Etc Manutenção

Melhor só do que bem acompanhado

Texto de André Gomide:

Uma pergunta. Qual proprietário de automóvel terá mais problemas e, por tabela, insatisfação com a marca, rede de concessionários e toda uma teia de aborrecimentos: aquele que chega à oficina com o veículo, trazendo um defeito causado por uma peça com elevado nível de quebra, ou aquele cujo componente gerador do mau funcionamento tem índice zero de rompimento? Pois saiba, caro leitor, que quem respondeu pela primeira opção está redondamente enganado. É mil vezes mais confortável (e até mais barato), ter um carro enguiçado por uma peça conhecidamente defeituosa, ou um Ford montado em Camaçari com todos os seus ruídos e que precisa de ajustes dia sim e o outro também, do que chegar em busca de socorro mecânico trazendo um problema que “nunca acontece”.

A razão é muito simples e puramente econômica. Todas as fábricas sabem, desde o período de desenvolvimento e certificação da durabilidade do carro, o tempo de vida útil de cada componente. Nos tempos das vacas gordas, as revendas mantinham enormes estoques de peças esperando por aquele cliente que surgiria trazendo um defeito de baixa incidência. Com a necessária adaptação aos tempos de redução de custos, as prateleiras foram esvaziadas e criaram-se os serviços de emergência e atendimento em até 24 horas. Seria perfeitamente aceitável e compreensível, se esses serviços realmente funcionassem. Mas, infelizmente, é pura conversa fiada.

E esse problema não está reservado apenas aos modelos importados. Neste momento, há muitos donos de carros nacionais aguardando a peça que há trinta dias não consegue chegar à oficina para o reparo. E a demora não se deve só porque a peça é importada. Tem tudo a ver com a tal incidência. Afinal, se o componente não quebra, por que, afinal, o dono da metalúrgica vai produzir um exemplar a mais, o que significa gastar matéria prima, mão-de-obra, papel de embalagem etc, se nem a fábrica, e nem a rede autorizada, vai comprar? Quando acontece de o carro apresentar um desses defeitos miraculosos depois de já ter alguns anos de vida, o usuário, como aconteceu com o leitor Pedro Lins e Silva, beira ao desespero. Por um simples dispositivo elétrico para seu Honda Accord 94, peça que nunca quebra, a concessionária Honda pediu a bagatela de R$ 1,7 mil.

Diante desse quadro, que ano após ano vem mostrando uma evolução negativa, ao invés de mostrar um vetor positivo, muitas montadoras ainda insistem em divulgar estatísticas de satisfação dos consumidores. “Oitenta e cinco por cento dos nossos clientes estão plenamente satisfeitos com a marca”, gritam aos quatro cantos. Além de enganoso, esse tipo de notícia só serve para denunciar a qualidade da nossa imprensa especializada, que, como já disse, é preguiçosa e está confusa a respeito das suas posições nesse contexto. A esse tipo de notícia deve-se responder com uma pergunta. E o que dizem os outros 15%?

[Fonte: André Gomide para a Agência Auto Informe]

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