Mazda deixa bem claro: “carros elétricos ainda não estão prontos para substituir carros a combustão interna”

Carro preto da Mazda em movimento sobre uma via, com edifício e guarda-corpo ao fundo.
Modelo elétrico da Mazda em movimento; a marca combina projetos elétricos com motores a combustão e sistemas híbridos em sua estratégia global.

A cautela adotada pela Mazda diante da eletrificação completa ganhou uma justificativa mais clara, já que a fabricante continua enxergando espaço relevante para motores a combustão.

Durante os últimos anos, diversas concorrentes estabeleceram metas para abandonar completamente esse tipo de motorização, enquanto a marca japonesa evitou assumir compromissos semelhantes.

Moritz Oswald, responsável por planejamento de produtos e cocriação na Mazda Motor Europe, afirma que motores a combustão continuam extremamente importantes em diversos mercados mundiais.

Segundo o executivo, os Estados Unidos deverão manter essa tecnologia como opção predominante pelos próximos anos, considerando que a participação dos EVs permanece relativamente baixa.

Oswald também cita o Japão como outro mercado onde motores tradicionais continuam tendo importância significativa, apesar do avanço gradual de diferentes formas de eletrificação.

Traseira de um Mazda CX-6e cinza escuro estacionado sobre uma superfície pavimentada.
O Mazda CX-6e representa a presença de modelos totalmente elétricos na estratégia da marca, que também mantém investimentos em motores a combustão e híbridos.

Isso não significa que a Mazda pretende ignorar tecnologias eletrificadas, pois híbridos convencionais e híbridos plug-in continuam ganhando espaço dentro do planejamento da empresa.

O executivo antecipou inclusive uma novidade relacionada ao motor 3.3 utilizado pelo CX-60, embora ainda não tenha detalhado exatamente quais mudanças serão realizadas.

O CX-5 também receberá um conjunto mais potente e compatível com as normas Euro 7, ampliando as possibilidades de eletrificação dentro da linha.

As declarações indicam que sistemas híbridos plug-in podem chegar a uma quantidade maior de modelos, combinando motores tradicionais e propulsão elétrica conforme cada aplicação.

Essa estratégia contrasta com fabricantes que direcionaram investimentos elevados para desenvolver rapidamente gamas totalmente elétricas e posteriormente revisaram algumas das metas anunciadas anteriormente.

Interior de um carro Mazda com volante, painel escuro, bancos claros e tela central exibindo a marca.
A Mazda amplia o uso de interfaces digitais, mas mantém uma postura prudente diante dos veículos definidos por software.

A Mazda preferiu manter investimentos em motores a combustão ao mesmo tempo em que desenvolve híbridos, híbridos plug-in e projetos exclusivamente elétricos para determinados mercados.

A diferença também aparece na abordagem tecnológica das cabines, já que a fabricante resistiu durante bastante tempo à adoção de telas maiores e à redução de comandos físicos.

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Essa postura começou a mudar no novo CX-5, que representa uma aproximação maior das tendências atuais de interfaces digitais adotadas por outras fabricantes.

Mesmo assim, a Mazda permanece prudente diante dos chamados veículos definidos por software, tecnologia que transforma programas digitais em parte cada vez mais importante do funcionamento automotivo.

Oswald reconhece que a indústria está avançando rapidamente nessa direção, embora questione se os consumidores acompanham essa mudança com a mesma velocidade demonstrada pelas fabricantes.

Segundo ele, a Mazda precisará permanecer competitiva porque a adoção poderá acelerar rapidamente, tornando inevitável participar desse novo cenário tecnológico em algum momento.

A dimensão da empresa também ajuda a explicar sua postura, pois a Mazda possui recursos consideravelmente menores que gigantes globais como Toyota e Volkswagen.

Oswald afirma que um produto malsucedido representa um risco especialmente elevado para uma fabricante desse porte, exigindo retorno financeiro de praticamente todos os projetos desenvolvidos.

Essa limitação reduz espaço para investimentos bilionários em tecnologias ainda incertas e favorece uma estratégia baseada em acompanhar o mercado antes de ampliar determinados programas.

A empresa procura, portanto, distribuir seus recursos entre diferentes soluções sem depender exclusivamente de uma única arquitetura ou tipo de motorização para os próximos anos.

Atualmente, essa combinação inclui motores a combustão, híbridos convencionais, sistemas plug-in e modelos totalmente elétricos, permitindo ajustes conforme o comportamento dos consumidores em cada região.

A estratégia indica que a Mazda não rejeita a eletrificação, mas prefere avançar gradualmente e preservar diferentes alternativas enquanto observa como a demanda mundial continuará evoluindo.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook