Gol BX: o que é, motor, anos e versões

O que é um Gol BX? Essa sigla é simplesmente o nome do projeto interno do modelo, quando foi inicialmente lançado no Brasil, em 1980.


Por isso podemos chamar de Gol BX todos os Gol quadrado, sendo que na prática o modelo que é comumente chamado de BX é aquele equipado com motor refrigerado a ar, constando no portfólio da Volkswagen até 1986.

Derivado da segunda motorização do VW Gol, a versão BX foi um produto dos anos 80 e que acabou na época em que o mercado nacional perdeu diversas opções, sendo a maior delas, a do VW Fusca.

Foi o quase fim de uma era, visto que a Volkswagen continuou a produzir a VW Kombi com motorização a ar e ainda não se imaginava que, após sete anos, o VW Fusca Itamar ressurgiria no Brasil.

Ainda assim, o Gol BX foi o último carro da VW com motor dianteiro boxer a ar, lembrando que a VW Saveiro também ostentou a motorização por algum tempo.

O Gol BX liberou o hatch popular para liderar o mercado no ano seguinte à sua saída e dessa posição, ele só sairia 27 anos depois, sendo o carro mais vendido do mercado brasileiro por mais tempo na história.

Gol BX – história e novidades

A história do Gol começou com motor a ar em 1980, e ele foi vendido assim exclusivamente até 1983. No ano seguinte, a VW adicionou o esportivo Gol GT com motor 1.8 a água e depois as demais versões, restando o Gol BX como opção mais simples da linha.

Mas além de hoje em dia se falar Gol BX para se designar o Gol com motor a ar, sabia que ele teve uma versão chamada BX?

Pois é, a versão BX surgiu no final de 1983, tendo para-choques pintados de cinza com ponteiras maiores, nova grade, partida a frio automática e painel revestido de material macio.

No lineup do Gol da época, existiam as versões BX, L e LS, porém, no ano seguinte, o Gol GT surgiu com motor AP-800 1.8 com refrigeração a água e logo depois, em 1985, surgem as versões S e LS com motor AP-600.

O Gol BX era uma versão mais simples do compacto da Volkswagen, mantendo o motor boxer 1600 a ar de quatro cilindros e montado na dianteira, tendo 1.584 cm³ e dois carburadores de corpo simples.

Com rotor no alternador, o propulsor entregava 51 cavalos a 4.400 rpm e 10,5 kgfm a 3.000 rpm, além de câmbio de manual de quatro marchas.

O motor boxer permitiu a colocação do estepe no cofre, com a roda sobre um dos carburadores, enquanto o porta-malas ficou totalmente livre, com 334 litros.

Com faróis simples, rodas de aço aro 13 polegadas sem calotas, bem como vidros manuais, retrovisor externo apenas no lado esquerdo, bancos em tecido, banco traseiro inteiriço, painel simples e sem itens de conforto ou luxo.

Gol BX – detalhes e equipamentos

O Gol BX era um carro bastante básico, mas ele acabou recebendo atenção por ser a única opção com a estética original do hatch e também por ainda possuir o propulsor refrigerador a ar.

Nesse caso, a frente tinha faróis simples e quadrados, sendo menores que os do Voyage e dispostos nas extremidades da carroceria.

A grade tinha seis frisos horizontais pretos, o logotipo pequeno da VW e um badge “1.6” em vermelho, enquanto o para-choque laminado era cinza com bolachões laterais e piscas integrados.

Nas laterais não havia friso, assim como maçanetas, molduras das janelas e calhas em cinza, tendo ainda retrovisor do lado esquerdo em plástico preto.

As rodas de aro 13 polegadas eram de aço estampado com cones de cubo central e sem calotas, tendo pneus 155/80 R13.

Já na traseira, as lanternas eram quadradas e a tampa do bagageiro tinha vigia sem desembaçador traseiro ou limpador, além de fechadura.

Havia badges “Volkswagen”, logo VW e “Gol”, com “BX” sendo um adesivo, enquanto abaixo ficava a área da placa junto às lanternas e o para-choque laminado cinza com bolachões laterais.

Por dentro, o Gol BX tinha um painel simples e horizontalizado, com cluster retirado da VW Variant II e usado em toda a linha Gol, Voyage, Parati e Saveiro até 1987.

Ele tinha velocímetro com hodômetro total, assim como nível de combustível e luzes-espia. Não havia relógio e muito menos conta-giros.

O volante “Fox” tinha dois raios e nos comandos abaixo da instrumentação, havia o botão do injeção, além de partida e farol. A luz de alerta era uma haste sobre a direção.

O conjunto frontal tinha espaço para um alto-falante, porta-luvas com chave, espaço para rádio e comandos de ventilação por alavancas, assim como difusores de ar apenas centrais.

Tinha até cinzeiro no painel e bancos simples em tecido, com apoios de cabeça e reclinação nos dianteiros.

As janelas tinham quebra-vento que ajudam na ventilação interna, com os vidros manuais e as travas por pinos. Havia tecido simples nas portas, com apoios de braço e porta-objetos.

O banco traseiro tinha rebatimento e o teto dispunha de luz interna, bem como para-sois e retrovisor simples. O limpador tinha 2 velocidades e o lavador era acionado por bombinha de pé.

O porta-malas tinha 334 litros com carpete no assoalho plano, além de tampa de cobertura do bagageiro.

Gol BX – motor

Gol BX motor

O motor boxer do Gol BX era um propulsor projetado nos anos 30, que durou no Brasil até 2006 a bordo da Kombi, tendo uma concepção compartilhada com os primeiros carros da Porsche.

Nos anos 80, a VW começou com esse boxer refrigerado a ar em modelos como Variant II, Brasília, Fusca e Kombi, mas também com Gol e Saveiro.

O Gol teve uma versão 1300, sendo o mesmo motor do Fusca 1300, mas em 1982, o motor 1600 foi usado no Gol e a versão BX assumiu ele com exclusividade a partir de 1983 e seguiu até 1986.

Com carcaça de magnésio e camisas de aço com aletas para refrigeração, o boxer tinha dois cabeçotes de alumínio com balancins e válvulas acionadas por varetas em capas de tuchos.

Estas eram acionadas por um comando dentro da carcaça. Dois carburadores de corpo simples da Solex com filtros de ar independentes, dentro de compartimentos metálicos, mas com coletor único.

Sobre a carcaça, bomba de combustível e rotor de distribuição com bobina central e rotor de refrigeração a ar dos cilindros, copiado do Porsche 911 da época, acionado pela correia e contendo o alternador.

O cofre do motor, além do estepe, tinha ainda reservatório de gasolina para partida a frio, pois, o álcool necessitava desse aditivo em dias frios.

Com 1.584 cm³, o propulsor entregava 51 cavalos a 4.400 rpm e 10,5 kgfm a 3.000 rpm, sendo números líquidos, pois, na época eram medidos também a potência bruta, que no caso era de 66 cavalos.

A transmissão manual era de quatro marchas com embreagem de acionamento mecânico.

Gol BX – desempenho e consumo

Movido à álcool, o Gol BX ia de 0 a 100 km/h em 18,1 segundos e velocidade máxima de 142 km/h.

O consumo era de 6 km/l na cidade e 11 km/l na estrada, abastecido com álcool e com o carro pesando 780 kg apenas.

Seu tanque tinha 55 litros e permitia assim autonomia de 605 km na estrada, enquanto na cidade fazia 330 km.

Gol BX – fotos

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.