos, o que significa uma redução de 20% em comparação com 2015. Segundo ele, setembro foi o pior mês em muitos anos, mas a GM conseguiu não só liderar, mas também garantir uma boa vantagem para a rival Fiat. Foram 18,2% contra 14,2% de market share.

Para 2017, ele acredita que haverá alta entre 10% e 15%, pois “já chegamos ao fundo do poço, já passamos pelo pior. A partir de agora vamos ter um crescimento gradual e lento”, disse.

Retomada do crédito, da confiança do consumidor e a baixa dos juros beneficiará a recuperação do mercado. Engle aposta em um aquecimento já no último trimestre, graças à presença do novo governo.

Para a GM, o Brasil tem um potencial enorme e investir aqui é muito importante, ainda mais por ter muito espaço para ser explorado. No país, há 200 carros para cada 1.000 habitantes, enquanto nos EUA existem 800/1.000 pessoas. Ou seja, o país ainda é pouco motorizado na visão da montadora.

[Fonte: Exame]







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