Mercado: com falta de carros novos, modelo de compra pode mudar

Mercado: com falta de carros novos, modelo de compra pode mudar

O modelo de negócios de carro pode mudar para sempre nos próximos anos com a escassez de veículos novos. Isso é o que aponta um artigo do site Axios.

Apesar de voltado para a realidade americana, serve também para a brasileira, dado que os dois mercados, apesar da enorme distinção nos detalhes, vive o mesmo drama, a falta de carros novos.

Tanto lá quanto cá, os carros usados subiram de preço por falta de novos.

Mas, de volta ao caso, tanto americanos quanto brasileiros são ansiosos e as filas de espera são indesejáveis. Diferente do mercado europeu, que sabe trabalhar melhor as encomendas, nos EUA e aqui, os estoques são parte crucial do negócio.

Mercado: com falta de carros novos, modelo de compra pode mudar

Todavia, como gerar estoque nas revendas para quem quer comprar e levar na hora? No modelo tradicional é fácil.

Basta a montadora produzir mais que o necessário para vendas futuras e os vendedores exercitarem seus dons comerciais para empurrar o carro de estoque.

Grandes volumes são empurrados das fábricas para as revendas mensalmente e os estoques ficam rechonchudos para que o cliente entre a pé e saia rodando, feliz da vida.

Isso vinha bem até o coronavírus e piorou com a decorrência do mesmo, a crise do chip. Sem produzir, as fábricas não empurraram mais carros para as concessionárias em quantidade. Assim, as lojas viram os pátios esvaziarem e as filas de espera aumentarem.

Nos EUA, o consumidor é ansioso demais para esperar por um carro novo, segundo a Cox Automotive. Ele quer chegar e levar. Sem carros novos, como fazer?

Mercado: com falta de carros novos, modelo de compra pode mudar

Acredita-se que a crise dos semicondutores pode levar a uma mudança definitiva no modo de comprar carro. Passando da pronta-entrega para a encomenda.

Sabe-se que os recursos para o sistema atual são enormes, tanto em mão de obra quanto em gastos gerais para os fabricantes, que trabalham com vendas futuras.

Nas lojas, a coisa não difere, com grandes gastos para manter um pátio cheio, sob o risco de roubos e intempéries. Conclui-se que a economia gerada sem os estoques seria gigantesca.

Sem custos como horas de trabalho a mais ou seguros para manter os carros parados nos pátios, assim como gastos extras de energia e financiamentos das revendas para compra antecipada, o preço do carro poderia ser menor.

Visando um negócio mais sustentável e menos suscetível a crises, como dos chips, marcas como a Ford estão tentando mudar para um modelo de negócio baseado na encomenda.

Mercado: com falta de carros novos, modelo de compra pode mudar

Em vez de estoque para o Mustang Mach-E, a Ford trabalha com encomendas para este modelo, assim como dá desconto de US$ 1.000 para quem reservar qualquer carro.

Ainda assim, por mais que a compra online avance e até mesmo a física, ainda na revenda tradicional, lutar contra o sistema comercial vigente é um esforço hercúleo.

Nos EUA, a Polestar se deu mal ao perceber que os clientes das revendas queriam os carros à pronta-entrega, diferente do modelo de encomendas, instituído pela empresa.

Aí, entra um detalhe importante. A reclamação só surgiu após as visitas dos compradores às lojas. Ou seja, foi um erro da Polestar imaginar que uma concessionária sem carros no estoque funcionaria nos states.

 

Aliás, uma concessionária sem carros à pronta-entrega não funciona nem aqui. Isso mostra que, para mudança de estoque para encomenda, um elo da cadeia terá de ser extinto ou se reinventar.

Neste último, o pós-venda parece algo promissor, assim como as revendas digitais, com estandes montados com test drive e consultor (não vendedor), num modelo que a Tesla explora bem nos states. Aqui, já temos (poucas) experiências nesse sentido.

Você leitor, prefere encomendar ou já quer sair da loja dirigindo?

[Fonte: Axios]

 

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.