
A indústria automotiva chinesa cruzou em junho uma fronteira simbólica que confirma sua força crescente fora do próprio território.
As exportações mensais da China passaram de 1 milhão de unidades pela primeira vez, segundo dados divulgados em 9 de julho pela CAAM.
A China Association of Automobile Manufacturers informou que o país enviou 1,037 milhão de veículos ao exterior em junho.
O volume representa alta de 11,6% sobre maio e salto de 75,1% em relação a junho do ano passado, segundo o Economy Observer.
Na primeira metade deste ano, as exportações chinesas somaram 5,096 milhões de unidades, avanço anual de 65,3%.
O resultado ficou muito acima da previsão inicial da própria CAAM, que estimava 7,4 milhões de veículos exportados em todo o ano.
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Essa projeção representava avanço conservador de 4,3%, mas os números acumulados já indicam um ritmo bem mais forte.
A associação observa que o mercado interno enfrenta forte pressão, com quedas de dois dígitos nas vendas, enquanto o exterior sustenta o setor.
A guinada exportadora vem sendo construída desde que a China ultrapassou Alemanha e Japão e assumiu a liderança mundial em veículos enviados ao exterior.
Os embarques anuais saltaram de 4,91 milhões de unidades em 2023 para 7,1 milhões de unidades em 2025.
Mesmo após um período de avanço mais moderado, 2026 trouxe nova aceleração, com crescimento mensal anualizado subindo de 45% em janeiro para 75% em junho.
A mudança mais importante de junho aparece na composição das exportações, agora dominadas pelos chamados veículos de nova energia.
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Exportações chinesas de veículos, com NEVs acima de 50%, mudam o mercado para o Brasil?
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Os NEVs chegaram a 523.000 unidades exportadas no mês, uma alta anual de 1,6 vez.
Pela primeira vez, eles passaram de 50% dos embarques mensais, o que significa um NEV a cada dois veículos enviados pela China.
No acumulado do primeiro semestre, os NEVs somaram 2,355 milhões de unidades exportadas, crescimento anual de 1,2 vez.
Essa fatia correspondeu a 46,2% de todas as exportações chinesas de veículos entre janeiro e junho.
Cui Dongshu, secretário-geral da China Passenger Car Association, atribui esse desempenho a fatores de oferta, produto e demanda.
Pelo lado da oferta, a cadeia chinesa completa de NEVs garante vantagem em baterias, motores e controles eletrônicos.
Essa estrutura permite custos de produção altamente competitivos em escala global, segundo a avaliação do executivo da CPCA.
Tecnologias como recarga de 800 V, fundição integrada e baterias próprias também ajudam veículos chineses a cobrar prêmio de cerca de 10% na Europa.
No produto, fabricantes chinesas ocupam o espaço deixado pela transição elétrica lenta de grupos globais como Volkswagen e Toyota.
Recarga rápida e sistemas de direção inteligente aparecem como recursos alinhados à demanda internacional atual, especialmente em mercados que avançam fora da Europa.
No lado da demanda, a expansão mais forte vem de ASEAN, Oriente Médio e Rússia, regiões centrais para o novo fluxo exportador.
Dados da International Organisation of Motor Vehicle Manufacturers mostram alta de 35% na demanda do Vietnã nos cinco primeiros meses deste ano.
No mesmo período, a Tailândia avançou 15%, enquanto a Rússia cresceu 10%, ampliando o espaço para veículos chineses.
Apesar do recorde, Cui vê obstáculos adiante, incluindo tarifas de carbono da União Europeia e análises antissubsídio contra fabricantes chinesas.
A base elevada do segundo semestre de 2025 também deve reduzir o ritmo, levando o crescimento para uma trajetória mais estável.
