Fiat Sedãs

Leitor opina sobre seu Fiat Linea

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O Fiat Linea já de cara mostra que este é um sedã (médio) que foge das antigas linha Tempra e Marea, a agressividade destes modelos não está presente no Linea, não em motorização, não em visual. Essa, talvez, foi uma tática da Fiat, de modo a mudar sua imagem quando se fala em modelo sedã, deixar o visual bruto e/ou esportivo de lado, no Linea a opção foi elegância, negando o que mais era exaltado nos modelos anteriores.



O fato do Linea ser um sedã estreito, reforça a proposta de elegância, frente com formas arredondadas evidencia, dentre outros tantos detalhes de fácil percepção. Ser estreito e alto lhe dá um visual único. O interior segue a proposta de elegância, evidente na escolha da grafia dos velocímetros e na escolha do tom dos tecidos e painel. O conjunto visual externo e interno passa de forma muito aceitável a proposta de um modelo elegante, você o aceita, o visual é de um agrado quase instantâneo.

O Linea tem beleza? Tem e muita, em vários detalhes, mas o Linea é um carro chato. O que faz deste belo modelo um carro chato? A Fiat. Depois de um certo tempo de propriedade, quando você abre a porta você reflete: A longo prazo, a beleza não supera alguns itens no convívio. Quando você é trazido para o mundo do Linea, diga-se, habitáculo, a Fiat mostra o que construiu.

 

Você não espera que um modelo elegante e de luxo vá ter um motor ruidoso, o Linea tem. Você espera que um modelo elegante e de luxo vá ter um interior bem pensando, em detalhes, afinal, sendo modelo de luxo, entende-se que os melhores projetistas estão no projeto, não. Você espera que um modelo elegante e de luxo vá ter tudo o que se tem de melhor nos modelos abaixo dele, o Linea não os tem.

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Estes são somente 3 itens que, me fazem pensar, a Fiat não atingiu o sucesso esperado, e a falha foi mérito da própria Fiat. O Linea não herdou a primazia bruta dos modelos anteriores, o Linea não herdou o requinte de modelos anteriores e atuais. Então, o que é o projeto Linea na família Fiat? Externamente o carro passa pelas críticas, o visual faz com que você não o consiga criticar, a Fiat mantém a constante de desenhar belos sedãs.

O convívio do operador com o trem de força é satisfatório em somente 2 itens, câmbio e motor, mas, somente girando acima de 2.200 rpm. Se você colocar o motor a trabalhar a 2.000 rpm, os itens citados passam despercebidos, você não os vai apreciar, pois vai estar se lamentando do fato de a Fiat não ter colocado um coletor de admissão de geometria variável neste motor, sofrível. Talvez a escolha foi montar um motor de fácil manutenção, mas, para um modelo de luxo, não se aplica.

 

A sua lamentação vem do seguinte raciocínio, qual é a força que move o Linea? Ao meu ver, a Fiat recrutou os velhos cavalos utilizados outrora na saudosa linha Palio, aumentou a ração mas esqueceu de os tornar mais inteligentes. Entendendo que estes recrutados são da velha guarda, sabe-se que eles terão manias, e elas aparecem. Os cavalos se negam a aparecer em um regime abaixo de 2.000 rpm.

Em um propulsor de 4 válvulas por cilindro, este é um comportamento, em alguns modelos, comum, mas no Linea a sensação é que, sequer 1 cavalo se apresenta para o trabalho antes dos 2.200 rpm. A surpresa vem quando você chega aos tais 2.200 rpm, pois neste momento todos os cavalos se apresentam ao mesmo tempo, como se você estivesse operando uma charrete e em suas mãos um relho que atinge todos os cavalos ao mesmo tempo.

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Esta vigorosidade repentina remete ao comportamento de um motor carburado movido a etanol nos anos 70, 80 e 90 ou a um motor turbo, um comportamento bruto, que cabe a um modelo esportivo, mas não é esta a proposta do Linea. O que esperava-se de um modelo elegante como este era um torque progressivo.

 

Estando com os cavalos na ponta do seu pé nos 3.000 rpm, você percebe que, sim, estes cavalos são criados na fazenda da Fiat, quando eles tem que trabalhar, eles trabalham. Fazem excesso de ruído? Sim, mas entregam a tarefa. Entendendo como seus cavalos trabalham, você passa a prestar atenção no que o habitáculo tem a oferecer e como ele vai te tratar nos momentos em que passar lá.

Quando você entra no Linea, aos poucos vai se certificando que o interior recebeu pouca atenção, faltou aquele momento onde você para e fica olhando e pensando, olhando e pensando, até surgir as boas ideias. Três itens, com o tempo, vão lhe saltar à vista, iluminação, porta objetos e qualidade dos materiais.

Iluminação e porta objetos são itens bem interessantes, interessantes no sentido de entender como a Fiat vê o mundo e o comportamento humano. A Fiat entende que não é necessário colocar iluminação no porta luvas, mas acredita ser necessário colocar uma luz guia na entrada USB do porta-luvas, o que entendo, a Fiat acredita que a noite o que mais vai ocorrer é a troca de pendrives e não a busca por objetos no porta luvas, haja musica para tanta troca.

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Então, sim, você tem um modelo de luxo sem iluminação no porta luvas, mas não se assuste, a porta USB você vai encontrar com facilidade. A iluminação da cabine é satisfatória, simples, longe da qualidade de outros modelos da própria Fiat. Outro pensamento interessante da Fiat, um pensamento que vai contra a ideia do mundo.

Todos sabem que o material plástico de acabamento nomeado popularmente de “Black Piano” é frágil, gerador de ruído e de pouca durabilidade, visto que risca com facilidade. Existem empresas que fabricam televisores com este material e entregam junto ao produto uma flanela de veludo, a ser utilizada para tratar o material plástico, Na contramão, a Fiat entende que este material pode ser utilizado para fabricar porta-objetos.

Sim, o Linea tem um porta objeto feito em “Black Piano”, lamentável, ainda mais visto que em outros modelos da Fiat os porta-objetos são emborrachados, então, porta objetos em “Black Piano” em um modelo e porta-objetos emborrachados em outros modelos? São extremos tão grandes que não vejo como explicar. Ainda em porta-objetos, que são praticamente inexistentes, a Fiat entende que tudo o que você precisa guardar você deve colocar no apoio de braço ou se arriscar no porta-objetos em “Black Piano”.

Vejamos, abaixo do freio de estacionamento existe um porta-objetos, se um objeto, como uma chave, por exemplo, for colocado ali, no primeiro movimento o objeto vai ser lançado, pois não existem “paredes” no porta objetos. Passando aos porta-copos, realmente, são porta-copos, não tente colocar uma lata, por exemplo. Você até pode colocar, mas não utilize a 1º e 3º marchas, pois você vai ter que limpar o painel e tapetes do seu carro logo após.

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Depois da faxina você vai pensar, “vou colocar os copos no porta-copos da porta”, pense novamente. Mas a Fiat não deixou você na mão, observe com atenção, os bancos tem porta-objetos nas laterais. Me pergunto, colocar o que ali? Depois que você aceita que não tem onde guardar seus objetos e não quer acabar com seu painel colocando objetos no “Black Piano”, você passa por mais este lamento e segue em frente.

Aí, começa a operar os comandos do painel, começa a brincar com os menus, descobrir o que o painel tem a lhe oferecer, mas cuidado, faça a configuração somente uma vez e não mexa mais, pois o Linea, como citado, é um “chato”. Ele não gosta de ser tocado a todo momento, isso fica evidente quando os botões descascam ao seu toque. O que parece um botão de borracha, não é. Então, trate o Linea como um adulto e não fique brincando com os controles, se o fizer, pagará o preço.

Os materiais empregados no painel são pobres, o “Black Piano” em certas partes do acabamento dá sim um tom elegante, mas em outros não. O volante é um item que foge à regra geral de materiais pobres, este é muito bem acabado, os botões de controle no volante passam robustez, o couro que reveste o volante também. O volante é um item a ser exaltado, herdado do Fiat Punto, possuiu excelente ergonomia.

A Fiat continua a tirar o brilho do carro em pequenos detalhes. Veja, se você pensar: vou pegar meu Linea, colocar um som que gosto e ir bem tranquilo na padaria da esquina pegar um pão. A Fiat vai fazer com que esta experiência seja desagradável. Primeiramente, para você conseguir executar a música desejada, vai ter que operar no mínimo 3 menus via controle do volante ou terá que falar com a atendente de voz.

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Se você pensar: vou ligar o som e me guiar pelas setas, para cima é pasta e para os lados é faixa, pense novamente. Não é assim tão simples. Se você escutar seu som via CD de MP3, você consegue achar suas músicas de forma fácil, mas se deseja utilizar um pen drive, tudo muda. Sim, é mais fácil e prático escutar seu som gravando um CD de MP3 com pastas do que utilizar um pen drive. Pasme.

Enfim, você encontrou o som que vai te guiar por um breve percurso até a padaria. Prepare-se, seus tímpanos vão ser disputados, serão disputados pelo seu som favorito e pelo estridente, excessivo e irritante aviso de cinto de segurança, que fica ativo por incríveis 90 segundos.

Você até pode ser vencido pelo Linea e colocar o cinto de segurança, mas se no banco do passageiro tiver, digamos, uma mochila com um notebook, o Linea entende que alguém está ali, logo você tem que atar o cinto, neste caso, até sua mochila para ter uma viagem segura até a padaria. Entende-se que o sinto de segurança é obrigatório, mas não preciso ser notificado por áudio por 90 segundos. Alguns segundos já seria o suficiente.

A burocracia em operar os menus quando em USB e o incessante aviso de cinto de segurança, tornam a sua ida à padaria um pesadelo, a não ser que, você faça o que o “chato” lhe pede, encontre sua música antes de colocar o carro em movimento, pois é mais seguro e coloque o cinto. Este último será bem mais fácil fazer se o apoio de braço estiver recolhido, pois os atadores do cinto de segurança não são móveis e estão quase na base o banco.

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Mais uma vez você se dá por vencido, aceita o que não pode ser mudado (o aviso de cinto pode ser desativado via scanner). Revisando a história da padaria, mais um item vai lhe chamar a atenção de forma negativa. Se estiver fazendo calor, você vai ligar o ar-condicionado.

Vai levar um tempo até você achar uma posição satisfatória dos difusores, de modo que o ar não seja direcionado direto a sua face, visto que o painel central é inclinado e, se você mover os difusores para baixo para afastar o ar do seu rosto, você vai perder vazão de ar e vai ver gotículas de água se formando na saída de ar, pois o ar esta trancado no acabamento.

Bom, então você pensa: vou colocar o ar para cima, no para-brisa, a fim de climatizar o habitáculo por cima. Como um todo, ok, mas você terá que conviver com bolhas de ar no para-brisa de imediato. Isso acontece porque a saída de ar no painel não é inclinada de modo a acompanhar o ângulo do para-brisa, pelo contrário, a saída é reta.

Por fim, ainda nesta epopeia de ir a padaria relaxado e aproveitando seu som, você pensa: vou bem devagar em uma terceira marcha e colocar meu pé esquerdo na espera. Tudo bem, mas tenha a certeza de está com seu calçado limpo, pois do contrário você vai sujar sua forração. Sim, o Linea não tem um apoio de pé esquerdo dedicado, digo, não há uma peça plástica para suportar o seu pé, você tem que pisar na forração.

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Isso vai contra outros modelos da própria Fiat. Depois que você se acostuma a ser, em alguns pontos, destratado, em um hotel de luxo – pelo menos a fachada se apresenta como de luxo – e acredita, então aceita o trem de força que tem que operar, que o carro não quer que traga itens para dentro dele e que não gosta de ser tocado.

Depois de tudo isso, tem que aceitar o que tem dentro do seu carro, para todo o sempre, uma voz feminina movida à Windows. A lástima não é pela voz feminina, que por sinal é agradável, mas o cérebro que a opera. Enfim, o Linea veio para elucidar. Ele tem seus brilhos sim.

Como citado, é um belo carro, desenho irrepreensível, tecidos de qualidade, acerto de suspensão, responsável em curvas, mas em muitos itens, a Fiat fez muito para apagar o brilho do carro. Os cavalos, quando recrutados da velha guarda, acreditaram ser úteis novamente, ledo engano, foram dispensados 2 anos após.

Agora temos mais um ingrediente para entender porque na relação Fiat x sedãs, se aplica aqui o dizer popular “tiro no pé”. Mas espere ai, aplicar um dizer popular a um modelo elegante e de luxo? Descabido! Não. De elegância o Linea tem a roupa, o restante é popular.

Agradecimentos ao Geraldo Stein, dono de um Fiat Linea HLX 1.9 2008 manual.

[Imagens ilustrativas]

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