
Uma lacuna inédita surgirá na linha americana da Honda, que ficará sem qualquer EV após encerrar as vendas de seu único modelo elétrico disponível.
O Prologue deixará o mercado depois da conclusão do ano-modelo 2026, conforme confirmou um representante da fabricante ao site CarBuzz na quinta-feira.
A decisão encerra uma trajetória de pouco mais de dois anos para um SUV que chegou a figurar entre os EVs mais vendidos dos Estados Unidos.
Lançado em março de 2024, o modelo acumulou mais de 80.000 unidades e chegou a disputar espaço com Tesla Model Y e Model 3.
Durante seu primeiro ano completo, o Prologue terminou como o sexto EV mais comercializado do país, atrás de cinco concorrentes de grande volume.

Na primeira metade deste ano, ainda ocupava a oitava posição nacional, mesmo depois de suas vendas recuarem 48% na comparação anual.
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A continuidade do modelo já vinha sendo questionada desde que a Honda cancelou seus próximos projetos elétricos destinados ao mercado norte-americano.
Os planos interrompidos incluíam o SUV e o sedã da Série 0, além do Acura RSX, todos previstos sobre uma arquitetura própria.
Esses veículos deveriam entrar em fabricação ainda neste ano no centro industrial de Ohio preparado inicialmente para receber uma nova geração de EVs.
O Prologue segue uma solução diferente, pois utiliza a plataforma Ultium da General Motors, compartilhada com produtos Chevrolet, GMC e Cadillac.

A mesma base sustentava o Acura ZDX, cuja fabricação terminou no ano passado, deixando o Honda como único representante elétrico do grupo no país.
Meses antes da confirmação, a empresa havia rejeitado informações de que o SUV sairia de linha em dezembro, classificando a previsão como mera especulação.
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Agora, a Honda assegura que proprietários continuarão recebendo atendimento completo na rede, incluindo manutenção, peças e cobertura prevista pela garantia.
A retirada também acompanha o abandono gradual da denominação Ultium pela General Motors, embora a ausência de um substituto torne a situação mais relevante.
Sem o Prologue, a Honda ficará sem EVs, plataforma elétrica própria em atividade e estrutura dedicada exclusivamente a esse tipo de automóvel nos Estados Unidos.

A fábrica de Ohio planejada como centro elétrico passará a produzir modelos híbridos e a gasolina, refletindo a nova prioridade definida pela administração.
A empresa aposta agora em uma geração renovada de híbridos para recuperar resultados, começando pelos primeiros lançamentos programados para o próximo ano.
Até 2030, o planejamento global prevê 15 novos modelos híbridos, incluindo veículos maiores dos segmentos D ou superiores destinados à América do Norte.
Reduzir a ofensiva elétrica terá um custo estimado em 2,5 trilhões de ienes (R$ 86,2 bilhões), concentrado principalmente no próximo exercício fiscal.
Somente no período encerrado em março, as atividades relacionadas a EVs acumularam perdas de 1,45 trilhão de ienes (R$ 50 bilhões).
As perdas operacionais chegaram a 414,3 bilhões de ienes (R$ 14,3 bilhões), representando o pior resultado já registrado pela fabricante nessa área.
O encerramento ocorre apesar da boa recepção comercial do Prologue, cuja presença entre os dez primeiros contrastava com a mudança estratégica da Honda.
A aposta em híbridos pode reduzir custos no curto prazo, mas deixa a empresa mais distante de concorrentes que continuam ampliando baterias, plataformas e fábricas.
O Prologue termina, assim, não por falta completa de compradores, mas porque a Honda decidiu abandonar temporariamente a expansão elétrica nos Estados Unidos.
