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Leitor relata aluguel de Mercedes-Benz C 180

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Depois de ter relatado aqui aluguel de Audi A3, BMW 320i e Audi Q3, estou de volta agora para fechar a trilogia alemã. A bola da vez é a Mercedes-Benz – única das três grandes germânicas que eu não havia tido a oportunidade de locar um carro– com seu  Classe C (C180), na versão intermediária Advantgarde.

A Localiza, onde aluguei os outros dois sedãs alemães, não tem Mercedes em seu portfólio. Parti então para a Movida.

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Trâmites

Anteriormente, já havia alugado um A3 na Movida, e a experiência não foi muito boa. O carro estava cheio de detalhes (arranhões, fedendo a cigarro) e na hora da devolução, acharam um olho de gato do para-choque traseiro quebrado (que eu não reparei quando me deram o carro, mas tenho certeza que não quebrei) e quase tive que pagar.

Por sorte, foi constatado no sistema “avarias” genericamente, e relevaram. O bom da Movida é que o A3 é de um grupo exclusivo: você aluga A3 e sabe que vai ser A3, não é como a Localiza, que você corre o (grande) risco de alugar o grupo do A3, chegar e ter que pegar outro carro. E não há taxa para devolver em outra loja da mesma cidade, já a Localiza cobra R$ 15.00.

Já vinha namorando o C 180 há algum tempo, mas o melhor preço para diária que tinha conseguido foi de R$ 235 + R$ 75 do seguro + os 12% de taxas. Muito caro. Contudo, numa promoção do meu cartão de crédito, que é parceiro da Movida, achei a diária por inacreditáveis R$ 133 mais o seguro.

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A Movida possui paranauês diferentes da Localiza. As diárias duram 27 horas (na Localiza, 25). Essas horinhas fazem muita diferença. Mas nem tudo são flores: a caução para o C 180 custa absurdos R$ 5.000 no cartão (na Localiza, o máximo que paguei foi R$ 3.500 no Q3), e o seguro de R$ 75.00 para esse grupo ZX do C180 é virtualmente obrigatório.

Caso você não queira o seguro da Movida e opte pelo seguro do seu cartão, você precisará ter módicos R$ 60.000 no cartão de crédito para caução (em relação ao C 180). Ou seja, viável só para o Luciano Huck. Além disso, a locação sem o seguro da locadora faz com que o preço das diárias mais do que dobre. Resumindo, você é gentilmente obrigado a contratar o seguro deles.

A franquia a ser paga em caso de sinistro é a bagatela de R$ 10.000. Assusta e há de se ter uma certa dose fé e confiança para fechar a locação, pois caso aconteça alguma coisa com o carro, é sentar, chorar e pagar.

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Pegando a carruagem

Já no aeroporto Santos Dumont, assinei o contrato e depois, esperando para pegar o carro, constatei que misteriosamente o valor da locação tinha sido cobrado como R$ 235 e não os R$ 133 acordados previamente. Para minha sorte, eu havia impresso o voucher com o valor da reserva – coisa que nunca faço.

A atendente ligou para a central e tive que mandar, do meu celular, uma foto do voucher com o valor correto, para aí sim me cobrarem os R$ 133. Nessa brincadeira perdi quase uma hora e tive sensação de que duvidaram um pouco do meu voucher, talvez pensando que fosse falso, pois o C 180 chega a ter diárias de R$ 600 (preço de balcão, para quem aluga na hora na agência).

Pendenga resolvida, na hora de pegar o carro, o manobrista brincou com um outro:

“- Cuidado com a ré, o para-choque custa R$ 8.000”.

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Isso já me deu um belo de um susto e, como marinheiro de segunda viagem na Movida, chequei minunciosamente para ver se o carro tinha os famigerados detalhes antes de me entregarem. Não tinha. O carro tinha apenas 3.348 km rodados, zero bala. Peguei o carro às 20:00 horas de um sábado, podendo devolver até às 23:00 horas do dia seguinte.

Ao entrar no carro, o manobrista me explicou rapidamente sobre a marcha, que fica numa alavanca atrás do volante, do lado direito, como em carros americanos, só que eletrônica. Para baixo, drive, duas para cima, marcha à ré. O neutro é no meio, enquanto que park é no meio, mais aperta-se o botão na ponta da haste.

Quando dei por mim, o manobrista tinha ido embora, mas eu não conseguia achar a desgraça do botão do freio de mão eletrônico. Não era no console central, nem no painel: fica meio escondido, à esquerda, abaixo do botão de comando de faróis. Finalmente achei e zarpei com a barca.

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Luxo, para que te quero

Eu já havia lido sobre esse modelo, mas não fazia ideia do luxo do interior, que ao vivo é mais impressionante e salta aos olhos. O console central tem acabamento preto reluzente, de ótimo aspecto. As portas são revestidas em couro e possuem um detalhe em cromo, lembrando aço escovado.  O painel parece inspirado em aviação, botões a la cockpit de caça e as saídas de ar, assim como no A3, lembram turbinas.

Há um grande porta-objetos no console central, todo em couro e carpete por dentro. Há couro em tudo quanto é lugar, o painel possui excelente toque macio, tudo é feito com muito esmero, não há a menor rebarbae e a sensação de um carro premium é de fato presente, não é como o A3 que tem acabamento apenas correto e peca em não transmitir real sensação de luxo, pelo preço do carro. Há inclusive um pequeno easter egg  no vidro dianteiro: Assinatura do Carl Benz. Se quebrar esse vidro, imagina o preço para ele assinar de novo.

A lista de itens de série é extensa:  Antena para GPS, sensor de chuva, navegação GPS Garmim Map Pilot, piloto automático (Tempomat) e limitador de velocidade (Speedtronic), aviso de perda de pressão dos pneus, proteção do cárter, suspensão comfort, sistema Audio 20 com touchpad, alarme, ar-condicionado Thermatic, faróis full led, molduras internas em alumínio, leitor de CD, luzes internas, sensor de alarme nos vidros, Eco Start/Stop, Agility Select, Adaptive brake lights e tapetes em veludo.

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Há também Attention Assist (sensor e câmera de ré), conectividade via Bluetooth para celular e players de mídia, controle de temperatura automático independentes para motorista e passageiro da frente, freios adaptive brake (ABR), controle eletrônico de estabilidade (ESP), distribuição eletrônica de força de frenagem (EBD), Sistema anti-bloqueio dos freios (ABS), Controle de tração na aceleração (ASR), Tração eletrônica em cada roda (ETS), Assistente de freio (BAS), Assistente de partida na subida (HSA), Pré-carregamento (Piming), brake drying e função Hold e Isofix.

Essa Merça possui um touchpad  no console central, onde é possível controlar funções do carro, visualizadas na telinha multimídia, a qual, por sua vez, é colorida. Mas apesar da excelente resolução, não é touch screen. Além disso, os comandos não são muito intuitivos e várias vezes apanhei para chegar aonde eu queria. Até descobrir como e onde parear o celular demorei bons minutos.

O volante possui boa pegada em couro, talvez um pouco duro demais, mas com bom diâmetro e uma miscelânea de comandos. Bancos tem excelente aspecto em couro com furinhos e boa ergonomia.  O som é de boa qualidade, há USB, entrada de CD e auxiliar, mas nada muito fora de série – senti falta de graves mais poderosos. Não consegui localizar o equalizador no confuso sistema da Mercedes.

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Na estrada, avante

Curti um pouco o C 180 na noite de sábado, na cidade do Rio de Janeiro, indo do aeroporto Santos Dumont até Jacarepaguá, onde eu moro, com pausa para um jantar. Na hora de estacionar, ironia do destino: parei logo atrás de um C 180 da geração anterior. Mas a brincadeira ia ser mais divertida na manhã de domingo: eu ia fazer um bate e volta – come sempre – para Teresópolis, a 130 km do Rio, para almoçar na casa do sogro.

A estrada Rio-Teresópolis, o meu circuito benga racing, é perfeita para quem ama dirigir: asfalto primoroso, quase nenhum radar – que as autoridades não me ouçam – e é finalizada pela linda Serra dos Órgãos, íngreme e sinuosa, perfeita para testar o potencial do carro.

Assim como na BMW, o C 180 possui tração traseira e 5 modos de direção: Eco, Comfort, Sport, Sport Plus e Individual. Não senti necessidade de tantos modos, não possuindo diferenças muito perceptíveis para mim. Talvez pudessem ser apenas 3: Eco, Sport e Individual. Esse último, há possibilidade de personalizar alguns parâmetros, como o ar condicionado.

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O motor, um 1.6 turbo de 156 cv com 25,5 Kgmf de torque já aos 1.200 rpm, é apenas suficiente para levar os mais de 1.400 kg da flecha de prata. Creio que a grande falha desse C 180 seja possuir câmbio automático convencional, com conversor que rouba torque e potência do carro. Um carro dessa categoria merecia um de dupla embreagem, que o deixaria, sem dúvidas, mais ágil.

Na estrada, a sensação é que o câmbio é um pouco hesitante quando é necessário mais agilidade nas trocas. O kick down no acelerador não é tão eficiente quanto nos outros dois sedãs alemães. Às vezes, quando se exige mais do motor, ele prende a rotação em giro elevado, mas ineficientemente não gera muita potência por estar na marcha errada. O uso das aletas de troca de marcha se faz necessário a fim de dar mais sagacidade ao veículo.

Consumo

O carro é flex e a média de consumo durante minha locação girou em torno de 10,2  km/litro (média calculada na bomba, não no computador de bordo), maioria do percurso em estrada – creio que no etanol, pois não dá para saber qual combustível o carro veio – mas dá para inferir pelo consumo. Esse consumo foi obtido, basicamente, intercalando modo  ECO – ouvindo o anjinho da economia – com o Sport Plus, dando ouvidos ao cramulhão da performance. Sempre com o (excelente) ar condicionado ligado.

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Audi A3 Ambiente x BMW 320i Sport x Mercedes-Benz C 180 Avantgarde – Veredito

Dentre os três, achei o A3 com a melhor dirigibilidade para o dia a dia. É mais fácil de dirigir, ágil. O BMW 320i possui direção pesadona, anda muito bem na estrada, porém, mais focada em esportividade, maltrata um pouco o cidadão condutor com suspensão dura nas ruas esburacadas do Rio de Janeiro.

Apesar dos pesares, e a despeito de A3 e 320i oferecerem maior prazer em dirigir, o interior e acabamento da Classe C são carismaticamente contagiantes. A sensação de luxo e modernidade transmitida é inegável, mais do que a do BMW, que o interior achei mais sisudo.

No Mercedes, bancos de motorista e passageiro tem regulagem elétrica e a posição de dirigir também é sensacional: pode-se regular o banco e ficar quase rente ao chão, com a perna quase totalmente esticada e se sentir o Lewis Hamilton num F1, dado o abraço que os bancos e o console proporcionam ao condutor.

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Como um feliz ex-proprietário de up! TSI, o qual me entregava excelente prazer de dirigir pelo preço cobrado, sempre fui contra “perfumarias” desnecessárias. Para quem gosta de dirigir, carro pode ser um volante, câmbio e motor, como o pequeno VW é praticamente. Contudo, o peixe morre pela boca.

O Classe C ganhou meu coração. Com belo design, a Mercedes alia um desempenho mediano satisfatório do motor com acabamento ímpar, o que o tornaria a minha utópica escolha dentre esses três sedãs. Não é um carro para sair bengando todo mundo, o prazer aqui é o habitáculo, acabamento e mimos que dão vontade de não sair mais de dentro do carro. Classe executiva sobre duas rodas: você chegará ao mesmo lugar e na mesma hora que uma classe econômica, mas com muito mais estilo e com agrados que fazem toda diferença.

Como diria o He-Man, nas suas lições de moral no final do desenho animado: Hoje aprendemos que motor muito potente, até mesmo para quem ama dirigir, não é tudo num carro.

Agradecimentos ao Gustavo Guedes.

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