América Latina: chinesas usam marcas americanas para atingir EUA

América Latina: chinesas usam marcas americanas para atingir EUA

Modelos como Ford Territory, Chevrolet Captiva e Dodge Journey são nomes conhecidos em Detroit, mas alguns deles estão associados com mercados mais distantes dos EUA. Contudo, eles estão bem próximos da América com uma mensagem subliminar.

Changan, SAIC e GAC estão por trás desse trio, que agora é vendido no mercado latino-americano e dois deles estão no México, bem próximos dos EUA. Ainda que não haja planos para ver Territory, Captiva e Journey nos states, o movimento das Big Tree é também uma aproximação das chinesas na região.

Quase todo fabricante de origem chinesa tem o mercado americano como alvo, mas a maioria das empresas são desconhecidas do público. Algumas delas até tentaram entrar, mas no governo Trump, a sobretaxa de 25% impediu que boa parte aproveitasse o lucrativo player mundial.

América Latina: chinesas usam marcas americanas para atingir EUA

Assim, uma das estratégias das chinesas é mostrar que os clientes das marcas americanas confiam em seus produtos, usando exatamente esses modelos de nomes conhecidos em Detroit para dar as caras na América do Norte, sem realmente entrar nos EUA ou Canadá.

Michael Dunne, CEO da empresa de consultoria ZoZo Go LLC, com sede em Hong Kong, comenta: “Há esforços para entrar no mercado de todas as maneiras possíveis”.

Dunne continua: “Em alguns casos, o quadro geral é que eles estão enfrentando essa barreira tarifária que nunca tiveram de enfrentar antes e estão encontrando maneiras de contorná-la.”

Contudo, Dunne adverte que ações como essas, promovidas na América Latina, podem ser um tiro pela culatra nos EUA. Ele levanta a questão: “Qual é o valor da marca se você puder colocá-la em qualquer coisa?”.

América Latina: chinesas usam marcas americanas para atingir EUA

Em sua opinião, rebatizar produtos de marcas chinesas com marcas americanas, podem confundir os clientes e prejudicar a imagem da marca.

Renomear modelos estrangeiros no mercado americano não é novidade, visto que GM, Ford e Chrysler o fizeram com as japonesas Isuzu, Mazda e Mitsubishi no passado.

Para os gigantes de Detroit, foi uma maneira de ter produtos baratos para competir com os players nipônicos e depois coreanos.

Sam Fiorani, vice-presidente de previsão global da AutoForecast Solutions LLC, entende de outra forma. Ele explica que em mercados como o México, oferecer produtos mais baratos significa manter-se diante dos concorrentes estrangeiros num mercado sensível ao preço.

Fiorani diz ainda que é difícil levar SUVs chineses, como estes citados, para o mercado americano de modo a competir com usados de até três anos e 80.000 km rodados.

O executivo diz ainda que assim, marcas como Dodge, Chevrolet e Ford podem ajustar esses produtos à qualidade exigida pela marca sem comprometer a imagem.

[Fonte: Post Bulletin]

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.