
A troca no comando comercial da Ferrari surge logo após uma estreia que colocou sua estratégia de eletrificação sob forte pressão pública.
A marca substituiu Enrico Galliera, diretor de marketing e comercial de longa data, poucas semanas depois da apresentação conturbada do Luce.
O modelo é o primeiro EV da Ferrari e virou o produto mais observado da empresa em sua fase moderna.
Massimiliano Di Silvestre, ex-chefe da BMW Itália, assume o cargo de Galliera a partir de 1º de julho.
A mudança ocorre depois de uma reação pesada do mercado, que derrubou cerca de 8% das ações da Ferrari em um único dia.

Galliera passou mais de 16 anos na fabricante italiana, com os últimos anos dedicados à condução da estratégia comercial e de marketing.
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A Ferrari apresentou sua saída como uma decisão pessoal para iniciar uma nova etapa, sem ligar oficialmente o caso ao Luce.
Ainda assim, a proximidade entre a estreia do EV e a troca no cargo torna difícil ignorar o contexto.
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O visual do Ferrari Luce influenciou mais a reação do mercado do que a eletrificação em si?
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Di Silvestre chega com experiência no segmento premium, após liderar as operações italianas da BMW.
O ponto mais delicado não está apenas no carro, mas na forma como a apresentação foi conduzida.

A Ferrari já havia divulgado em fevereiro o nome Luce e o interior assinado por Jony Ive.
Meses antes da versão de produção, também eram conhecidos os dados principais de desempenho, incluindo mais de 1.014 cv e autonomia de 530 km.
A autonomia também havia sido comunicada como 329 milhas, número que reforçava a tentativa de posicionar o modelo como um Ferrari pleno.
Por isso, na apresentação realizada em Roma, a grande novidade restante era justamente o desenho externo.
Esse detalhe acabou dominando a conversa, porque o visual dividiu opiniões e rapidamente abasteceu memes nas redes sociais.

A pergunta sobre o que Enzo Ferrari pensaria do carro apareceu entre as reações mais repetidas pelos críticos do design.
A estratégia deixou o produto em posição vulnerável, ao guardar para o evento o elemento mais controverso de todo o pacote.
A mensagem oficial da Ferrari tenta afastar o Luce da ideia de ser apenas um EV de luxo.
A proposta é vender o modelo como um Ferrari que por acaso usa propulsão elétrica, preservando a emoção ao volante.
Mas essa narrativa ficou sem sua principal comprovação, porque nenhum jornalista pôde dirigir o carro durante a apresentação.
Sem impressões reais de condução, a conversa pública ficou concentrada no estilo, nas comparações visuais e na reação do mercado.
O CEO Benedetto Vigna insiste que o Luce continua recebendo pedidos, apesar da resistência inicial ao desenho externo.
Vigna permanece firme no comando, e isso indica que a estratégia de eletrificação não muda apenas por causa da troca comercial.
Ele veio da indústria de semicondutores, após 26 anos na STMicroelectronics, justamente para preparar a Ferrari para uma era elétrica e definida por software.
O Luce é parte central dessa visão, mais associado ao plano de Vigna do que a uma decisão isolada de marketing.
A saída de Galliera pode sinalizar ajuste de execução, mas não representa abandono do caminho elétrico traçado pela fabricante.
A lição mais evidente é que um carro vendido pela emoção de dirigir precisa provar essa promessa ao volante, não apenas no palco.
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