Montadoras estão começando a entrar em pânico por causa da corrida da IA: mais uma crise silenciosa no setor

Industria Medo Ia
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A conta da inteligência artificial pode chegar às concessionárias antes do que muita gente imagina, na forma de prazos maiores e carros mais caros por falta de memória.

Uma coalizão de grupos empresariais dos EUA afirmou que a escassez global de chips de memória, acelerada pelo boom da IA, virou um risco crescente para a indústria.

Em carta enviada na quarta-feira ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, e ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, nove associações pediram ajuda para ampliar a oferta desses componentes.

Segundo o documento, a pressão sobre a memória ameaça cadeias de suprimento críticas e tende a elevar preços ao consumidor no curto prazo, atingindo do varejo ao setor industrial.

Os signatários apontam a expansão de data centers de IA como a responsável por consumir uma fatia desproporcional da capacidade, provocando disparada de preços e redução de oferta.

Entre as entidades que assinaram estão a Alliance for Automotive Innovation, a Medical Device Manufacturers Association e a National Retail Federation, reunindo interesses de setores bem diferentes.

A mensagem tenta equilibrar o discurso: a IA é vista como avanço geracional e peça de liderança tecnológica, mas a coalizão diz que outras indústrias não podem virar “dano colateral”.

O alerta vai além de notebooks e celulares, citando aumento de custos em infraestrutura de internet e telecomunicações, além de risco de falta em carros, dispositivos médicos e manufaturados.

O texto também destaca dificuldades para contratantes federais, sobretudo pequenas empresas, que podem não conseguir cumprir obrigações de compras se a memória seguir curta e mais cara.

A escassez ganhou força porque a demanda por IA levou a um nível inédito o consumo de chips antes tratados como commodities, mudando a lógica de prioridade na cadeia.

Projetistas como Nvidia e Advanced Micro Devices estão pagando valores altos por memória de alta largura de banda, o que incentiva fornecedores a atenderem primeiro esse nicho.

Enquanto isso, segmentos que dependem de outros tipos de memória, como automóveis e eletrônicos de consumo, relatam um aperto cada vez maior e sem alívio imediato.

A euforia do mercado com a demanda de IA levou ações do setor a dispararem, com Micron Technology e SK Hynix superando o patamar de US$ 1 trillion (R$ 5,1 trilhões) em valor de mercado no mês passado.

A Micron, sediada em Idaho, virou uma das estrelas do S&P 500 neste ano, acumulando alta de mais de 278%, o que reforça o incentivo econômico para focar onde a margem é maior.

Na carta, os grupos pedem que o governo colabore com fabricantes e compradores para expandir capacidade nos EUA e em jurisdições aliadas, usando mecanismos de acordos comerciais e o Chips Act.

Eles também defendem foco explícito em garantir oferta para todos os segmentos, inclusive manufatura e produtos voltados ao consumidor, não apenas o ecossistema de IA.

A Micron planeja ampliar capacidade em Nova York e Idaho, mas a maior parte só deve entrar em operação em anos, enquanto Lutnick pressiona SK Hynix e Samsung a produzirem nos EUA.

A Samsung constrói uma fábrica de chips lógicos em Austin e a SK Hynix planeja uma planta de empacotamento em Indiana, mas, hoje, apenas a Micron produz wafers de memória dentro das fronteiras americanas.

O recado sobre impacto no setor automotivo já tinha sido reforçado em abril, quando o senador Bernie Moreno, republicano de Ohio, alertou para risco de alta de preços de até 100% neste ano.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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