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Mercado: Vendas e lucros destruídos pelo aumento de preços

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O mercado automotivo brasileiro encolheu 42,7% em três anos. De 3,4 milhões de automóveis e comerciais leves vendidos em 2013, o país registrou somente 1,95 milhão em 2016. Esse despencar dos emplacamentos poderia sugerir uma redução nos preços e descontos, a fim de compensar o volume menor e evitar quedas maiores. Mas o efeito é exatamente o contrário.

O preço médio do carro no Brasil – contabilizando-se todas as opções disponíveis no mercado – era de R$ 50,4 mil em 2013, mas em 2016, esse valor já era de R$ 68,6 mil. Ou seja, em média os preços subiram R$ 18,2 mil. Essa alta de quase 36% afetou os resultados não só para os consumidores, mas também para a indústria.

De acordo com o site Automotive Business, a faturamento do setor automotivo em 2013 foi de R$ 180,4 bilhões, tendo margem de lucro líquido de 8% para os fabricantes. Porém, no ano passado, o volume caiu para R$ 136,2 bilhões com saldo negativo de 25% sobre o faturamento, gerando uma queda de 24,5%.

 

Por conta disso, as montadoras aumentaram os preços em torno de 25% no período. Mas, de acordo com o levantamento de preços e modelos da consultoria Bright Consulting, a subida nos valores têm relação com lançamentos e elevação do conteúdo dos carros apenas em 26,9% dos reajustes. Nos outros 73,1%, os fabricantes aumentaram os preços, mas não acrescentaram nada aos modelos, nem mesmo em termos de segurança.

Com mais de 25% de aumento sobre os preços dos automóveis, os fabricantes tiraram milhões de consumidores – especialmente em potencial – do mercado, que obviamente migraram em parte para o mercado de usados. Isso fez rapidamente com que as vendas despencassem, agravadas ainda mais com a crise econômica.

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Perdas por segmento

Na pesquisa, para os carros de baixo conteúdo (carros de entrada e picapes leves), o preço médio subiu 35,5% no período e o market share caiu de 56,9% para 29,3%. A queda nas vendas foi de 70,6%. Ou seja, de 1,93 milhão em 2013, o mercado de entrada caiu para pouco menos de 570 mil em 2016.

Os veículos considerados na pesquisa da Bright como “médio conteúdo” – que são os carros mais equipados, porém, ainda não do segmento médio – foram os que menos perderam em vendas: 4,3%. O preço também subiu menos: 9,2%. Porém, a participação subiu de 25,8% para 43,1%. Indicando aí uma migração dos consumidores com poder de compra para carros mais equipados.

Os de “alto conteúdo” são os carros de porte médio e utilitários esportivos completos. Nesse caso, houve ganho em vendas: 6,3%. Os preços subiram em média 18,2% e o market share pulou de 8,5% para 15,7%, ficando em torno de 300 mil unidades no ano passado. Já as picapes médias caíram 22% em vendas, mas ficaram 10,6% mais caras. O mercado delas encolheu em 40 mil unidades, porém, a participação no mercado subiu para 7,2% ante 5,3% de 2013. Nos premium, as vendas caíram 23,6% no período e seus preços subiram 21,9%. Mesmo assim, a participação subiu de 3,5% para 4,7%. Foram perdidas quase 30 mil unidades.

Além dessa situação, o governo manteve uma carga tributária média de 27% para o setor, mas perdeu R$ 12 bilhões em arrecadação com o despencar das vendas. Já os fabricantes perderam mais: R$ 45 bilhões. Desse total, R$ 23 bilhões foram perdidos com a redução no ritmo industrial, que viu a ociosidade aumentar no setor.

Em 2013, 77% da capacidade instalada (4,5 milhões) estavam sendo usadas. No ano passado, caiu para 46%. Muito abaixo do ponto de equilíbrio das montadoras, que é de 65%. A previsão da Bright é que o governo alcance a mesma arrecadação de 2013 em 2018, mas as montadoras só colherão os mesmos lucros de 2013 em 2022. Ou seja, a recuperação para o setor automotivo vai demorar bem mais.

[Fonte: Automotive Business]

Agradecimentos ao Luiz Carlos.

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