Leapmotor vira peça estratégica da Stellantis e pode inspirar uma nova onda de acordos com fabricantes da China

Hatch Leap B10 roxo em movimento em uma estrada, com vegetação ao fundo.
Leap B10 é mostrado em movimento em uma estrada, identificado pelo nome exibido na placa dianteira.

A pressão por fábricas mais cheias e EVs mais competitivos está aproximando a Stellantis de um caminho que antes parecia improvável para muitos grupos europeus.

Antonio Filosa afirmou na quinta-feira que a parceria com a chinesa Leapmotor é mutuamente vantajosa e pode servir de referência para novas cooperações.

O CEO da Stellantis fez a declaração em uma chamada com jornalistas após a apresentação dos resultados do primeiro trimestre do grupo franco-italiano.

Segundo Filosa, esse acordo mostra o que a empresa pode fazer, por exemplo, com outra montadora chinesa em futuras iniciativas industriais ou comerciais.

A Stellantis se uniu à Leapmotor em 2023, quando comprou cerca de um quinto da fabricante chinesa e criou uma joint venture.

Essa nova empresa ficou responsável por produzir e vender veículos da Leapmotor fora da China, ampliando o alcance internacional da marca asiática.

Neste ano, a Stellantis começará a montar o SUV compacto Leapmotor B10 na Espanha, reforçando o papel europeu da parceria.

A escolha da Espanha também ajuda o grupo a aproveitar capacidade industrial disponível em um momento de forte pressão sobre custos e demanda.

A Reuters informou anteriormente que Stellantis e Leapmotor estavam em conversas avançadas para desenvolver um SUV elétrico com marca Opel.

Esse futuro modelo usaria tecnologia da empresa chinesa, mostrando como a cooperação pode ir além da simples distribuição de veículos importados.

O movimento ocorre enquanto a Stellantis se prepara para apresentar seu novo plano de negócios em 21 de maio.

Nos bastidores, cresce a expectativa de que o grupo possa fechar mais acordos com a Leapmotor e com outros fabricantes chineses.

Uma das razões é a necessidade de preencher capacidade ociosa na Europa, onde várias montadoras enfrentam transição elétrica mais lenta e margens pressionadas.

Para a Stellantis, parcerias desse tipo podem acelerar lançamentos, reduzir investimentos próprios e dar acesso a tecnologias já desenvolvidas na China.

Filosa também procurou afastar o temor de canibalização dentro do próprio portfólio da Stellantis, que reúne marcas como Peugeot, Citroën, Fiat, Jeep e Opel.

Segundo o executivo, a Leapmotor está conquistando clientes de outras montadoras, e não tirando compradores das marcas do grupo.

Essa leitura é importante porque transforma a parceira chinesa em ferramenta de expansão, em vez de ameaça interna às operações tradicionais.

Se a estratégia avançar, a Stellantis pode se tornar um dos exemplos mais visíveis de cooperação entre montadoras europeias e chinesas na era dos EVs.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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