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Lynk & Co revela planos para ruptura de negócio automotivo

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A Lynk & Co é uma empresa criada pela Geely que se beneficia do desenvolvimento da Volvo e da nova plataforma modular CMA, a mesma que o XC40 estreia no Brasil. A marca sino-sueca quer ser a primeira do mundo a não vender carro de forma tradicional fora de seu país de origem. Para isso, um plano de negócios totalmente diferente será colocado em prática na Europa e EUA a partir de 2020.


Com três modelos já conhecidos, incluindo um crossover, um SUV e um sedã médio, a Lynk & Co quer dar o primeiro passo para a chamada economia compartilhada, onde os consumidores deixarão de adquirir produtos em prol de contração de serviços. Esse será o caso da marca do grupo Geely, que já revelou seus planos de negócio para o mercado internacional.

A base de tudo isso é a assinatura para utilização do automóvel e não sua aquisição. Uma das primeiras ações – e que deve gerar problemas legais em alguns países, como os EUA, por exemplo – é a não contratação de revendedores. De acordo com a Lynk & Co, cada região terá apenas uma concessionária-sede, visto que a comercialização dos contratos será feita de forma online, por aplicativo, eliminando assim a necessidade de uma revenda localizada.

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Outra forma será através de quiosques temporários para a venda de serviços de mobilidade. A empresa diz que 25% da receita líquida é consumida com revendedores autorizados e que o novo formato reduzirá os custos entre 10% e 15%, visto que haverá custos para entrega dos carros e retirada para revisão ou devolução.

Apesar do foco em venda de serviços de mobilidade, a marca também venderá o automóvel como um produto para clientes que ainda desejam ter a propriedade do veículo. Nesse caso, a forma também será a mesma, já que não haverá revendas, algo parecido com o que a Tesla faz atualmente. Alain Visser, CEO da Lynk & Co, diz: “Fizemos dois modelos de negócios, varejo e assinatura, e nossa esperança e nossa suposição é que teremos mais aluguéis do que compras”.

A primeira concessionária Lynk & Co será montada em Amsterdã, mas não atenderá somente a Holanda. Em realidade, ela terá uma ação mais regional e até internacional. Visser comenta: “Quando começarmos em Amsterdã, também disponibilizaremos um serviço online internacional. Vamos entregar o carro onde você está – se alguém quiser um carro em Barcelona ou Hamburgo, nós o enviaremos até a porta [de casa].”

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Alain Visser explica que em termos de rentabilidade, o comércio de automóveis no modelo que conhecemos gera maior fluxo de caixa, mas explica que a assinatura para utilização é o que o cliente quer no momento. A ideia da mobilidade contratada no lugar da aquisição de um carro de US$ 25 mil ou mais, é o que muitos consumidores querem ter no momento. O atrativo é que os contratos de assinatura serão de no mínimo um mês. O CEO calcula que um cliente trocará de carro pelo menos quatro vezes em um ano, plano já em desenvolvimento.

Para evitar o acúmulo de veículos em devolução, ainda mais sem uma rede autorizada, a Lynk & Co terá uma forma diferente de lidar com as assinaturas. Visser explica: “Nossa ideia é que você terá um ciclo de assinatura com uma certa quilometragem ou tempo, mas seu primeiro ciclo é de 50.000 km ou dois anos”. Ele continua: “Quando um carro sai desse ciclo após uma certa idade, ele passa para um segundo ciclo de assinatura, que terá um preço muito menor.”

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Visser diz que esse tipo de assinatura não será lançada imediatamente e que um terceiro ciclo será lançado ainda com custo mais reduzido e no final, o carro será reciclado. O chefe da Lynk & Co se diz animado, visto que seus modelos serão completados e sem opcionais, o que deve atrair muitos consumidores. Com garantia, ele promete a entrega em um ou dois dias e no máximo oito configurações para o cliente. A produção se dará na Bélgica e na China, com as versões elétricas a partir de 2020. O sedã não será vendido fora da China, onde a marca tem rede de concessionárias. A empresa diz que por lá, 80% dos clientes vieram de marcas de luxo.

Apesar do modelo inovador, algumas marcas questionam. Na VW, Jürgen Stackmann, chefe de marketing, diz: “Nós fizemos todos os tipos de modelagem e geralmente se chega no mesmo lugar: em que ponto você tira sua margem para fazer o carro em primeiro lugar? Em algum momento, isso tem que ser pago e ainda não encontramos um modelo de assinatura que nos garanta que isso possa ser feito.” Para Visser, seu modelo de negócios será encarado como o leasing é hoje em uma década.

[Fonte: Motoring]

 

 

 

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  • Wolfpack

    Ok, reinventaram a locadora de veículos, é isso? Agora, espere, para comprar um iPhone, o item tecnológico mais banal do mundo, muitos vão a loja da Apple ou alguma loja autorizada. Porque eu compraria um carro ou faria um leasing de um carro sem tocá-lo? e além disso, acredito que estão tentando espalhar ao mundo uma cultura nórdica onde o transporte coletivo é eficiente e o povo utiliza o carro somente para eventos especiais, como férias, ou uma viagem esporádica. Para a cultura americana e mesmo para o resto da Europa e Brasil, fica difícil imaginar esse set-up. Vamos ver no que dá!

  • th!nk.t4nk

    É somente um leasing mais flexível. Legal que dê pra contratar por 1 mês só, mas daí com certeza nao será barato pra um prazo tão curto. Nao consigo ver como isso possa “revolucionar” o setor, que já trabalha fortemente com contratos de aluguel (tradicionalmente, de 2 anos).

    • El Gato Negro

      Foi exatamente a minha percepção. Acho que estes “novos modelos de negócios” estão criando muito alarde em termos de inovação. E no fim… mais do mesmo.

  • Fábio Henrique

    Acho q o modelo q mais me agrada ainda eh o de aluguel mais simplificado como a gm e outras empresas ja estao tentando:
    Carros estacionados ou disponíveis em bolsoes em varios lugares (tipo o de bikes do itau q ja existe)
    Aqui em sp só vale a pena eu ir de carro até certo ponto, chegando em um metrô ou corredor de ônibus dependendo do caso. Adoraria ir de carro ate um lugar, deixar o carro, pegar metro, e em outra estacao se precisar tb pegar outro carro.
    No fim uso o carro somente no fds mesmo, isso qd nao bebo e preciso de uber.

  • FocusMan

    Duvido muito desse modelo de venda. Na China eles estão vendendo carros já e adotando um modelo onde você compra o carro e eles administram o aluguel do mesmo quando você não está usando. Foi um sucesso de vendas, batendo o recorde de vendas em uma lançamento de um veículo.

    Fora da China o negócio não foi muito bem aceito pelas pessoas durante as pesquisas e eles criaram esse modo de venda. Sinceramente, acho que nos EUA esse modelo pode encontrar adeptos, pois muitas pessoas não compram veículos há anos, apenas fazem leasing. O leasing se você roda pouco com o carro, vale muito a pena Algumas pessoas preferem pagar dois ou três leasing de curta quilometragem e usam 1 carro para cada situação que precisa. Isso ajuda a vender o grande volume de carros nos EUA. Você pode por exemplo ter o leasing de um Mustang conversível apenas para usar dia de sexta e ir ao trabalho pagando uma quantia muito barata.

    • Unknown

      Em qualquer país do mundo pode ser que dê certo, menos no Brasil, onde os espertalhões vão encontrar um jeito de “burlar” o sistema!

      • FocusMan

        Não sei… na China existem tantos “espertos” quantos no BR.

        • Unknown

          Deve existir uns 200 milhões de “espertos” na China, realmente a mesma quantidade do Brasil, a diferença é que isto equivale a 1/6 da população deles e aqui é 90%!

      • Juros exorbitante. Somente.

  • É uma ótima opção. Andei vendo algo semelhante na localiza e movida.

    Vale a pena ter. Onix LT 1.0 para deslocamentos diários. Sem comprar e sem arcar com mais nada além do valor da assinatura. Quanto mais pessoas aderir mais barato creio que fica. Pena aqui as pessoas inverterem as coisas e ter uma necessidade exagerada de posse. Brasileiro é possessivo. Enfim.

    E um caminho.

    Leasing também não é má opção. Cabe ao usuário usar o carro. E não querer trocar a cada lanterna ou farol novo.

    Lá fora geralmente quando acaba um ciclo desse, em média 5 anos, o carro vai para o lixo, reciclagem.

    Mas aqui se prefere pagar o “semi-novo” o “salvado”, o “recuperado de leilao”.

    Dependendo do dano, jamais um carro de leilão deveria voltar pra rua.

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