Gol 1.6: quadrado, bolinha, G3, G4, G5, G6, G7

VW Gol automático
VW Gol automático

O Gol 1.6 foi uma importante opção para o hatch compacto da VW desde 1982, quando o clássico projeto BX usou um propulsor boxer a ar 1600.

De lá para cá, o Gol 1.6 teve diversos motores de 1.6 litro, originários da própria VW, Audi e Ford, passando de topo de linha no início para intermediário e de entrada em parte de sua vida.

Hoje, o Gol não tem mais opção 1.6 e seu destino será sair de cena ao final de 2022 ou começo de 2023, o provável, com motor 1.0 litro e assim encerrar sua longa história de 43 anos de Brasil.

O Gol com motor 1.6 sempre reuniu bom custo-benefício é a foi a opção de milhões de brasileiros ao longo de quatro décadas.

Ele aliou bom desempenho com economia de combustível em muitos momentos, passando de tecnologia rudimentar até a opção mais avançada da VW com esse volume em seu portfólio.

Gol 1.6 – detalhes

volkswagen gol g7 1

O Gol 1.6 foi originalmente lançado em versões com maior conteúdo, como LS e GL, chegando a opções como Trend e Comfortline, mas muitas vezes atuando como simplesmente 1.6, adquirindo vários itens opcionais.

Esse modelo do Gol começou usando o motor boxer 1600 a ar em 1982 com 66 cavalos, tendo sido uma resposta à baixa performance do Gol 1300 usado pela VW até a versão BX em 1986.

Nos idos dos anos 80, o Gol 1.6 migrou para o motor AP-600, tendo passado antes pelo MD-270 nesta geração. Considerado o melhor motor já feito no Brasil, o AP foi produzido por 28 anos no país.

Com ele, o Gol 1.6 se tornou um carro do povo e ainda hoje é cultuado com esse longevo propulsor, que começou com carburador de corpo duplo, passando pelo eletrônico e depois para injeção, monoponto e multiponto.

O Gol 1.6 com AP teve 80 ou 90 cavalos, dependendo do combustível nos anos 80, caindo até 76 cavalos na época do Gol Bolinha, mas depois subindo até 99 cavalos nos Gol G3 e Gol G4.

gol 2013

Ele foi tão versátil que usou tecnologia flex em seus últimos anos no Gol 1.6, tendo sustentado também os irmãos VW Voyage, VW Saveiro e VW Parati.

Mas o Gol 1.6 não teve apenas estes dois motores. No meio da estrada, surgiu a Autolatina e com ela o velho conhecido motor CHT da Ford, que virou AE-1600 na VW.

Substituindo o AP no Gol durante alguns anos, surgiu ainda nos anos 80, ainda com carburador e depois com injeção eletrônica, entregando 76 cavalos inicialmente e não passando disso.

Foi o motor que originou o Gol 1000, mas não trouxe benefícios ao Gol 1.6, que ficou bem limitado com o diminuto motor da Ford e morreu com o fim da Autolatina.

Após mais alguns anos com o AP, o Gol mudou de geração completamente em 2008 e com ele veio o já usado EA111, mas este foi empregado no hatch em versões 1.0 8V, 1.0 16V e 1.0 16V Turbo.

Volkswagen Gol 2010 3

O Novo Gol 1.6 surgiu com 101 cavalos na gasolina e 104 cavalos no etanol, sendo assim o maior motor da nova geração, o Gol G5.

Com ele, o Gol ganhou transmissão automatizada e depois a versão 16V do mesmo, mas da geração EA211.

Na versão Rallye, por exemplo, o Gol 1.6 16V chegou a ter 120 cavalos e também opção automatizada.

No Gol G7, o motor 1.6 manteve as 16V e adicionou câmbio automático de seis marchas, morrendo com ele em 2021.

Gol 1.6 – G7

gol 2020 1

O Gol 1.6 da geração G7 retornou ao EA111 como maior motor e não recebeu modificações mecânicas inicialmente. A transmissão automatizada saiu de cena e o visual adotou a frente da Saveiro.

Mais parrudo, o Gol G7 eliminou também a carroceria de duas portas da G6 e manteve seu baixo custo, ainda que o novo painel texturizado tenha sido um ganho em acabamento.

Já no equipamento, a multimídia com Android Auto e CarPlay foi a melhor coisa que o hatch poderia ganhar, tornando a usabilidade de navegação muito mais aprimorada.

Ainda que tenha sido melhorado em alguns aspectos, continuou simples, mas a coisa mudou quando a VW pela primeira vez na história do Gol, disponibilizou a transmissão automática Tiptronic.

Com seis marchas, paddle shifts e modo Sport, a caixa era a mesma de outros modelos da VW, indo hoje até o argentino Taos ou mesmo sendo usada no Jetta mexicano.

Para fazer dupla, a VW retornou o motor EA211 1.6 16V e fez o Gol 1.6 automático chamar atenção do mercado.

Mantendo os números de potência e torque do Gol Rallye G6, o automático ia de 0 a 100 km/h em 10,1 segundos e com final de 185 km/h.

No consumo, esse Gol 1.6 automático fazia 11,1 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada, com gasolina.

O Gol 1.6 saiu de linha em 2021 e o hatch aguarda agora seu fim em 2022.

Gol 1.6 – G6

Gol 2014

Em mais uma atualização visual, que deixou as formas da frente mais retilíneas, o Gol 1.6 na geração G6 manteve o EA111 1.6 como opção mais forte inicialmente, atendendo as versões 1.6, Comfortline 1.6 e Power 1.6.

Depois, surgiram as versões Highline, Rallye e Seleção. No segundo caso, a VW introduziu um novo motor 1.6 no Gol, que ficou ainda mais potente.

Esse era o EA211 1.6 16V, sendo o primeiro 1.6 litro com este tipo de cabeçote a ser usado pela VW no Brasil.

Com 110 cavalos na gasolina e 120 cavalos no etanol, o 1.6 16V tinha 15,8 kgfm no primeiro e 16,8 kgfm no segundo, mas obtidos a 4.000 rpm.

Assim como o EA111, o EA211 também teve opção de câmbio automatizado na versão I-Motion.

O Gol 1.6 nunca ficou tão rápido, indo de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e com final de 190 km/h.

Só que o consumo não era dos melhores, mesmo no manual, fazendo médias de 7,7 km/l na cidade e 8,0 km/l na estrada, ambos com etanol.

Na gasolina, eram 11,1 km/l no urbano e 11,3 km/l no rodoviário.

Essa opção no Gol Rallye durou até o fim da G6, que nesse caso teve ainda faróis de dupla função, suspensão robusta e visual esportivo.

Gol 1.6 – G5

Gol 2010

O Gol 1.6 passou para a geração G5 e com ela, o motor EA111 entrou em cena, agora em posição transversal, com o 1.6 litro voltando a ser o maior motor do modelo desde 1982.

Disponível em versões de acesso, Comfortline e Power, o Gol 1.6 chegou com 101 cavalos na gasolina e 104 cavalos no etanol, além de 15,4 kgfm no primeiro e 15,6 kgfm no segundos, ambos a 2.500 rpm.

Forte, o Gol com essa motorização ia de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos e com máxima de 192 km/h.

Gostoso de dirigir, podia ter airbag duplo, freios com ABS, trio elétrico, rádio 1din, ar condicionado, direção hidráulica e computador de bordo, entre outros.

A nova geração do Gol 1.6, que usava a plataforma PQ24 modificada, estrearia uma opção nova e inédita no modelo.

Era o câmbio automatizado ASG na versão I-Motion, que era a designação desse tipo de transmissão na VW.

Ele oferecia modo Sport e opção de trocas manuais na alavanca ou paddle shifts, deixando o Gol 1.6 mais sofisticado e esportivo.

Gol 1.6 – G4

volkswagen gol power 2007

O Gol G4 foi uma simplificação do G3 e manteve o Gol 1.6 como opção, especialmente na versão Power, mantendo as potências e torques do modelo anterior.

O Gol 1.6 dessa época perdeu muita coisa, pois, a simplificação podou o uso de itens como freio ABS e airbag duplo.

Esse empobrecimento fez, por exemplo, o Gol Power adotar o painel do extinto G3 para ter as bolsas infláveis de volta.

Foi a pior geração do Gol e o motor AP-1600 acabou morrendo com ela, deixando para trás um longo legado no hatch da VW.

Também foi o fim da plataforma AB9 com conjunto motriz em longitudinal, encerrando um ciclo que começou em 1980.

Gol 1.6 – G3

volkswagen gol 2003

O Gol G3 foi o maior evolução da segunda geração do hatch da VW, chegando a ter painel inspirado no Golf e motorização 1.0 Turbo, mas seu Gol 1.6 continuava com o velho e bom AP-1600.

A potência foi para 92 cavalos e 13,8 kgfm, usando gasolina. Sem versão definida, já que era preciso montar o carro com inúmeros opcionais, o Gol G3 1.6 podia ser bem completo, literalmente com tudo dentro.

Em 2003, ele estreou o sistema Total Flex, que mudaria para sempre o mercado automotivo nacional.

Com 97 cavalos na gasolina e 99 cavalos no etanol, o Gol 1.6 alcançou pela primeira vez, torque acima de 14 kgfm, tendo isto com gasolina e 14,3 kgfm no etanol, ambos a 3.000 rpm.

O Gol G3 podia ter airbag duplo, volante com comandos de áudio, freios ABS, sistema de áudio integrado com CD, computador de bordo, entre outros.

Gol 1.6 – G2 Bolinha

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O Gol 1.6 da geração G2 marcou o retorno do motor AP-1600, desta vez com injeção eletrônica monoponto. O hatch passou a ter uma nova carroceria sobre a velha plataforma BX, mas com novo nome: AB9.

Tendo carroceria mais larga e longa, o Gol 1.6 G2 cresceu, mas a posição longitudinal do motor e do câmbio, assim como a posição da caixa de direção e dos pedais, deixou a posição de dirigir deslocada.

O Gol CL 1.6 saiu de fábrica com 86 cavalos em 1995 e no ano seguinte, a potência caiu para 81 cavalos, ambos com gasolina, para adequação ambiental.

O velho AP-1600 passou a ter injeção multiponto da FIC (Ford) em 1997, novamente na versão CL, que entregava 88,5 cavalos a 5.500 rpm e 13,2 kgfm a 3.250 rpm, com gasolina.

No mesmo ano, o Gol GL ganhou opção 1.6 e com o fim da Autolatina, o Gol 1.6 teve injeção da Bosch no lugar da FIC.

Gol 1.6 – quadrado

gol quadrado 1

O Gol 1.6 da primeira geração, conhecida como “Gol quadrado” ou “Gol caixa”, chegou em 1982 nas versões S, LS e Copa, tendo motor boxer 1600 a ar com dois carburadores, 66 cavalos e 12 kgfm.

Com quatro marchas, o “Gol 1600” tinha desempenho modesto, indo de 0 a 100 km/h em 18,2 segundos, chegando 139 km/h.

O consumo era de 8 km/l na cidade e 12 km/l na estrada, usando gasolina.

Usando pneus 155/80 R13 e com 3,79 m de comprimento, o Gol 1.6 a ar tinha 334 litros no bagageiro, já que o estepe ia dentro do cofre do motor, assim como o rival Fiat Spazio.

Essa geração quadrada do Gol 1.6 teve ainda o AP-600, que chegou na linha 1985, deixando o 1600 apenas na versão BX.

O motor MD-270 é o conhecido EA827 refrigerado à água, com bloco de ferro e cabeçote de alumínio, com carburador e tinha dois tamanhos (1.5 e 1.6), mas o primeiro nunca foi usado no Gol.

Com 1.588 cm³, o MD-270 tinha biela curta e entregava 81 cavalos a 5.200 rpm e 12,8 kgfm a 2.600 rpm, tendo duas opções de câmbio manual.

Havia o longo com cinco marchas e o curto com quatro velocidades, uma opção interessante para a época.

Por causa do maior volume interno, o MD-270 com seus quatro cilindros em linha, impedia a colocação do estepe, que foi para o porta-malas, que perdeu muito espaço.

O visual mudou, passando dos faróis simples do Gol 1600 a ar, que virou BX, para a frente do Voyage e da Parati.

Em 1987 o visual externo mudou, enquanto no ano seguinte, foi o painel que alterou sua forma. O MD-270 foi trocado pelo AP-600, depois AP-1600, uma variante de biela longa do EA827 e com 1.596 cm³.

Com carburador de corpo duplo, o AP 1.6 entregava 80 cavalos na gasolina e 90 cavalos no álcool, ambos a 5.600 rpm e 13 kgfm a 2.600 rpm no etanol.

Dois anos depois, o Gol 1.6 na versão CL, ganhou o AE-1600, o CHT da Ford com carburador duplo e entregando 76 cavalos a 5.600 rpm e 13,3 kgfm a 3.200 rpm, usando gasolina.

Recebendo o Gol 1.6, o visual conhecido como “chinesinho” em 1991, o hatch usou esse motor até a chegada da nova geração, sempre na versão CL e acabamento simplificado.

Gol 1.6 – motores

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O Gol 1.6 existiu com motores boxer 1600, MD-270, AP-600, AP-1600, AE-1600, EA111 e EA211, tendo usado transmissão manual de quatro ou cinco marchas, automatizado de cinco marchas e automático de seis marchas.

Iniciando a vida com o boxer 1600, o Gol 1.6 substituiu o 1300, tendo refrigeração a ar por rotor no alternador, tendo dois carburadores que alimentavam os quatro cilindros opostos.

Com 1.584 cm³, teve até 66 cavalos. Já o MD-270 tinha 1.588 cm³ e alcançou até 81 cavalos, tendo biela curta.

Depois, a VW adicionou rapidamente o AP-600 com até 90 cavalos com carburador e AP-1600 até 99 cavalos, usando esse injeção eletrônica multiponto flex.

A VW ainda utilizou os EA111 e EA211, respectivamente com 8V e 16V, tendo até 104 cavalos no primeiro e 120 cavalos no segundo.

O único motor de origem não-VW foi o AE-1600 da Ford, conhecido como CHT. Ele teve 76 cavalos e usou tanto carburador quanto injeção monoponto.

Gol 1.6 – fotos

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.