
Poucos dias após funcionários cruzarem os braços contra a expansão dos robôs nas fábricas, a Hyundai decidiu assumir integralmente a empresa que produz essas máquinas.
O grupo confirmou a compra da participação restante da SoftBank na Boston Dynamics, transformando a companhia norte-americana em uma subsidiária totalmente controlada.
A movimentação reforça o contraste entre os planos industriais da montadora e a preocupação de trabalhadores que temem perder espaço para sistemas humanoides.
A Hyundai entrou nesse setor em 2021, ao adquirir 80% da Boston Dynamics, então considerada uma das principais referências mundiais em robótica.
Desde aquele acordo, o grupo ampliou gradualmente sua fatia e agora ficará também com os cerca de 10% ainda mantidos pela SoftBank.
Segundo a Hyundai, o controle completo facilitará investimentos de longo prazo, decisões estratégicas e até uma possível abertura de capital da empresa.
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Os valores oficiais não foram divulgados, mas a imprensa sul-coreana estima uma operação próxima de US$ 335 milhões (R$ 1,742 bilhão), segundo a Reuters.
O principal centro dessa estratégia é o Atlas, robô humanoide que a Hyundai pretende levar em grande escala às fábricas das marcas Hyundai e Kia.
A meta prevê mais de 25.000 unidades trabalhando nas instalações do grupo, possivelmente começando pela Metaplant da Hyundai, na Geórgia, em 2028.
A unidade da Kia no mesmo estado poderá receber os humanoides no ano seguinte, enquanto a produção anual deve chegar a 30.000 exemplares até 2028.
Inicialmente, o Atlas ficará responsável pela organização sequencial de peças, mas suas funções poderão incluir montagem de componentes a partir de 2030.
O robô mede 1,90 m, pesa cerca de 89,8 kg e consegue erguer momentaneamente aproximadamente 49,9 kg, segundo dados publicados pelo Wall Street Journal.
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A compra da Boston Dynamics pela Hyundai vai acelerar a fábrica com humanoides Atlas e impactar empregos; qual reação?
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Durante atividades prolongadas, ele pode sustentar cerca de 29,9 kg, enquanto a autonomia atual da bateria chega a quatro horas de funcionamento.
A Boston Dynamics também destaca a propriocepção do Atlas, capacidade de perceber a própria posição corporal e compensar movimentos durante tarefas com peso.
A versão atual representa uma transformação profunda em relação ao primeiro Atlas, criado há mais de uma década para uma competição militar norte-americana.
Aquele projeto utilizava componentes hidráulicos e permanecia ligado por cabo, enquanto o modelo recente foi reconstruído para aplicações industriais regulares.
Funcionários da Hyundai disseram ter sido surpreendidos pela apresentação de janeiro, pois o novo Atlas ainda não havia aparecido publicamente antes do evento.
A reação sindical ganhou força nesta semana, quando trabalhadores das fábricas sul-coreanas realizaram uma paralisação parcial para pressionar a direção do grupo.
Representantes afirmam que nenhum robô deverá assumir uma função sem o acordo dos empregados que atualmente ocupam essas posições nas linhas produtivas.
O sindicato também tenta substituir o pagamento por hora por salários fixos, evitando perda de renda caso a automação reduza o tempo de trabalho disponível.
Cada Atlas custa aproximadamente US$ 130.000 (R$ 676.000), conforme cálculo de um instituto de pesquisa ligado ao governo da Coreia do Sul.
A economia estimada com mão de obra permitiria recuperar esse investimento em cerca de dois anos, tornando a adoção atraente para grandes fabricantes.
A Hyundai não está sozinha nessa corrida, pois a Tesla prepara o Optimus, enquanto a BMW realiza testes na Alemanha e na Carolina do Sul.
A Xiaomi iniciou experiências com humanoides em fábricas de EVs, e a Schaeffler já utiliza máquinas com quatro dedos em operações norte-americanas.
A Mitsubishi pretende empregar robôs na produção de motores, enquanto a GM ampliou o uso de sistemas colaborativos em Detroit e reduziu cerca de 1.000 postos.
Embora essas tecnologias ainda sejam pouco comuns nas fábricas, a compra integral da Boston Dynamics mostra que a Hyundai pretende acelerar justamente onde seus funcionários pedem cautela.
