Indústria automotiva do Reino Unido e da UE admite que não consegue cumprir a meta que ela mesma esperava alcançar

europa uniao europeia (2)
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A promessa de uma cadeia europeia forte para baterias esbarra agora em um prazo que a indústria automotiva considera impossível de cumprir.

Montadoras da União Europeia e do Reino Unido pressionam a Comissão Europeia a alterar o acordo comercial do Brexit e suspender novamente tarifas sobre importações de EVs.

O receio central é que as empresas não consigam atender às exigências previstas para 1º de janeiro de 2027, quando acabam as flexibilizações atuais.

Pelo Acordo de Comércio e Cooperação entre União Europeia e Reino Unido, em vigor desde 2021, regras de origem determinam quais produtos podem circular sem tarifas.

O acordo do Brexit fechado em 2020 estabeleceu que 55% do valor de um carro deveria ser produzido na Europa até 1º de janeiro de 2027.

A mesma regra exige que 70% do pacote de bateria e 65% das células de bateria também sejam fabricados em território europeu.

A expectativa inicial era que 30% dos pacotes e células de bateria fossem feitos na União Europeia ou no Reino Unido poucos anos após o acordo.

Esse desenho pretendia usar as regras de origem como estímulo direto para atrair investimentos em fábricas locais de baterias.

Até 2023, porém, já estava claro que a meta não avançava como previsto, em parte pela Covid e pela falta de semicondutores ligada à invasão russa da Ucrânia.

Pressionada pelas montadoras, a Comissão Europeia aceitou suspender as regras por três anos, adiando sua aplicação até o fim deste ano.

Faltando sete meses para o novo prazo, a indústria informa a Bruxelas que os objetivos de baterias “fabricadas na Europa” continuam fora de alcance.

Jonathan O’Riordan, diretor de comércio internacional da ACEA, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, disse que a previsão mudou de forma drástica.

Segundo ele, quando o cronograma tarifário foi suspenso em 2024, a indústria estimava que 60% das baterias de carros a caminhões seriam europeias em 2027.

Agora, a projeção é que em 1º de janeiro de 2027 “pouco menos de 20%” das baterias sejam fabricadas na União Europeia.

No Reino Unido, a participação é maior, segundo estimativas do setor, mas ainda permanece abaixo dos níveis exigidos pelas regras de origem.

A pressão ocorre em meio ao temor de que as negociações entre União Europeia e Reino Unido tenham perdido ritmo, sem nova data para a cúpula inicialmente prevista para maio.

Sigrid de Vries, diretora-geral da ACEA, afirmou em Bruxelas que o desenvolvimento do trem de força com baterias na Europa avança devagar demais.

Ela defendeu uma “mudança de política” na Comissão Europeia para acelerar a transição e evitar que a indústria fique presa a metas inalcançáveis.

Mike Hawes, diretor-executivo da Society of Motor Manufacturers and Traders, disse que as cadeias de baterias ainda não estão prontas para cumprir exigências tão rígidas.

Segundo Hawes, essas exigências foram baseadas em premissas que não se concretizaram, apesar de grandes investimentos feitos pelo setor.

Ele afirmou que Reino Unido e União Europeia precisam encontrar uma solução pragmática para evitar tarifas autodestrutivas sobre os mesmos veículos que consumidores são estimulados a comprar.

O executivo também defende preservar investimentos em capacidade doméstica de baterias, sem romper a parceria automotiva de longo prazo entre os dois lados.

A dificuldade europeia não se resume ao domínio chinês sobre matérias-primas críticas, incluindo o lítio e sua versão refinada necessária para células de bateria.

O’Riordan afirmou que o custo de fabricação de baterias ainda é muito alto na Europa, cerca de 30% acima do registrado na China.

Embora a Comissão Europeia tenha aprovado várias leis para incentivar a produção, criar uma indústria local exige muito dinheiro e vários anos de maturação.

Da abertura de uma mina até a produção de lítio em grau adequado para baterias, o processo pode levar anos.

Stefan Scherer, chefe da única fábrica de lítio da Europa, já afirmou que abrir uma mina e construir uma cadeia produtiva completa pode custar cerca de US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões).

Hawes também apontou pressões geopolíticas mais amplas e a ofensiva “Made in Europe” da União Europeia como fatores adicionais de tensão para o setor.

Para ele, os dois lados precisam fechar um compromisso bilateral que proteja a parceria automotiva e a competitividade mais ampla da Europa.

Um porta-voz da Comissão Europeia disse que discussões sobre esses temas podem ocorrer dentro das negociações em andamento entre União Europeia e Reino Unido.

O órgão afirmou ainda manter contato constante com partes interessadas do setor de EVs para avaliar a preparação das empresas diante das regras de origem.

Líderes europeus devem se reunir em 18 de junho, com a China entre os itens da pauta.

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