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Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

A Kombi perua é um termo errôneo para a van utilitária da Volkswagen, apelidada assim especialmente em transporte escolar, mas também na versão de passageiros comum.


Numa época em que existiam poucas peruas de verdade no mercado nacional, a Kombi tinha função dupla. Além de levar carga ou passageiros em operações comerciais, também servia como veículo familiar.

Até mesmo kits de camping existiram para personalizar a “perua” da Volkswagen, já que muita gente não podia ter um carro apenas para passeio se precisasse de um veículo comercial.

Então, a saída era ter os dois. Outra das muitas funções da Kombi perua era o transporte escolar. Gerações inteiras de estudantes de todas as idades fizeram viagens a bordo da longeva senhora da VW.

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

O uso do termo “perua” aplicou-se também nesse caso, sendo que os motoristas ou donos de Kombis que faziam esse serviço, ganharam o apelido de “perueiros”. Tinha também o “tio da perua”.

Quando havia deficiência no transporte público regular, a Kombi perua era usada no transporte clandestino e o “perueiro” aparecia para salvar quem há muito mofava nos pontos de ônibus.

O certo é que, perua ou não, a Kombi que levava passageiros transportou um país inteiro nas costas, um gigante continental que queria muito crescer e se tornou o Brasil que conhecemos.

Kombi perua

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Nos anos 50, a Volkswagen tinha apenas dois alvos prioritários a atingir em termos de clientes. Um era a família, que iria no Sedan.

O outro era o empreendedor, aquele pequeno comerciante ou transportador, que estava dando seus primeiros passos. A Kombi perua surgiu nesse caso como uma forma versátil de atender diferentes propostas.

Não era confortável como o Volks Sedan, mas levava os ocupantes aonde eles precisavam ir. Além disso, podia ainda levar carga ou mais pessoas aos seus destinos.

Também levava a família para o passeio de fim de semana, pegando as primeiras BR´s da vida, indo para o campo ou em busca das estâncias de veraneio.

Corujinha

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Kombi corujinha: A Kombi perua no melhor estilo da “corujinha” era somente elegância. Com pintura saia e blusa, quase sempre com a parte superior branca, era adornada por diversas janelas quadradas e simples.

Com para-brisa duplo e, às vezes, em estilo Safari, que abria para o vento entrar direto, a Kombi perua nos anos 50 tinha carroceria estreita e seu visual contava com um “V” enorme na frente, onde o logotipo VW podia ser visto de longe.

Tendo grandes faróis circulares, a Kombi perua da segunda metade da década de 50 já era mais adequada para sua função de passageiros. Foi nessa época que surgia o modelo Samba, que possuía vidros no teto curvado.

A frente era arredondada e as portas dianteiras acompanhavam essa característica. No lado direito, a terceira porta era dupla, abrindo para fora e com as dobradiças expostas. Havia também uma tampa traseira sobre o cofre do motor, que tinha seu próprio acesso.

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

A Kombi perua não era um carro grande ainda em 1970. Ela media 4,300 m de comprimento, 1,746 m de largura, 1,925 m de altura e 2,400 m de entre eixos, o mesmo do Fusca e de muitos outros derivados de sua mecânica.

Já o modelo 1200 era montado no Brasil em um galpão alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Quatro anos depois, começava a ser feita na enorme fábrica da Volkswagen às margens do km 23 da rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo.

Com arquitetura genial, a Kombi perua priorizava o espaço interno, cujo volume sem os bancos era de 4,8 m3. Sim, haviam três bancos com nove lugares, sendo que dois deles (os traseiros) eram facilmente removidos.

Isso permitia que a perua levasse 810 kg de carga útil, pouco menos que a versão furgão, que era quase que totalmente fechada, tendo apenas a vigia traseira.

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Levando nove pessoas, a Kombi perua era um carro versátil, pois, tinha boa altura interna e toda a carroceria era voltada para aproveitar o máximo de volume possível.

Apenas o cofre do motor (que nas primeiras alemãs era bem elevado) ocupava uma parte importante do compartimento traseiro. Este era separado da cabine do motorista por uma parede de aço, onde ficava o estepe.

Para o motorista, além do volante grande e branco, a Kombi perua reservava ventilação com difusores internos, quebra-ventos falsos e entradas de ar superiores.

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

A alavanca longa e o freio de estacionamento em outra, logo à frente, tornavam a utilitária fácil de conduzir após certo tempo de “experiência”. Os bancos retirados viravam sofás práticos no exterior do veículo.

As janelas podiam ter pequenas cortinas na versão Luxo, sendo que algumas das vigias traseiras eram basculantes, geralmente a primeira e a terceira.

Nos primeiros anos, onde a nacionalização chegava a 50%, a Kombi perua não tinha as quartas vigias. Isso era herança do modelo original alemão de 1950. As janelas das portas dianteiras eram de correr.

“Mille Duca”

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Como a carroceria era monobloco, restava do Fusca somente itens compartilhados, como suspensão dianteira por eixo de torção duplo, suspensão traseira tipo facão, motor boxer 1200 e câmbio com diferencial e semieixos ligando as rodas traseiras.

Os freios eram a tambor nos dois eixos, enquanto a direção era mecânica com rosca sem fim e grande folga. A solução encontrada pela VW para atender a demanda da época foi colocar o tanque junto com o motor “mille duca”.

Este propulsor era bem rústico, sendo um boxer de quatro cilindros com carcaça de liga leve e “pescoço” que sustentava um dínamo e o eixo que girava o rotor dentro da caixa de ar, que resfriava as quatro camisas dos pistões e o radiador de óleo, numa pequena torre interna.

A correia única era movida pelo virabrequim. Com carburador simples e filtro de ar banhado a óleo, o motor 1200 a ar da Kombi perua tinha 1.192 cm3 e entregava 30 cavalos. O câmbio tinha quatro marchas.

Nessa época, a Kombi tinha apenas 4,19 m de comprimento e seu desempenho era pífio, mas suficiente para proposta comercial.

Kombi perua era um luxo…

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

A Kombi perua clássica só apareceu mesmo em 1959, já com pintura em dois tons, detalhes cromados, todas as vigias laterais, reforços nos para-choques e calotas cromadas, já que antes eram apenas brancas.

Essas características eram da Kombi perua Especial, que era a versão de luxo. A Turismo surgiu um ano depois para o campismo e a Standard era aquela que podia ser convertida em van com vidros para levar carga.

Entretanto, a corujinha já interessava aos transportadores escolares. Pensando nisso, a VW criou a Kombi perua “seis portas” que separava a porta dupla com uma coluna entre elas e duplicava-as do lado esquerdo.

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Assim, os futuros perueiros tinham mais facilidade para acessar os estudantes que iam atrás. Só existiu no Brasil e durou muito tempo, inclusive até na segunda geração.

Em 1967, a Kombi perua ganhou motor 1500 a ar de 52 cavalos e melhorava em desempenho, mas ainda mantinha o estilo dos anos 50. Isso perdurou até 1975, quando surgiu a nova Kombi.

Clipper à brasileira

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Esta tinha a carroceria do modelo Clipper alemão, mas com base do modelo antigo nacional. O motor passava a ser 1600 a ar com 58 cavalos e com dois carburadores.

Nessa altura, a Kombi perua não era mais considerada uma opção familiar, pois, desde 1969, a Volkswagen emplacava a perua (de fato) Variant.

Então, a nova Kombi era uma “perua” apenas no modo de dizer, ainda levando estudantes na versão de seis portas, bem como servindo de lotação na Standard.

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Nessa época, ela media 4,397 m de comprimento e 1,912 m de altura, mantendo largura e entre eixos da corujinha. Podia levar 960 kg e tinha os mesmos nove lugares de sempre.

Ao invés de aplicar a porta corrediça como lá fora, a VW manteve a porta dupla lateral. Nos anos 80, uma propaganda da Kombi perua levava nove halterofilistas, que desciam do veículo e o viravam ao contrário, erguendo-o.

Com marketing raro nessa época, a Kombi perua vendia sem propaganda nos anos 80. Era a “faz tudo” nacional.

Kombi perua Carat

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Em 1997, a Kombi perua recebe uma modernização que a aproxima do modelo clássico que fora vendido no exterior. Agora a porta lateral era corrediça. Os vidros grandes tinham janelas de correr e o estepe vai para cima do motor.

A perua da VW perde a parede interna entre cabine e salão, ganhando bancos individuais na frente. Teto elevado e volante novo estavam entre as mudanças.

A versão Carat tinha até vidros verdes, bem como bancos em tecido e mais confortáveis, com direito a apoios de cabeça individuais. Logo depois, o motor 1600 a ar passou a dispor de injeção eletrônica.

Essa foi a primeira das ações para adequar a Kombi perua aos novos tempos. Na Série Prata de 2005, ela tinha bancos individuais com cintos próprios e pintura metálica até.

Água

Kombi perua: detalhes do modelo usado para transporte de passageiros

Em 2006, a Kombi perua adota o motor EA111 1.4 Flex de até 80 cavalos e refrigerado a água, sendo o mesmo usado no Fox (Lupo) de exportação na época. O modelo tinha radiador frontal como na extinta Kombi diesel.

Sem muitas mudanças, alguns chegaram a converter a Kombi perua em uma van de 12 lugares com três assentos sobre o motor. Não tendo mais alterações importantes, a utilitária seguiu até a Last Edition.

Em 2013, por conta da obrigatoriedade de airbag duplo e freios ABS, a Kombi perua saiu de cena em grande estilo, com esta edição limitada com bancos personalizados, cortinas, pintura em dois tons e pneus de banda branca.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

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