
Uma recomendação discreta nos extratos de financiamento expõe a nova estratégia da Honda nos Estados Unidos, justamente após a marca abandonar seu único EV local.
A mensagem enviada em julho pede aos proprietários do Prologue que considerem um híbrido, embora pesquisas indiquem pouca disposição para retornar à gasolina.
O Honda Prologue deixa o catálogo apenas três anos após a estreia, período bem menor que o ciclo aproximado de sete anos normalmente adotado pela indústria.
Desenvolvido em parceria com a General Motors, o SUV utilizava grande parte da estrutura do Chevrolet Blazer EV e superou as expectativas comerciais.
Durante seu primeiro ano completo, o modelo vendeu mais que qualquer EV oferecido diretamente pela GM e permaneceu entre os dez elétricos mais procurados.

A retirada ocorreu na semana passada, depois que a Honda cancelou três futuros EVs destinados aos Estados Unidos e encerrou o projeto desenvolvido com a Sony.
Últimas notícias
A escolha também contrasta com o próprio nome Prologue, criado para representar o começo da ofensiva elétrica da fabricante antes da chegada de produtos próprios.
Segundo a Honda, o conjunto dessas decisões poderá gerar perdas de até US$ 15,7 bilhões (R$ 79,6 bilhões) e levar ao primeiro prejuízo anual de sua história.
Tarifas e o avanço de fabricantes asiáticos, especialmente empresas chinesas com rápida eletrificação, aparecem entre os principais fatores para a projeção negativa.
Mesmo diante dessa concorrência, a fabricante direciona novamente sua estratégia aos híbridos, em vez de manter os programas elétricos planejados para o mercado norte-americano.

A recomendação para considerar um híbrido aparece na parte inferior de todos os extratos mensais da Honda Financial Services enviados durante julho.
Proprietários ouvidos pelo Business Insider classificaram a sugestão como pouco realista após conhecerem a condução silenciosa, a resposta imediata e a rotina sem abastecimentos.
Enquete
Honda recomenda híbrido no lugar do EV Prologue nos EUA. Isso faz sentido para o consumidor?
Vote e veja o resultado em tempo real.
38 votos
Um deles afirmou que, salvo poucas exceções, quem migrou totalmente para um EV dificilmente aceitaria voltar a um automóvel híbrido ou movido apenas a gasolina.
Essa percepção encontra apoio em um levantamento recente, segundo o qual 96% dos proprietários de EVs não pretendem retornar aos modelos tradicionais.
O estudo foi realizado após medidas republicanas elevarem em US$ 7.500 (R$ 38.000) o custo efetivo dos elétricos nos Estados Unidos.
Outras pesquisas acompanhadas pela publicação também apontam níveis elevados de satisfação, sugerindo que a experiência elétrica cria forte resistência ao retorno da combustão.
O momento amplia o contraste, pois os preços internacionais do petróleo voltam a subir diante do conflito no Irã e de novas tensões globais.
Esse cenário costuma aumentar o interesse por EVs, enquanto alguns países já adotam medidas para interromper completamente a importação de automóveis movidos a gasolina.
Ondas de calor recordes e seus impactos sobre milhares de pessoas também reforçam o debate sobre emissões e a dependência mundial dos combustíveis fósseis.
A Honda subestima a preferência de seus clientes elétricos ao oferecer como substitutos modelos que dependem integralmente de gasolina.
Alguns clientes fiéis ainda poderão escolher outro Honda quando seus contratos terminarem, especialmente quando o Prologue não atender completamente às necessidades individuais.
Entretanto, a parcela disposta a abandonar os EVs tende a ser pequena diante dos índices de satisfação e das opiniões reunidas entre proprietários atuais.
Para os demais, o fim do Prologue provavelmente abrirá espaço para modelos elétricos concorrentes, em vez de conduzi-los aos híbridos oferecidos pela própria Honda.
