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JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

O JAC J5 foi um sedã médio que a marca chinesa JAC Motors vendeu no Brasil entre os anos de 2012 e 2016, tendo sido um projeto que deu impulso na imagem da empresa por aqui, sendo ainda feito na China e até em versão elétrica.


Desenhado por renomado estúdio italiano, o modelo não resistiu aqui ao aumento das vendas de SUVs e queda de seu segmento.

O sedã médio da marca chinesa foi o primeiro do tipo no fabricante de Shenzen, província de Anhui, na China, a mesma região da rival Chery.

O JAC J5 foi um produto importante lá e aqui, mas no mercado brasileiro, fracassou ao insistir numa configuração mecânica que já não atendia mais aos anseios dos clientes.

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

Além de faltar em motor e câmbio, o JAC J5 era vendido por um preço bem acima do esperado inicialmente, o que ajudou a deixa-lo mais vulnerável num mercado que ainda havia bastante concorrentes na época.

Com design interessante, o modelo tinha bom espaço interno e porta-malas condizente.

Também apresentava uma arquitetura atual para a ocasião, interior com melhor atenção no acabamento, mas conteúdo de conforto e segurança apenas mediano.

Poderia ter alçado um voo mais alto, mas não deu. Na China, o JAC J5 evoluiu somente para um carro elétrico (com 410 km de autonomia), exigência local para fabricantes ligados ao governo, como é o caso da Jianghuai. Esta é a história do sedã médio da JAC.

JAC J5

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

O JAC J5 era um sedã médio desenhado por Pininfarina para a JAC Motors, utilizando elementos estéticos próprios dos carros europeus.

Com linhas equilibradas, o modelo tinha frente com faróis duplos em máscara negra, sem luzes diurnas em LED ou algo assim, mas um conjunto interessante.

A grade e o para-choque formavam um “V” e a grelha superior tinha o logotipo de estrela de cinco pontas da Jianghuai com frisos cromados, enquanto a parte inferior tinha grelha preta.

Haviam molduras laterais com faróis de neblina e frisos cromados, enquanto o capô era liso e levemente envolvente. A frente do JAC J5 tinha a parte inferior elevada em vez de dispor de spoiler.

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Nas laterais, o JAC J5 tinha um vinco bem suave na parte superior, além da linha de cintura equilibrada com portas de tamanho equilibrado.

Era facilmente notado o bom entre-eixos da plataforma do sedã chinês, que ainda tinha colunas C elegantes, assim como as janelas traseiras, que caíam suavemente.

As rodas de liga leve aro 16 polegadas com múltiplos raios eram de desenho italiano e remetiam à performance, algo que o JAC J5 nunca teve como destaque.

Na traseira alta e pouco pronunciada, o sedã médio tinha lanternas em luzes de LED e desenho bem elaborado. A barra cromada sobre a tampa do porta-malas fundia-se com o conjunto ótico.

Esta tinha suporte para placa e logotipo da JAC.

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O para-choque era liso e com a parte inferior em preto, tendo uma luz de neblina como destaque, além do sensor de estacionamento.

A luz auxiliar de freio do JAC J5 ficava atrás do vidro traseiro. No geral, o estilo exterior do modelo era até bem atraente.

Com interior amplo, o JAC J5 apostou num visual mais elaborado em relação ao J3 Turin, sedã compacto mais barato da JAC Motors, tendo até revestimento soft macio sobre o painel.

O ambiente era todo preto, apostando no gosto brasileiro por um habitáculo mais sóbrio.

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Para reforçar isso, o JAC J5 vinha ainda com detalhes em preto brilhante, volante em couro (sem comandos funcionais ou ajuste de profundidade) e bancos em camurça.

O sedã tinha ainda cluster analógico com iluminação azul e um computador tão básico que não tinha marcador de consumo.

Velocímetro, conta-giros, nível de combustível e temperatura da água eram os itens presentes na instrumentação. Não havia multimídia, mas um rádio com CD player e MP3, além de entrada (mini) USB e auxiliar.

O destaque era o ar condicionado automático com display digital. Nesse caso, havia inclusive um difusor de ar para o banco traseiro.

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O console central era básico, com um porta-objetos com tampa para cinzeiro e isqueiro, bem como a alavanca de câmbio com capa costurada, além de dois porta-copos e apoio de braço elevado com pequeno volume interno.

O porta-luvas tinha tamanho mediano.

O JAC J5 tinha ainda ajuste elétrico de altura dos faróis, luzes de leitura e para-sóis iluminados.

Haviam comandos para vidros elétricos nas quatro portas com acionamento na chave, bem como travamento centralizado e retrovisores ajustáveis remotamente.

O banco do motorista tinha ajuste duplo de altura, enquanto a coluna de direção era alterada apenas em altura.

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Os bancos dianteiros tinham formato bem envolvente e ofereciam conforto, enquanto o traseiro tinha apoios de cabeça integrados nas laterais apenas, faltando o central, assim como o cinto de segurança de três pontos para o quinto passageiro.

Também não tinha apoio de braço central. Embora quisesse ser o topo de linha da marca, o JAC J5 falhava em detalhes como esse.

Entretanto, o espaço para quem ia atrás era muito bom, assim como o porta-malas com 460 litros, suficiente para as pretensões do JAC J5, que ainda tinha uma arquitetura interessante a oferecer.

JAC J5 – Projeto

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Batizado de B926, o projeto do JAC J5 envolveu o desenvolvimento de uma plataforma que foi compartilhada com a minivan JAC J6.

O conceito inicial era o B18, depois rebatizado de B15. Com 4,590 m de comprimento, 1,765 m de largura, 1,465 m de altura e bons 2,710 m de entre eixos, o sedã era bem espaçoso.

Sua suspensão dianteira era McPherson, enquanto a traseira era multilink com braços de convergência ajustável.

Esse conjunto havia sido projetado por um fornecedor para prover tração nas quatro rodas, mas essa não era a pretensão da JAC, por isso era um conjunto estranho num carro que jamais viria uma opção AWD.

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Com 1.315 kg no Brasil, o JAC J5 tinha direção hidráulica com ajuste leve demais e pouco progressivo.

Tendo uma frente que permitia grande fluxo de ar sob o carro, a tendência era de extrema leveza frontal em velocidades altas, contribuindo para o desconforto e sensação de insegurança.

Teria sido preferiu um ajuste mais firme na direção, spoiler e suspensão mais baixa na frente para conter essa tendência.

O JAC J5 tinha boa estabilidade com o conjunto apresentado, que foi modificado pela SHC – representante da JAC no Brasil – ainda na fábrica de Shenzhen.

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Como sempre, Sérgio Habib – presidente da JAC Motors no Brasil – ordenava a adaptação dos carros chineses para cá, o que de fato surtiu efeito, pois, pelo menos em termos de calibragem de suspensão e freios, o JAC J5 ficou mais acertado, bem como melhorias de isolamento acústico, revestimentos e tonalidades.

O JAC J5 tinha segurança mediana com freios a disco nas quatro rodas, sistema ABS com EDB e airbag duplo. Ele tinha uma estrutura em aço estampado com certo nível de proteção, chegando a ganhar 5 estrelas no C-NCAP em 2011.

Porém, poderia ter oferecido aqui airbags laterais e até de cortina, bem como controles de tração e estabilidade com auxílio de partida em rampa.

JAC J5 – Motor

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O JAC J5 era um carro considerado leve para seu porte, por isso, a SHC acreditou que o sedã médio poderia seguir o exemplo do bem-sucedido Kia Cerato, que tinha motor 1.6 de até 128 cavalos.

A JAC utilizava na China o propulsor 1.5 16V VVT com duplo comando no cabeçote e acionamento por corrente lubrificada.

Era um motor até então moderno, com cabeçote e bloco em alumínio, tendo também injeção eletrônica multiponto.

Diferente da China, onde entregava 112 cavalos, aqui esse motor do JAC J5 passou a ter 125 cavalos a 5.500 rpm e 15,5 kgfm a 4.000 rpm, a fim de ter força suficiente para empurrar o médio.

Esse motor ainda não havia sido usado no JAC J3 Sport, que traria a tecnologia flex (JetFlex) mais adiante.

O JAC J5 não dispunha de versão automática, o que matou boa parte das vendas, tendo um câmbio manual de cinco marchas com relações bem longas, inadequadas para seu porte, peso e potência.

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Assim, como a SHC não podia alterar a relação de marchas do câmbio, o JAC J5 literalmente morria abaixo de 2.000 rpm, já que seu motor exigia também rotações mais altas para ter o torque suficiente.

O sedã médio, então, ia de 0 a 100 km/h em lentos 11,8 segundos e com máxima de 188 km/h. O consumo não era bom, fazendo 8,9 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada, sempre com gasolina.

Seu tanque tinha 57 litros, suficiente para cerca de 650 km de autonomia rodoviária.

Sem o motor JetFlex

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A atualização do JAC J5 veio apenas na linha 2015. A JAC Motors buscava reerguer seu sedã médio, que ainda era seu carro de imagem.

Por isso, proveu um facelift e alteração na mecânica para elevar as vendas. A frente adicionou uma nova grade com acabamento preto e apenas o logotipo da JAC.

Os faróis mantiveram o formato, mas ganharam assinatura em LED. Os faróis de neblina foram redesenhados e integrados a luzes diurnas em LED.

O para-choque tinha a parte central em preto brilhante e com frisos cromados na altura da placa. A base do protetor ganhou discretos spoilers para melhorar a aerodinâmica frontal.

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

As rodas de liga leve aro 16 polegadas com pneus 205/55 R16 foram redesenhadas e ainda havia opção de rodas aro 17 raiadas.

Nas portas, as maçanetas passaram a ser cromadas, enquanto a traseira recebia novas lanternas em LED horizontalizadas e divididas pela tampa do bagageiro.

Essa tampa também mudou seu formato e passou a ter abertura com vão maior, mas ainda com pescoço de ganso no interior, roubando espaço.

O JAC J5 atualizado tinha ainda barra cromada sobre a placa e para-choque revisado suavemente e com sensores de estacionamento.

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

No interior, o JAC J5 atualizado teve uma melhora no acabamento e design.

Ainda com material macio ao toque na cobertura, o painel agora tinha difusores de ar mais bem distribuídos, revestimento em material soft na parte superior, preto na central e na inferior, onde ficava o porta-luvas.

Na China, era mais agradável com ambiente parte cinza claro e marrom.

O cluster do JAC J5 2015 era novo e tinha mostradores grandes para velocímetro e conta-giros, além de display digital com computador de bordo de fato e níveis de combustível e temperatura da água digitais.

A iluminação azul permanecia, mas a visibilidade piorou, embora fosse bem melhor que a da minivan JAC J6 atualizada.

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

O volante em couro imitava o da Chevrolet e tinha comandos de mídia e telefonia, uma vez que o JAC J5 passava a ter multimídia até com reprodução de DVD e câmera de ré.

A tela de 7 polegadas sensível ao toque era bem integrada ao conjunto, que ainda tinha ar condicionado automático e digital. Entrada USB padrão foi incorporada, assim como detalhes cromados na alavanca de câmbio.

Os bancos foram revisados e revestidos em couro preto ou em tecido antracite com detalhes em vermelho, mantendo o ambiente ao gosto do brasileiro.

A saída de ar traseira agora tinha dois difusores. O banco traseiro ganhou terceiro apoio de cabeça ajustável (todos) e cinto de três pontos para o quinto elemento, assim como sistema Isofix.

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

Incompreensivelmente, o JAC J5 2015 – que tinha até duas versões – não ganhou o motor 1.5 JetFlex de até 127 cavalos no etanol, como o já citado J3 Sport.

Mantendo o mesmo conjunto mecânico, embora com leve ajuste na direção, o sedã médio melhorou apenas em estilo, conectividade e (levemente) em segurança.

Com deficiências bem presentes, o J5 modelo 2015 custava caro pelo que oferecia, se tornando impopular nesse aspecto.

Assim, no ano seguinte, a JAC Motors retirou seu sedã médio da ordem do dia, colocando em seu lugar utilitários esportivos como T5 e reforçando o T6.

O que o JAC J5 poderia ter sido

JAC J5: anos, versões, motor, equipamentos, consumo (detalhes)

A JAC Motors poderia ter adicionado o mesmo motor 2.0 JetFlex de até 155 cavalos da J6 atualizada – e igualmente do SUV T6 – além de um câmbio automático, que no caso seria de fato um CVT, como na China.

Isso já atenderia bem ao público nacional, ainda mais adicionando itens como piloto automático e os sistemas de segurança ativa, como controles de tração e estabilidade, tendo também airbags laterais pelo menos.

Foi um belo carro, que fracassou ao tentar custar mais do que deveria. Pior, não ofereceu aquilo que devia.

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Domenico Monteleone

    Acho que nunca vi um na rua, mais um lançamento do grande empresário Fracas sou

    • Matuska

      Aqui no meu bairro tem uns 2. Já vi alguns andando na rua mas bem minguado.

  • Bruno Silva

    Meu tio comprou um. Pensa: 15 mil de entrada + 60 prestações de 1.300 reais (93mil reais). Terminou o carnê tem uns 2 meses, a melhor avaliação que conseguiu foi 20mil reais, a sorte que um vizinho estava pra entregar a Duster Oroch pois não estava aguentando as prestações, aí ele entregou o J5 e vai pagar 50 x 1.200, menos mal (pelo menos Renault não desvaloriza tanto). Lembro que na época, um Honda City custava o mesmo valor, embora fosse numa versão básica, ainda sim, seria minha opção.

  • Dod

    Sofreu do mesmo mal do J6, T6 e T8, a falta do câmbio automático.

  • Tommy

    Dizem a boataria que ele vai voltar na versão elétrica, o carro ainda é espaçoso e bonito, uma versão elétrica custando menos que o Corolla Hybrid venderia bem, mas acho que é sonhar demais

    • Junoba

      É uma boa opção pra quem busca ter o primeiro carro. No mercado de usados é bem barato.

  • Triton

    A JAC é de Hefei e não de Shenzhen.

  • Jackson

    Meu vizinho tem um J5 e um Jetta esse J5 ai na época ele comprou e pagou á vista já está com quase 350 mil rodados ele não se queixa de manutenção nem do consumo só falou que o carro deprecia muito mas ele mesmo já disse que só não comprou um T40 pq não tinha grana pra comprar á vista e o financiamento sairia muito caro e avaliaram muito baixo o Jetta na troca já o Jetta ele falou que é um canhão pra andar mas só na revisão ele deixa o que ele gasta de IPVA e manutenção do JAC então chego a conclusão que existe um carro ideal pra cada pessoa seja um Uno seja uma BMW

  • Unknown

    Até que tem um design interessante, mas sendo um chinês, ainda mais de meia década de fabricação, passo!

  • Henrique12

    Eu já vi muita gente sofrer com Chery aqui onde eu moro, abriu uma concessionária, vendeu muito, mas logo fechou, e o povo ficou sem peça, e os carros retirados de linha. Agora abriu dessa JAC, tá as moscas, o povo aprendeu a lição. E que sirva tbm essa lição pra quem cogita comprar isso…

  • Guilherme Martins

    Vi um hoje e pensei.. C O R A G E M !

  • 4lex5andro

    O j5 é o único JAC que cogitaria em comprar, ou melhor cogitava, suas linhas são bem elegantes e harmônicas, distintas da maioria dos sedans, sobretudo orientais. Logo, nem foi tão surpreendente saber que um estúdio italiano trabalhou nesse design.

  • Hodney Fortuna

    Sem dúvida! Se tivesse a marca local melhorado a questão do motor colocando em seu lugar o 2.0 do J6 e câmbio CVT poderia ter dado um bom folego nas vendas do modelo, que ao meu ver tinha um design até belo.

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