Kwid abandona Argentina por causa de restrição à importação

Kwid abandona Argentina por causa de restrição à importação

O Renault Kwid não é mais vendido na Argentina. Isso poderia parecer o fim de linha para o produto ou baixa demanda local, porém, a causa mesmo é a restrição às importações no país vizinho. De acordo com a montadora francesa, a dificuldade em lidar com a proteção local contra os importados, freou as vendas do produto.


Em nota, a Renault disse: “devido a problemas de disponibilidade gerados por restrições de importação e com o objetivo de promover veículos de fabricação nacional, fomos obrigados a tomar a decisão de suspender temporariamente a comercialização do modelo Kwid em nosso país”.

Continua: “sabemos que o Kwid é um veículo de grande aceitação pelo público argentino e esperamos em algum momento poder trazê-lo de volta ao nosso mercado, quando as condições contextuais o permitirem”.

Kwid abandona Argentina por causa de restrição à importação

Ou seja, a política atual do governo argentino para o setor automotivo, pressiona os fabricantes locais a evitar a importação e produzir (ou reativar a produção, no caso de alguns) nacionalmente. Segundo a Casa Rosada, a Renault “não cumpria a projeção de produção e exportação, hoje a empresa é mais importadora do que produtiva”.

O governo local tenta forçar literalmente que as montadoras locais importem menos e façam mais, assim como reativem suas operações, como no caso da Honda, que fechou a planta de Campana para produção do HR-V, mas o presidente Alberto Fernández exigiu que a montadora japonesa retornasse com a fabricação de automóveis.

Na Renault, a marca amarga ter que tirar o Kwid de circulação, um produto que vendeu 45.556 unidades no país em quatro anos, tendo em 2018 seu melhor ano. Fabricado em São José dos Pinhais, o subcompacto popular tinha lá o motor 1.0 SCe simplificado de 66 cavalos e câmbio manual.

Feito para resistir às péssimas ruas e estradas argentinas, o Renault Kwid tinha preços entre 1,88 milhão de pesos e 2,08 milhões de pesos ou de R$ 104,6 mil e R$ 115,8 mil. Note que os valores praticamente são o dobro do praticado aqui, em reais.

[Fonte: Autoblog Argentina]

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.