Kadett: história, anos, versões, motores, desempenho, consumo

Kadett: história, anos, versões, motores, desempenho, consumo

O Chevrolet Kadett foi um dos carros mais importantes da General Motors em sua transição de um portfólio antigo e ultrapassado para algo moderno e em sintonia com o mundo, mais precisamente com a Alemanha.


Tendo o último lançamento da GMB ocorrido em 1984 com a série 20 de picapes (A20, C20 e D20), assim como um ano antes com o icônico Monza, o Kadett foi o primeiro sinal de mudança para a Chevrolet no Brasil e antecipou o que vinha pela frente.

Fruto de design e engenharia dos alemães, o modelo era a quinta geração de um produto da Adam Opel AG, que existiu aqui em sua terceira geração (C), conhecido como Chevrolet Chevette. Mesmo com 5 anos de atraso aqui, ele trouxe um novo ar.

Lançado em 1989, com direito a caixa de ferramentas como presente para a imprensa, o Kadett nem de longe foi um problema para a GMB, pelo contrário, foi uma oportunidade de expandir sua atuação no mercado.

Ocupando um lugar entre Chevette e Monza, o Kadett estreou como hatch, mas chegou a ter uma versão perua, a Ipanema. Assim como esta, iniciou sua carreira com duas portas, mas não seguiu a familiar com quatro portas.

Kadett – história

Como Opel Kadett (E), o modelo tinha essa opção no hatch, assim como versão sedã de quatro portas e até conversível, o arquirrival do Volkswagen Golf na Europa. O duelo Kadett GSi versus Golf GTi sempre fora emblemático na Europa.

O anti-GTi também veio ao Brasil, inicialmente apenas como GS, carburado, e depois usando a injeção eletrônica, como GSi. Tal como na Alemanha, teve ainda a carroceria conversível, sendo altamente caro, mas não exclusivo.

Kadett: história, anos, versões, motores, desempenho, consumo

Aí, ele brigava com outro ícone esportivo nacional, o Ford Escort XR3 Conversível, que era modificado pela Karmann-Ghia e existia aqui desde 1983. Nessa época, o rival “americano” mudou de geração e o pega foi clássico…

O Kadett viu a abertura dos portos às nações amigas, o fim da era do carburador, as newcommers e até uma moeda que prometia ao Brasil um futuro melhor. Testemunha de muita coisa, o hatch viveu 9 anos aqui, sucedido pelo (Opel) Astra.

Detalhes

Em carroceria hatch, o Kadett chegou somente com duas portas, atendendo ao pedido do mercado que, em 1989, ainda não havia derrubado seu “Muro de Berlim” de tendências, deixando de lado práticas como quatro portas que dominam hoje.

Menor e mais leve que o Monza, o Kadett saía de São José dos Campos com plataforma T de 1979, que serviu ao Kadett D. Com motor e transmissão em transversal, ele tinha arquitetura semelhante à do Monza, inclusive na suspensão traseira.

Compacto e volumoso, o hatch tinha um bom espaço interno e um porta-malas condizente com a proposta, tendo nele 390 litros. Ele media 3,998 m de comprimento, 1,663 m de largura, 1,353 m de altura e 2,520 m de entre-eixos.

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O Kadett tinha faróis grandes e piscas separados em cor laranja, além de grade preta integrada ao para-choque de mesma cor, com (SL/E) ou sem friso cromado (SL), tendo ainda frisos laterais mais grossos na versão intermediária.

Na traseira, o para-choque era preto e as lanternas verticais coloridas permitiam que a tampa do bagageiro abrisse até o para-choque, ampliando o acesso ao mesmo. Podia trazer limpador e lavador do vidro traseiro.

Com perfil de carroceria que a GM encerrara com o Monza hatch um ano antes, o Kadett diferia por ser menor e ainda cativava pelas linhas mais atuais, especialmente com a marca da Opel, o corte raso na saia de rodas traseira.

A janela com moldura triangular preta com aletas de ventilação era o limite imposto pelas portas traseiras do Opel Kadett e reforçava a imagem de robustez do carro. Dentro, o painel era alemão e chamava atenção pelas luzes-espia ao centro.

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O cluster era simples, mas podia ter conta-giros, enquanto os difusores de ar eram pequenos. O esquema de botões do ar-condicionado seguia o padrão da Opel. Havia comandos satélites perto do volante e o relógio digital no centro destacava.

Já o volante era de dois raios, com ou sem assistência hidráulica, numa época em que este e outros itens eram opcionais. A alavanca de câmbio alta tinha trava da ré em argola e os bancos tinham aquela padronagem durável dos anos 80.

O Kadett tinha algo interessante, um recurso nos amortecedores traseiros, que permitia nivelar a suspensão com carga, através de bolsas de ar nos batentes, enchidas com ar comprimido nos postos através de um bico no porta-malas.

Moderno, o hatch informava desde os níveis baixos de fluidos até o desgaste das pastilhas de freio, tudo pelas luzes-espia que dominavam o topo do painel. Os vidros traseiros eram basculantes e havia opção de trio elétrico.

Com suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção com molas-tambor na traseira, era macio ao rodar. O motor empregado na época de seu lançamento era o Família I do Monza, com 1.8 litro (o 1.6 não existia mais) e carburado.

Nessa época, a GM fazia motores a álcool ou a gasolina, que vinha ganhando terreno novamente. Com 99 cavalos no combustível vegetal e 95 no derivado de petróleo, o 1.8 8V era suficiente para o comportado Kadett.

Além disso, o hatch teve opção de transmissão automática (SL/E a partir de 1993), mas com apenas três marchas e botão no assoalho para redução de marcha nas ultrapassagens e retomada. O câmbio manual tinha cinco marchas.

Versões e séries especiais

O Kadett chegou em 1989 com as versões SL, SL/E e GS, sendo que a primeira era bem simples, não só em acabamento, mas também em visual, podada de frisos cromados e calotas integrais nas rodas de aço texturizadas aro 13 polegadas.

Não tinha nem limpador traseiro e, por dentro, nem mesmo conta-giros ou relógio digital. Vidros, retrovisores e travas eram manuais. Os pneus 165/70 R13 eram os mesmos da SL/E e o banco traseiro era inteiriço, embora rebatível.

Já na SL/E, o visual era um pouco mais requintado, com frisos cromados no exterior, calotas integrais nas rodas aro 13 e frisos laterais maiores, contendo o nome e versão do modelo. Tinha ainda limpador e lavador traseiro opcionais.

Havia também opção de rádio toca-fitas, antena elétrica, vidros verdes, para-brisa degradê, bancos em veludo, vidros elétricos, travas elétricas, retrovisores elétricos, ar-condicionado, direção hidráulica, nivelador de suspensão, entre outros.

De série, já vinha com conta-giros e relógio digital. Com um visual melhor e podendo ser bem equipado, o Kadett SL/E era a melhor opção em custo-benefício, dado que o esportivo GS era bem mais caro.

Kadett: história, anos, versões, motores, desempenho, consumo

Por conta da Copa do Mundo da Itália, em 1990, o Kadett Turim surgiu como série especial, tendo alguns itens do GS, além de faixa em cinza-escuro nas laterais, bem como detalhes nas cores da bandeira italiana.

Nos anos seguintes, o número de itens de série foi aumentando ao passo que os opcionais diminuíam, melhorando a coisa para o consumidor. Injeção eletrônica em 1993, chegou com freios a disco nas rodas traseiras para o SL/E, por exemplo.

Nesta época, o Kadett SL/E adotava também rodas de liga leve opcionais, mas ainda de aro 13 polegadas. A nomenclatura mudou na linha 1994, passando a SL para GL e a SL/E para GLS, porém, mantendo o estilo original da Opel.

Nesse período, a GM matou o terrível Chevette Júnior, mas ainda não havia lançado o Corsa Wind. Para não deixar de ter um popular, o Kadett Lite era uma espécie de pé-de-boi provisório, de modo a custar menos e ser o mais barato da gama.

Outra mudança importante para o hatch nessa época foi o aumento do tamanho do tanque, criticado por ter somente 45 litros, ainda mais que não mudava de volume na versão à álcool, que consumia bem mais que a gasolina.

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No ano seguinte, o Kadett teve outra revisão que os clientes reclamavam, o porta-luvas, cuja tampa era barulhenta e não fechava direito. Ele também ganhou temporizador do limpador do para-brisa, assim como botões dos vidros nas portas.

Por volta desse ano, o compacto perdia as versões SL/E e GSi, pois, a seleção natural da Chevrolet (Opel) se fazia na fase mais alemã da GMB. O Astra começou a vir da Bélgica na versão GLS e justamente substituía parte da gama do hatch.

Unicamente como GL, o modelo nacional foi salvo por uma mudança na alíquota do imposto de importação do Astra. Em 1996, a General Motors precisou manter o Kadett por mais tempo, empregando nele seu primeiro e único facelift.

Assim como um Escort em transição de Autolatina de volta à Ford, o Kadett 1996 passava da velha GMB para a “Opel brasileira”, adotando uma nova grade e para-choque dianteiro com molduras envolventes, dando-lhe um ar esportivo.

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Como no Escort, ganhou uma versão esportivada, chamada Kadett Sport. Era uma forma de compensar a saída do GSi. Esta vinha com motor 2.0, empregando ainda aerofólio, rodas de liga leve aro 14, saídas de ar no capô e escape duplo.

Igualmente com lanternas fumê e volante do Vectra, o Kadett GL empregava pneus mais largos para melhorar a estabilidade, enquanto a Sport 2.0 ficou fixa na gama. Contudo, a produção foi para São Caetano do Sul.

A mudança, porém, foi breve. O Kadett viu o motor 2.0 monoponto ser atualizado para multiponto na GL e Sport, que em 1997 foi substituída pela GLS, retornando para o apagar das luzes em setembro de 1998, trocado pelo Astra nacional.

Kadett GS/GSi

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O Kadett GS foi o sucessor do Monza S/R, que saía de cena no Brasil de 1988. Equipado com motor 2.0 8V com carburador duplo, era oferecido somente com álcool na estreia. Ele também tinha um visual destacado.

Os para-choque lisos e pintados na cor do carro chamavam atenção, tal como grade única, escape duplo, aerofólio, saias laterais e rodas de liga leve aro 14 com pneus 185/60. Havia ainda as famosas saídas de ar no capô e luzes de neblina.

Por dentro, volante de três raios, bancos esportivos Recaro, acabamento em tecido especial, painel completo, entre outros. Com um nível de requinte maior que as SL e SL/E, o Kadett GS — sem o “i” por ter carburador — agradava aos olhos.

Nele havia ainda coluna de direção ajustável em altura, computador de bordo e um teto solar opcional. Os freios eram a disco nas quatro rodas, algo que o SL/E (e depois o SL) tiveram em 1993. Com 110 cavalos e câmbio curto, era um bom carro.

Em fins de 1991, com mudanças na legislação, o Kadett GS virou GSi com a injeção eletrônica multiponto, a “MPFi”. Com isso, ele alcançou 121 cavalos e abastecido com gasolina. Nas demais versões, o 1.8 era monoponto.

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Novas rodas, serigrafia na tampa, fim da faixa preta atrás e antena no teto foram inseridas, além de faixa decorativas. O Kadett GSi podia agora bater de frente com Gol GTi e Escort XR3i. Para melhorar a coisa, ganhou freios com ABS.

Na frente, os piscas agora eram brancos e cluster digital chegou através do Monza. Os bancos com elementos vazados nos apoios era outro atrativo, mas para quem não via, amortecedores pressurizados e barras estabilizadoras maiores.

A GMB ficou com inveja do Escort XR3 conversível e trouxe tardiamente o Kadett GSi Conversível. O “cabrio” era convertido pela Bertone na Itália e chegou ao Brasil com capota retrátil meramente manual. O bagageiro tinha 290 litros.

Num processo fábril de seis meses, tinha banco traseiro bipartido para dois, com cintos de 2 pontos, além de quebra vento falso, barra anticapotamento e reforços estruturais, que o deixava bem mais pesado.

Os Kadett GSi e Kadett GSi Conversível receberam as mesmas modificações dos SL e SL/E, incluindo o tanque de 60 litros, mas em 1995, ambos saíram de linha e viraram atração no mercado de usados.

Motores

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O Kadett teve motores Família II 1.8 e 2.0, sendo que o primeiro surgiu carburado com 95 cavalos e 14,9 kgfm, na gasolina. Depois, ele ganhou injeção monoponto (EFI) em 1992, tendo 98 cavalos na gasolina e 99 com álcool.

Esse propulsor não ganhou injeção multiponto, mas o 2.0 monoponto a álcool foi mantido até 1997, quando recebeu injeção multiponto e entregava 110 cavalos com 16,6 kgfm. Já o GSi recebeu boa cavalaria em 1992.

Seu 2.0 MPFi tinha bons 121 cavalos e 17,6 kgfm, bem mais que os 110 cavalos e 17,3 kgfm no álcool do 2.0 8V a álcool do Kadett GS. Com ele, seguiu até o fim da linha. O câmbio manual era curto no GS/GSi e longo nos demais.

Já o automático de três marchas só existiu nas versões mais baratas, tendo três marchas apenas.

Desempenho e consumo

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O Kadett 1.8 carburado ia de 0 a 100 km/h em 12,5 segundos e com máxima de 168 km/h. O GS 2.0 precisava de 11,2 segundos e 171 km/h. No GSi, eram 11,4 segundos e 183 km/h de final.

No consumo, o Kadett 1.8 com carburador fazia 8,3 km/l na cidade e 12,7 km/l na estrada, enquanto o GS 2.0 fazia 6,6/8,9 km/l, respectivamente. No GSi 2.0 eram 8,2 km/l e 12,7 km/l, respectivamente.

Kadett – fotos

 

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.