Invertendo tudo: GWM Ora abandona a aposta puramente elétrica e escancara a nova estratégia chinesa para conquistar motoristas desconfiados dos EVs

gwm ora 5 combustao 3
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A desaceleração dos EVs abriu espaço para uma virada curiosa, onde até marcas chinesas nascidas elétricas começam a cortejar motoristas mais conservadores.

No Salão de Pequim de 2026, a Ora, submarca da GWM, apresentou novas versões do Ora 5 com motorização híbrida autorrecarregável e a combustão turbo.

Antes vendido apenas como EV, o crossover passa a cobrir uma faixa bem mais ampla do mercado, com preços entre 69.800 e 89.800 yuans (R$ 51.100 a R$ 65.700).

A estratégia coloca o Ora 5 entre os modelos mais baratos das linhas GWM e Ora, sem mudanças relevantes no visual externo ou no interior.

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O estilo arredondado e “fofo” continua próximo ao do Good Cat, também conhecido como Funky Cat ou simplesmente Ora 3 em alguns mercados.

gwm ora 5 combustao 2
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Nas versões a combustão, o Ora 5 usa motor 1.5 turbo de quatro cilindros com turbo de geometria variável, destacado pela própria GWM.

Esse conjunto entrega 184 cv às rodas dianteiras, trabalha com câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas, e chega a 190 km/h.

A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 8,9 segundos, enquanto o consumo no ciclo WLTC fica em 15,6 km/l.

Já o híbrido autorrecarregável mantém o motor 1.5 turbo, mas com 156 cv, combinado a um motor elétrico dianteiro de 190 cv.

O sistema usa transmissão híbrida dedicada de duas marchas, tração dianteira e potência combinada de 226 cv, segundo os dados divulgados pela GWM.

gwm ora 5 combustao 1
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Nessa configuração, o Ora 5 acelera de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, alcança 185 km/h e registra consumo de 22,2 km/l.

Por ser híbrido sem tomada, o Ora 5 HEV não tem porta de recarga como outros modelos eletrificados da GWM.

A bateria ternária de lítio NMC vem da Svolt, fabricante ligada à própria GWM, embora a capacidade ainda não tenha sido revelada.

A expectativa é que o pacote fique na casa de poucos kWh, como ocorre em outros híbridos autorrecarregáveis disponíveis no mercado chinês.

O modelo também marca a estreia da GWM em híbridos HEV de produção, já que Tank, Wey e Ora vinham concentradas em EVs ou PHEVs.

A empresa segue uma tendência forte em 2026, ao lado de rivais como Changan e Geely, que também ampliam suas apostas em híbridos.

O SUV topo de linha Wey V9X deve receber uma motorização HEV ainda neste ano, reforçando essa mudança de direção dentro da GWM.

Outra novidade importante é o Coffee Pilot 3 OS, sistema de assistência de nível 2 que estreia no Ora 5 com navegação assistida NOA.

A GWM afirma que o crossover poderá percorrer até 3 km dentro de estacionamentos de múltiplos andares com auxílio do sistema automatizado.

A marca também promete que o Ora 5 será o veículo mais barato do mercado chinês equipado com LiDAR, embora o sensor seja opcional.

O crossover mede 4.471 mm de comprimento, 1.833 mm de largura, 1.641 mm de altura e tem entre-eixos de 2.720 mm.

O peso varia de 1.440 kg a 1.665 kg, conforme versão e motorização, com suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira.

A paleta inclui seis cores: Dunhuang Green, Glacier Grey, Desert Rice, Sayram Blue, Nyingchi Red e Dover White.

As novas versões se encaixam abaixo e ao lado do Ora 5 EV, que custa de 89.800 a 123.800 yuans (R$ 65.700 a R$ 90.600).

A Ora já teve uma linha maior de pequenos EVs, incluindo White Cat e Black Cat, nomes inspirados em uma famosa frase de Deng Xiaoping.

Mesmo com vendas mensais combinadas perto de 20.000 unidades, White Cat e Black Cat saíram de linha em 2022 após prejuízo por carro.

A GWM alegou perder 10.000 yuans (R$ 7.300) em cada unidade e passou a priorizar SUVs e off-roaders das marcas Wey e Tank.

Segundo a China EV DataTracker, a Ora entregou apenas 1.785 unidades na China em março de 2026, refletindo a perda de força da marca.

Com frio intenso, receio sobre baterias e infraestrutura de recarga limitada em regiões pouco povoadas, a GWM tenta atrair compradores que ainda evitam EVs.

O desafio será convencer clientes tradicionais, mais inclinados a híbridos de Honda e Toyota, de que o Ora 5 pode ser mais que uma aposta alternativa.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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