Indústria mergulha em perdas de R$ 500 bilhões e aumenta a dúvida sobre a velocidade da eletrificação

acura rsx prototype 1
acura rsx prototype 1

Dezenas de bilhões de dólares em perdas transformam os EVs em uma das apostas mais caras e delicadas da indústria automotiva recente.

Nos últimos meses, várias montadoras apresentaram relatórios financeiros fracos, com prejuízos e baixas contábeis ligados a investimentos pesados em EVs.

Ford, Stellantis, Honda, General Motors e Volvo estão entre as fabricantes que registraram perdas expressivas associadas ao desenvolvimento e à produção de modelos elétricos.

O problema se intensifica porque o mercado americano perde ritmo, levando as empresas a reverem suas estratégias de produto para os Estados Unidos.

A conclusão que começa a ganhar força é que talvez tenha sido cedo demais marcar data para abandonar os motores a combustão.

A Plante Moran, uma das maiores firmas americanas de contabilidade pública, impostos, consultoria e gestão patrimonial, analisou o tamanho dessa conta.

Segundo Dan Lee, principal de Strategy & Operations da Plante Moran, as perdas coletivas com EVs chegam a US$ 70 bilhões (R$ 361,2 bilhões).

O número não fica muito distante de US$ 100 bilhões (R$ 516,1 bilhões), marca que mostra a escala do impacto sobre o setor.

Fora dos Estados Unidos, especialmente na Ásia e na Europa, os EVs encontram ambiente mais receptivo, mas o cenário americano segue instável.

A administração Trump encerrou no ano passado os créditos fiscais federais para EVs e removeu barreiras regulatórias que incentivavam novos lançamentos elétricos.

Essa mudança pesa especialmente sobre fabricantes com forte presença na América do Norte, de acordo com Lee, em webinar da Society of Automotive Analysts.

Algumas montadoras, porém, atravessaram esse ambiente sem queimar tanto caixa, em parte por adotarem estratégias mais equilibradas.

Lee citou Toyota e BMW como exemplos de empresas que adotaram cedo uma estratégia de múltiplos tipos de propulsão.

Na prática, essas marcas evitaram colocar todos os investimentos no mesmo cesto dos EVs e mantiveram alternativas industriais mais flexíveis.

Hyundai e Kia também foram destacadas por sua presença global flexível, capaz de produzir diferentes tipos de conjuntos mecânicos conforme a demanda.

A Mercedes-Benz, por sua vez, foi apontada pela disciplina de custos, especialmente na redução das despesas de materiais usadas em seus EVs.

Lee também citou a Mazda como exemplo de cautela, já que a marca demorou mais para acelerar sua ofensiva elétrica.

Essa postura evitou grandes compromissos de capital em tecnologias alternativas antes de haver maior clareza sobre o ritmo real de adoção.

A Stellantis, citada no contexto mais amplo do setor, perdeu US$ 26,2 bilhões (R$ 135,2 bilhões) em 2025, mas ainda fala em reconstrução.

O plano da empresa envolve motores Hemi, mais modelos Jeep e Ram, além de uma presença reforçada do Dodge Charger.

A Plante Moran acompanha há 10 anos o crescimento de híbridos, híbridos plug-in e EVs a bateria no mercado americano.

Nesse período, os volumes de veículos a combustão caíram de 17,4 milhões de unidades em 2015 para 12,9 milhões em 2025.

Nos últimos 12 meses, porém, os volumes de modelos a combustão, híbridos plug-in e EVs a bateria recuaram.

A única categoria em alta foi a dos híbridos convencionais, com crescimento de 18%, puxado por Toyota, Honda, Subaru e outras marcas.

Lee afirma que os híbridos continuam avançando porque há uma proliferação maior de ofertas disponíveis no mercado.

Ele também vê sinais de recuperação nas vendas de EVs a bateria, embora os volumes ainda estejam abaixo dos níveis de 2024 e 2025.

Com os números de maio, as vendas de EVs a bateria seguem cerca de 10% menores que as do ano anterior.

A Tesla provou que existe um grande mercado para EVs nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar a pressa das montadoras tradicionais.

A dúvida agora é quanto estudo real sustentou decisões tão caras, incluindo desmontar linhas antigas dedicadas por décadas a motores a combustão.

A General Motors, com uma carteira de 12 EVs a bateria, talvez saia fortalecida caso o mercado volte a ganhar tração.

A lição que se impõe é tratar a eletrificação menos como uma corrida curta e mais como uma maratona industrial de longo prazo.

⭐ Siga o Notícias Automotivas no GoogleAcompanhe nosso conteúdo direto no Google e fique por dentro das últimas notícias automotivas.Seguir no Google
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias

Autor:


formulario noticias por email

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 4