Melhor compra PCD

A procura de carros para clientes PCD continua aumentando no mercado brasileiro, sendo o perfil de consumidor que mais cresce por aqui.

O motivo de mais carros PCD estarem sendo vendidos é o maior conhecimento sobre os direitos a que tem direito os portadores de deficiência, seja física ou mental.


Todo consumidor que possui limitação motora ou doença que o impossibilite de dirigir normalmente ou mesmo o impeça de fazê-lo, têm direito a isenções fiscais que reduzem o preço do automóvel, facilitando assim sua aquisição e talvez sua adaptação, se necessário.

Outro fator motivador é que algumas marcas decidiram atrair esse consumidor para seus produtos com versões específicas, geralmente capadas de alguns equipamentos, mas que se limitam a R$ 70 mil.

Há modelos que nem oferecem pintura metálica ou nem cobra pela mesma, a fim de manter o valor até esse patamar. Pela Lei 8.989 de 24 de fevereiro de 1995, essa faixa garante isenção de IPI, IOF, ICMS e IPVA, além do rodízio municipal em São Paulo. A lei tem vigência até 31 de dezembro de 2021.

Acima de R$ 70 mil, o desconto voltou a ser apenas de IPI, chegando ao teto de R$ 140 mil. Isso havia sido descontinuado com a Medida Provisória 1.034 de 1º de março de 2021, que limitou a R$ 70 mil a isenção de IPI, mas depois o governo voltou atrás.

Mas, entre tantos modelos que se enquadram nessa categoria (todos obrigatoriamente com transmissão automática, automatizada, CVT ou de dupla embreagem), qual é a melhor compra PCD?

Como já comentado por Rodrigo Rosso, presidente da Abridef (Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva), não existem dados confiáveis e nem oficiais sobre a venda de carros para clientes PCD no Brasil.

Eles são incluídos na chamada venda direta, feita pela montadora de forma direta ao consumidor ou por meio de um revendedor. Aí entram taxistas, frotistas, governo, etc, sendo difícil saber o que as marcas realmente oferecem para esse público.

Porém, como já visto na matéria sobre carros PCD, existem aqueles mais procurados por esse tipo de cliente. Então, com base nestes modelos escolhidos pelos compradores com tais limitações, decidimos analisar o que cada um deles oferece para saber qual é o melhor para esse perfil.

A maior procura continua sendo pelos modelos utilitários, pois os SUVs são os preferidos dos brasileiros em qualquer segmento. A recente (e já derrubada) imposição do governo tirava cerca de 97% dos modelos PCD, além do baixo estoque das montadoras pela pandemia.

Felizmente, para tantas pessoas nessa situação, o governo elevou o teto para o dobro do limite anterior, pelo menos no que diz respeito ao IPI. Se não fosse isso, o único modelo SUV oferecido seria o Chery Tiggo 2.

Agora esse segmento voltou a disponibilizar diversas outras opções, como Hyundai Creta, Jeep Renegade, Nissan Kicks, Peugeot 2008, Renault Captur, Renault Duster, entre outros.

Confira abaixo os melhores carros para compra PCD:

Até R$ 70 mil – Hatch

Chevrolet Onix 1.0 Turbo AT – R$ 68.390 (PCD: R$ 55.709)

Melhor compra PCD

O Onix é um dos carros mais vendidos do país desde a geração anterior, e isso mostra que o modelo da Chevrolet deve ter boas qualidades para seu segmento e faixa de preço.

No caso dos modelos PCD não é diferente, pois ele oferece o melhor custo-benefício. Mesmo com uma lista bem maior para comparação, já que o teto voltou a subir no que diz respeito ao desconto de IPI, o Onix se sobressai. Confira o que ele oferece:

Motorização: Para esse mercado, o Onix aparece em sua versão com motor 1.0 turbo de 116 cv e 16,8 kgfm de torque, aliado ao câmbio automático de seis velocidades. Esse conjunto é superior ao oferecido pela Honda, que aposta no motor 1.5 aspirado de 116 cv e câmbio CVT. Claramente superior, não podemos nem comparar o Onix com o Kwid, por exemplo.

Equipamentos: Em termos de equipamentos, a briga fica mais apertada, pois o Onix perde alguns itens importantes nessa versão PCD. Mesmo assim, ele continua com seis airbags, controles de tração e estabilidade, direção elétrica e outros itens básicos. O Kwid Intense até aparece como um modelo mais completo, mas a qualidade dos materiais e o limitado espaço interno o fazem perder a briga diante do Onix.

Manutenção: Outro ponto positivo é o custo de manutenção. O modelo da Chevrolet tem um pacote de revisões até os 60.000 km de R$ 3.964, enquanto o Honda Fit cobra R$ 5.944,07 no mesmo período.

Até R$ 70 mil – Sedã

Renault Logan Zen 1.6 CVT – R$ 52.941

A briga entre os sedãs ficou ainda mais limitada, pois tem apenas dois modelos disponíveis: Renault Logan e Honda City. Confira o que cada um oferece nos quesitos abaixo.

Motorização: O modelo francês aposta no motor 1.6 de 118 cv e 16,8 kgfm de torque, enquanto o japonês tem um propulsor 1.5 de 116 cv e 15,3 kgfm. Ambos tem câmbio CVT, mas a pequena diferença a favor do Logan pode fazer diferença, especialmente no torque.

Equipamentos: Além do bom espaço interno e do porta-malas de 510 litros, o modelo da Renault oferece uma lista de equipamentos com quatro airbags, Isofix, ar-condicionado, assistente de partida em rampas, controle de estabilidade, direção eletro-hidráulica, central multimídia Media Evolution com Apple Carplay e Android Auto, rodas de 16 polegadas, sensor de estacionamento, entre outros.

No caso do City, a versão Personal vem com direção elétrica, lanternas e luzes diurnas em LED, ar-condicionado, volante com ajuste de altura e profundidade, piloto automático, sensor crepuscular, assistente em aclives, chave canivete, entre outros. Em relação ao francês, fica devendo o controle de estabilidade e uma central multimídia.

Manutenção: A Honda não faz questão de oferecer planos de revisões com preços chamativos, e isso também ocorre no caso de seu sedã. Ele cobra R$ 5.598,40, sendo que sua revisão dos 40.000 km custa absurdos R$ 2.008,25. Já o Logan tem um valor total para as seis revisões de R$ 3.643,53, bem menos que seu concorrente no mundo PCD.

Até R$ 70 mil – SUV

Chery Tiggo 2 EX 1.5 AT – R$ 52.747

Nesse caso, temos apenas um SUV entre os modelos PCD disponíveis no mercado brasileiro. Segmento que antes mais oferecia opções para o consumidor, agora as marcas terão que repensar sua estratégia se quiserem continuar tendo seus utilitários nesse mercado.

Motorização: O motor do modelo da CAOA Chery é o 1.5 aspirado de 115 cv e 14,9 kgfm de torque, aliado ao obsoleto câmbio automático de quatro marchas. Sendo uma das marcas que mais oferece opções turbo em nosso mercado, é provável que em breve a Chery mude o conjunto desse modelo.

Equipamentos: as versões convencionais do Tiggo 2 oferecem equipamentos interessantes, mas é claro que a configuração PCD perderia vários deles. Mesmo assim, o SUV segue com rodas de liga-leve aro 16, rack de teto, Isofix, alarme, volante multifuncional, monitoramento da pressão dos pneus, ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, câmera de ré, banco do motorista e volante ajustáveis em altura, rádio, entre outros.

Manutenção: Com revisões a cada 10.000 km ou 12 meses, o Tiggo 2 cobra um total de R$ 4.145,19 pelas seis primeiras paradas. Esse valor poderia ser mais baixo se não fosse pela revisão dos 40.000 km, que custa quase R$ 1,5 mil. Mesmo assim, é um valor dentro do esperado nesse segmento.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.