
Uma década depois de abandonar os EVs nos Estados Unidos, a Mitsubishi prepara seu retorno elétrico utilizando praticamente toda a tecnologia desenvolvida pela Nissan.
A novidade recebe o nome Eclipse Sportback EV 2027 e será vendida nos Estados Unidos e no Canadá entre o fim do verão e o início do outono.
A fabricante descreve o modelo como um EV totalmente novo, embora sua base seja a próxima geração do Nissan Leaf.
A própria Mitsubishi confirma que o veículo vem de sua parceira Nissan, integrante da aliança formada também com a Renault.
Cerca de 300 concessionárias norte-americanas participarão da comercialização, ampliando o alcance de um produto que exigiu pouco desenvolvimento exclusivo da marca.

As principais diferenças aparecem nos para-choques dianteiro e traseiro, nas assinaturas luminosas e nas rodas de liga leve com desenho esportivo.
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Os emblemas dos três diamantes completam a transformação visual, mas plataforma, bateria, software e componentes mecânicos permanecem ligados ao projeto do Leaf.
A traseira recebeu acabamento próprio e novas lanternas, criando alguma separação estética diante do modelo japonês que fornece sua estrutura.
Sob a carroceria, o Eclipse Sportback EV utiliza uma bateria de 75 kWh com refrigeração líquida, exatamente como o Nissan Leaf 2026.
A porta de recarga segue o padrão NACS, permitindo conexão direta com carregadores rápidos da rede Tesla Supercharger na América do Norte.

A recarga em corrente contínua aceita até 150 kW e leva aproximadamente 35 minutos para elevar a bateria de 10% a 80%.
Esses números repetem integralmente as especificações apresentadas pelo Leaf renovado, reforçando que a maior contribuição da Mitsubishi está no desenho externo.
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Protótipos com camuflagem leve já haviam sido vistos em testes, confirmando informações divulgadas em março sobre um futuro EV derivado do Nissan.
Agora, o projeto ganha nome definitivo e recupera uma identificação que já passou por diferentes tipos de automóvel ao longo dos anos.
Eclipse começou como cupê esportivo, depois reapareceu no utilitário Eclipse Cross e agora identifica um crossover elétrico baseado no Leaf.

A Mitsubishi não oferece um EV próprio nos Estados Unidos desde a retirada do pequeno i-MiEV, ocorrida há vários anos.
Sua principal alternativa eletrificada atual é o Outlander PHEV, que combina motor a combustão, bateria e possibilidade de recarga externa.
Desenvolver um crossover elétrico independente exigiria anos e bilhões em investimentos, tornando o compartilhamento com a Nissan uma solução mais rápida e econômica.
Esse tipo de troca de projetos representa justamente uma das vantagens pretendidas pela Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi desde sua formação.
A fabricante ainda não divulgou preço nem autonomia, os dois números que deverão definir a competitividade real do Eclipse Sportback EV.
Como referência, o Leaf oferece alcance estimado entre 417 km na versão Platinum+ e 488 km na configuração básica S+.
O Nissan também parte de US$ 29.990 (R$ 166.500), valor que pode servir como base para a tabela do modelo da Mitsubishi.
A expectativa é de um preço ligeiramente superior, principalmente pela carroceria diferenciada e pelo posicionamento escolhido para o nome Eclipse.
A estratégia não representa necessariamente um problema, pois o Leaf atual combina preço competitivo, boa autonomia e uma plataforma elétrica já desenvolvida.
Levar esse conjunto a mais concessionárias pode ampliar a disponibilidade de EVs acessíveis e oferecer outra opção visual aos consumidores.
A questão central está na dependência completa da Nissan, responsável pela arquitetura, pela bateria, pelo sistema digital e pelas futuras atualizações.
A Mitsubishi controla principalmente o estilo e a identificação comercial, permanecendo vulnerável caso a estrutura da aliança passe por mudanças profundas.
Por enquanto, a solução garante um retorno rápido aos EVs sem enfrentar a parte mais cara e complexa do desenvolvimento de um modelo próprio.
O Eclipse Sportback EV funciona como resposta imediata, mas ainda não esclarece se a Mitsubishi pretende construir uma estratégia elétrica realmente independente.
