
A aposta da Harley-Davidson em motos mais baratas agora cobra seu preço no mercado de crédito, antes mesmo de mostrar se consegue recuperar vendas.
A S&P Global Ratings rebaixou na quarta-feira as notas de crédito da Harley-Davidson Inc. para grau especulativo, o chamado “junk rating”, ou “classificação lixo”, citando a nova estratégia comercial da empresa.
O plano da fabricante prevê vender motocicletas de menor custo para ampliar receita, ganhar volume nas lojas e tentar recuperar participação de mercado.
Segundo a S&P, essa mudança pode elevar as vendas no varejo, mas deve manter a rentabilidade sob pressão por algum tempo.
A agência estima que uma medida ajustada das margens da Harley-Davidson, especialmente a margem Ebitda ajustada, fique perto de 5% a 6% em 2026.

A volta para uma margem próxima de 10% pode levar “vários anos”, de acordo com a avaliação divulgada pela classificadora de risco.
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O curto prazo também traz obstáculos adicionais, incluindo despesas de reestruturação e custos com tarifas, dois fatores que reduzem espaço para melhora rápida nos resultados.
Num horizonte médio, a venda de mais modelos de preço inferior pode pesar sobre as margens, mesmo que ajude a colocar mais motos nas ruas.
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Artie Starrs assumiu como diretor-presidente da Harley-Davidson em outubro e passa a liderar a empresa em um momento delicado para o consumo.
Sua meta é tornar as motocicletas mais acessíveis em meio a inflação e juros ainda relativamente altos, cenário que limita compras de maior valor.

A lógica da nova gestão é compensar preços menores com volumes mais altos e, depois, recuperar lucro por meio de escala e receitas complementares.
Uma peça importante dessa conta está no negócio de peças e acessórios, área forte da Harley-Davidson e ligada à personalização das motocicletas pelos clientes.
A S&P reduziu em um nível a classificação da dívida sem garantia da Harley-Davidson, que passou para BB+, o degrau mais alto dentro do grau especulativo.
A Moody’s Ratings ainda mantém a empresa um nível acima do equivalente a essa nota, enquanto a Fitch a coloca dois níveis acima, ambas em grau de investimento.
Essa diferença mostra que a leitura sobre a situação financeira da Harley-Davidson não é uniforme entre as principais classificadoras.
Para a S&P, porém, a combinação de margens menores, custos extras e uma virada comercial baseada em produtos mais baratos aumenta o risco percebido.
Em 31 de março, a Harley-Davidson tinha cerca de US$ 1,63 bilhão (R$ 8,4 bilhões) em dívida líquida de longo prazo, segundo documento trimestral.
O rebaixamento não significa falta imediata de caixa, mas torna mais claro o tamanho do desafio criado pela tentativa de atrair novos compradores.
A marca precisa provar que consegue vender mais sem diluir demais sua rentabilidade, preservando ao mesmo tempo o valor de imagem construído em torno de motos premium.
Esse equilíbrio será decisivo para saber se a estratégia de Artie Starrs vira uma nova fase de crescimento ou prolonga a pressão sobre a empresa.
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